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01/03/2011
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Aplicação da Gestão por Competências em órgãos públicos

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Um livro que traz à tona a teoria e a prática da aplicação da Gestão por Competências em órgãos públicos e com base nas experiências adquiridas por profissionais que participaram da implantação desses processos. Essa rica coletânea de conhecimentos encontra-se no título "Gestão por Competências no Setor Público", Qualitymark Editora, organizado por Rogerio Leme, MBA em Gestão de Pessoas pela FGV, Tecnólogo Digital, diretor executivo da Leme Consultoria, especialista e autor de vários livros sobre Gestão por Competências.
O título será lançado durante a realização do 2º Seminário Nacional Gestão por Competências, Avaliação e Desempenho no Setor Público, que ocorre no período de 07 a 08 de abril próximo, no Othon Palace Hotel, em Salvador/BA. Segundo Rogerio Leme, os profissionais públicos buscam por capacitações, informações, experiências, enfim, tudo que possa ajudá-los. "Todas as etapas do processo de implantação da Gestão por Competências no setor público são importante e têm características especiais, relevantes para o êxito da Gestão por Competências", afirma ao acrescentar que se etapas forem menosprezadas, podem levar ao fracasso o projeto por melhor que seja a metodologia utilizada.
Em entrevista concedia ao RH.com.br, Leme detalha características do livro "Gestão por Competências no Setor Público" e das necessidades específicas das empresas públicas, bem como os benefícios que essa metodologia gera aos órgão que a adotam. Rogerio Leme participará do 5º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos), com a palestra "Como estruturar um sistema de Carreira com Foco em Competência". Confira a entrevista na íntegra e boa leitura!


RH.com.br - Recentemente o senhor tomou a iniciativa de organizar em um livro as experiências de consultores junto a órgãos públicos que instituíram a gestão por competências. Qual a proposta desse trabalho?

Rogerio Leme - Ao convidar um dos autores para fazer este livro, o Paulo Ricardo Godoy dos Santos, me questionou sobre porque eu gostaria de escrever sobre Gestão por Competências para o Setor Público considerando que os princípios de Gestão de Pessoas e da motivação humana são os mesmos, independentemente de ser uma empresa pública ou privada. Não tenha dúvida desta isonomia, porém, embora tecnicamente o processo de implantação de Gestão por Competências tenha que passar pelas mesmas etapas de implantação seja para uma empresa pública ou não, a maneira de abordar, sensibilizar de apresentar os objetivos são muito diferentes em função da cultura que envolve o serviço público. A cultura é muito diferente. Alguns exemplos extremamente simples são o fato de no setor público não haver concorrência e que os servidores possuem um processo de contratação via concurso público e de possuírem estabilidade. Assim, os profissionais reunidos para assinar este livro possuem experiência e muita vivência nestas questões, podendo compartilhar os erros e acertos que já passaram para que outras empresas públicas sintam-se incentivadas para iniciar a implantação de um importante projeto como este, objetivando colher os bons frutos que ele irá gerar.

RH -
Esse título serve apenas de base para órgãos públicos ou também pode ser considerado um estímulo para empresas privadas que pensam em implantar a Gestão por Competências?
Rogerio Leme -
O foco do livro é o setor público. Claro que os princípios da Gestão por Competências podem sem levados às empresas públicas e privadas. Porém, a linguagem, os exemplos e os cases do livro, foram elaborados especialmente para o setor público.

RH -
O número de empresas públicas que adotam a Gestão por Competências cresceu significativamente nos últimos anos?
Rogerio Leme
- Vem crescendo sim, mas há muito por fazer. A Gestão por Competências é um clamor da própria instituição ou, normalmente, uma diretriz de uma instância superior. Assim, elas estão em busca de soluções que atendam suas necessidades de sistematizar os processos de gestão e avaliação dos servidores não apenas para atender demandas alheias, mas para promover o desenvolvimento dos seus servidores e proporcionar serviços de melhor qualidade aos cidadãos, aos Estados e aos municípios.

RH -
No Brasil, o funcionário público está preparado para aceitar a Gestão por Competências como um processo de mudanças benéfico?
Rogerio Leme - Não vejo que o servidor público não queira ou não esteja preparado para aceitar a Gestão por Competências em si. Na realidade, ele quer instrumentos que contribuam. Agora, acredito que temos que iniciar por implantações estruturadas estrategicamente, para que possamos trazer o servidor para as políticas de Recursos Humanos que pautam as ações de Gestão por Competências no setor público. O desafio do aceitar está nesta questão.


RH -
E em relação aos profissionais de RH que atuam no setor público, como eles têm se posicionado diante da adoção da Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Sinto que eles têm sede por querer realizar e uma ansiedade enorme que junta com a angústia das limitações que a área pública passa. Afinal, diferentemente de uma empresa privada que pode fazer tudo que não seja contra a lei, um setor público pode fazer somente aquilo que está estabelecido em lei. Assim, estes profissionais buscam por capacitações, informações, experiências, enfim, tudo que possa ajudá-los. Isso também nos motivou, a mim e demais autores do livro, a realizar esta obra.


RH -
Quais os desafios mais significativos que o setor público enfrenta diante da Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Quebrar paradigmas dos atuais modelos de avaliação de pessoas e a construção de um instrumento com credibilidade, levando a clareza das diretrizes que a proposta de gestão oferece. Não que isso prejudicará ou beneficiará o servidor, mas proporcionará o seu desenvolvimento para assim gerar resultados efetivos à sociedade.


RH -
Esses desafios tendem a perder "força" em médio prazo?
Rogerio Leme - Se não estiverem bem consolidados em uma sólida proposta metodológica e que esta seja aderente à realidade da empresa pública, além do apoio e do interesse da alta gestão em querer realizar este projeto para deixar um legado e uma nova forma de Gestão de Pessoas, sem dúvida alguma o projeto como um todo pode morrer. É aí onde está o grande desafio do profissional de Recursos Humanos.


RH -
A implantação da Gestão por Competências ocorre de forma similar ao que é evidenciado no setor privado ou há peculiaridades expressivas?
Rogerio Leme - Tecnicamente sim. Porém, o processo de construção é mais lento que em uma empresa privada e a massificação do debate e de envolvimento dos servidores e de formas de abordagem em função da cultura do setor público são muito mais amplos do que ocorre na iniciativa privada.


RH -
Existem requisitos para que uma empresa pública implante a Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Sim. Dentre esses, destacaria: contar com o apoio da alta gestão e ter espírito aberto para debate. Sem um forte e amplo apoio da alta administração dificilmente o projeto consegue ser implantado e sem o envolvimento dos servidores por meio de debates e de forte comunicação, dificilmente o projeto consegue ser sustentado.


RH -
Quando um órgão público decide implantar a Gestão por Competências, qual a etapa inicial a ser adotada e a que pode ser considerada a mais "delicada?
Rogerio Leme - Todo o processo de implantação é importante e têm características especiais, relevantes e que, se menosprezadas podem levar ao fracasso o projeto por melhor que seja a metodologia utilizada. Entretanto, sem sombra de dúvidas, as chamadas "políticas de consequências", ou seja, as políticas de Gestão de Pessoas que determinam o impacto e os subsistemas de Recursos Humanos - que serão afetados com o resultado da avaliação - são os mais delicados por envolver a cultura e os ranços do setor público, por abranger questões de interesse político, do servidor e principalmente de experiências frustradas de avaliações realizadas no passado.


RH -
Que mudanças ocorrem nas organizações públicas que implantam a Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Uma área de Recursos Humanos estruturada, voltada para questões objetivas e assertivas quanto ao desenvolvimento das competências de seus servidores e a instauração do sentimento de transparência, justiça e meritocracia que se materializa com as ações complementares dos Recursos Humanos. É uma fase nova na Gestão de Pessoas.

 

Palavras-chave: | Rogerio Leme | Gestão por Competência |

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COMENTÁRIOS (7)
Antonio Josias da Silva em 15/04/2011:
Entrevista interessante. O comentário sobre o envolvimento da alta administração é de todos o mais importante. Sem que haja efetivamente participação e apoio de quem manda, as coisas tendem a ser mais dificeis, indo ao polo extremo da boa bontade apenas. Parabéns Antonio Josias da Silva

Hilbert em 06/04/2011:
Quando iniciei o curso de graduação em RH (UVA) tinha como foco o serviço público, "A disciplina funcional", hoje, tenho certeza que há um caminho para melhorar a qualidade de vida funcional no setor público. Vou adquirir o livro Gestão por Comp. no S. Público e dar continuidade a essa ideia. Rogério Leme, parabéns pela entrevista. Hilbert

Fabiano em 25/03/2011:
Excelente abordagem do assunto. Uma das grandes dificuldades da gestão de pessoas em organizações públicas é a compreensão da cultura organizacional por parte dos gestores, assim como a necessidade de coerência entre o discurso e a prática da alta administração nas ações do dia a dia.

José Lima em 13/03/2011:
Achei muito interesante o tema avaliação de desempenho no setor público. Estou produzindo um projeto de tese de doutorado sobre este tema e me ajudará bastante na teoria, e pretendo participar do seminário. Parabéns! Sou leitor do Boletm Semanal

Tania em 12/03/2011:
Parabéns pela entrevista. Até que enfim estamos cuidando mais e dando mais valor aos profissionais das empresas e serviços públicos. Mais do que lidar com a "cultura e os ranços do setor público", a sociedade precisa ver estas pessoas com outros olhos - também somos profissionais competentes que querem prestar serviços de qualidade. Se nós todos, cidadãos, cobrarmos qualidade da Gestão Pública como um todo, tenho certeza que as ferramentas aplicadas serão mais consistentes. Vou ler o livro!

Mirian Marcolino em 08/03/2011:
Adorei. Precisamos de algo inovador no serviço público. Acredito que é possível mudar, pois hoje o servidor trabalha, presta serviços para usuários mais entedidos e menos tolerantes.

Adriana em 08/03/2011:
Boa tarde, Rogério! Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa. Eu sou funcionária pública e sinto na pele como um desmotivador trabalhar sem nenhum tipo de motivação e incentivo a não ser o fato da estabilidade profissional. O setor público se esquece de os serviços prestados são executados por "pessoas" e para "pessoas" e as pessoas necessitam de serem motivadas para executarem com êxito suas tarefas; e as pessoas que recebem os serviços são contribuintes que pagam em dia seus impostos e merecem um atendimento diferenciado. Sucesso em seu novo trabalho e que os setores públicos podem aderir a sua sugestão.

 
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