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09/08/2011
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Por que usar as mídias sociais na educação corporativa?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Não é possível conceber a ideia de que uma empresa exista sem os benefícios oferecidos pela tecnologia. Isso é extensivo a quem lida com o desenvolvimento de pessoas, afinal é preciso estar conectado com as tendências e as inovações que surgem a cada instante no mercado. Dentro desse contexto, as chamadas redes sociais como LinkedIn, Facebook, Twitter, blogs, entre outros, passam a mostrar uma relevância significativa para a educação corporativa. De acordo com Willyans Coelho, diretor executivo do RH.com.br e presidente do ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos), as mídias sociais trouxeram uma mudança de comportamento interessante para a sociedade.
Se antes as decisões relacionadas aos movimentos de inovação eram concentradas em poucas pessoas que detinham cargos de direção, atualmente as empresas esperam que todos os profissionais assumam o compromisso de inovar e ter iniciativas congruentes com os objetivos estratégicos da organização. "É nesse contexto organizacional dinâmico de hoje que percebo as mídias sociais como ferramentas que podem potencializar essa troca de informações constantes", defende. Em entrevista ao RH.com.br, ele enfatiza ainda os pré-requisitos para que a área de Treinamento & Desenvolvimento utilize as mídias sociais como ferramenta para a educação corporativa. Quem participar do CONARH 2011, uma dica interessante: Willyans Coelho participará do Espaço Inovação com o tema "T&D 2.0" e ministrará palestra gratuita "Como Implementar um Projeto de e-Learning na empresa", no stand da Leme Consultoria, no dia 16 de agosto, a partir das 14h15m. Confira a entrevista sobre a utilização das mídias sociais pela área de T&D e tenha uma ótima leitura.


RH.com.br - O que o faz pensar que existe uma tendência da Web 2.0 ser incorporada ao dia a dia da área de T&D?
Willyans Coelho - As mídias sociais trouxeram uma mudança de comportamento interessante para a nossa sociedade. No período pré-internet, a informação era controlada por grandes grupos editoriais, que detinham os meios de comunicação. Com a popularização da internet, houve um início de democratização das informações, quando pequenas empresas ou grupos específicos tornarem-se fontes de informação, com a possibilidade de expressar de uma forma diferente os anseios da sociedade. Mas foi com o surgimento das mídias sociais que essa abertura chegou ao indivíduo. Com as ferramentas de compartilhamento disponíveis hoje na internet, qualquer pessoa tem a oportunidade de expressar livremente suas opiniões, compartilhar seu cotidiano e colaborar com os outros. Veja que esse é um movimento semelhante ao que vem ocorrendo nas organizações. Antes, tanto as decisões quanto os movimentos de inovação estavam concentrados em poucas pessoas que detinham cargos de direção. Hoje, o que se espera nas empresas é que todos assumam o compromisso de inovar e tomar decisões congruentes com os objetivos estratégicos da organização. Se antes só havia uma comunicação do topo para base, hoje a informação e o conhecimento devem circular em todas as direções na empresa e em todos os momentos. Cada pessoa é, ao mesmo tempo, emissor e consumidor de informação, em um ciclo contínuo. Por isso que compartilhar o conhecimento em tempo real pode ser um diferencial para garantir bons resultados. É nesse contexto organizacional dinâmico de hoje que percebo as mídias sociais como ferramentas que podem potencializar essa troca de informações constantes e, com isso, ampliar o conhecimento das pessoas em relação às suas atividades na empresa.


RH - Então, esse é mesmo o momento de usar a Web 2.0 na educação corporativa?
Willyans Coelho - Acredito que vivenciamos um momento inicial desse processo. A Web 2.0 entrou no RH pelas mãos da área de Recrutamento e Seleção, que perceberam ali uma rica fonte de captação e avaliação de talentos. É claro que pela peculiaridade do trabalho da área de Recrutamento e Seleção o que interessa são as ferramentas abertas, disponíveis para acesso livre pela Web, como LinkedIn, Facebook, Twitter, blogs, entre outros. No entanto, é importante observar que praticamente para todas essas ferramentas abertas há "clones" que podem ser utilizados de maneira fechada, dentro da organização. É possível criar uma Wikipedia interna para sua empresa, um Twitter interno ou mesmo um Facebook apenas para os funcionários da sua organização. É diante dessa possibilidade que eu vislumbro uma riqueza enorme a ser explorada pela área de T&D.


RH - O que mudará na área de T&D com a adoção da Web 2.0?
Willyans Coelho - Hoje, na maioria dos casos, a área de T&D atua na chamada aprendizagem formal. São programas de educação corporativa planejados, programados, executados e avaliados de uma maneira sistemática, a fim de atender às necessidades de desenvolvimento da organização de acordo com o planejamento estratégico estabelecido. Contudo, sabemos que esse tipo de aprendizagem formal é apenas uma fração, muitas vezes uma pequena fração, de tudo aquilo que as pessoas aprendem no ambiente corporativo. Além desses programas de treinamentos oferecidos pelo T&D, as pessoas também aprendem no relacionamento com os outros no ambiente organizacional, seja através da observação, de uma conversa ocasional, de uma reclamação do cliente ou em uma sessão de feedback. Existem diversas outras maneiras de aprender procedimentos ou comportamentos novos além dos treinamentos formais, que de fato não dão conta de todas as peculiaridades de cada função ou situação. Isso é o que denominamos de aprendizagem informal, ou seja, ela ocorre naturalmente, sem planejamento ou interferência explícita da área de T&D. Para mim, é exatamente essa aprendizagem informal que poderia ser explorada pelo uso das mídias sociais. Eu não diria que área de T&D deva gerenciar a aprendizagem informal, pois aí perderíamos o seu grande potencial, mas nós poderíamos potencializá-la, através da implantação de ferramentas adequadas que favoreçam a sua ampliação.


RH -
Quais os pré-requisitos que uma área de T&D deve ter para instituir a Web 2.0 com êxito?
Willyans Coelho - Existem inúmeras ferramentas disponíveis na Web 2.0 que podem atender diferentemente às necessidades de cada organização. Por isso, para implantar algum, ou alguns, desses recursos, como para qualquer outra iniciativa de inovação que vai gerar uma mudança de comportamento, deve-se conhecer e respeitar a cultura da organização. É preciso reconhecer o nível de abertura e como as relações internas são estabelecidas. Também é preciso avaliar a maneira em que ocorrem as trocas de informações entre as pessoas da empresa. O diagnóstico da cultura e do padrão de comunicação vigentes é essencial para escolha das ferramentas mais adequadas.


RH - Uma vez instituída como recurso da educação corporativa, quais os benefícios que a Web 2.0 trará ao âmbito corporativo?
Willyans Coelho - Há duas mudanças muito significativas, relacionadas a quem ensina e a quando se aprende. No T&D tradicional, a aprendizagem ocorre principalmente através de instrutores internos ou contratados, porém validados pela área de T&D. Além disso, o treinamento ocorre em função de uma série de disponibilidades - do instrutor, do gestor, do aluno. Com a implantação de recursos de mídias sociais, as pessoas aprendem com seus pares na empresa, e não somente com instrutores formais, e aprendem na hora que precisam, e não no momento agendado de um treinamento. A essa nova realidade eu dei o nome de T&D 2.0, trata-se de uma educação colaborativa e em tempo real.


RH - Em sua opinião, existe a possibilidade das pessoas apresentarem sinais de "resistência" à Web 2.0 como ferramenta de desenvolvimento, mesmo que as mídias sociais já se encontram amplamente divulgadas?
Willyans Coelho - Todo processo de mudança gera alguma resistência. Do ponto de vista do usuário, certamente haverá os entusiastas que ficarão animados com a possibilidade. Mas também teremos os reticentes, que apontarão essa novidade apenas como um modismo passageiro. Em relação ao gestor de T&D significa incorporar ainda mais atividade ao seu cotidiano já abarrotado de pendências e desejos. Aos dirigentes da organização pode representar uma perda de tempo e, com isso, de produtividade. Para todos os casos de resistências, minha sugestão é sempre começar um por um projeto piloto em uma equipe ou setor da empresa. Implante uma ferramenta em um grupo pequeno, acompanhe o seu uso, avalie os resultados e faça os ajustes necessários. Se você obtiver sucesso nessa experiência, o trabalho de ampliação para toda empresa será muito mais fácil.

RH - A utilização da Web 2.0 surge como aliada da educação organizacional para empresas de todo porte e segmento?
Willyans Coelho - Não tenho dúvidas de que todas as empresas podem beneficiar-se com o seu uso. É certo que por alguma peculiaridade, alguma empresa poderá obter melhores resultados do que outras, mas todas poderão obter ganhos com a adoção dessas ferramentas. Até mesmo do ponto de vista orçamentário, que é um fator limitante significativo, no caso da Web 2.0 o impacto é reduzido, tendo em vista que muitas dessas ferramentas são oferecidas gratuitamente, seja para baixar e instalar no servidor da empresa ou até mesmo para utilizar o serviço diretamente pela Web, sem necessitar de uma infraestrutura interna para isso.

RH - Quais os primeiros passos que devem ser adotados pelas empresas que ainda não utilizam a Web 2.0 na educação organizacional, mas que reconhecem nesse recurso um ótima oportunidade para desenvolver o capital intelectual?
Willyans Coelho - Um erro comum é se encantar com uma determinada ferramenta e, então, implantá-la sem avaliar seu real impacto no dia a dia das pessoas. Tecnologia, por si mesmo, não resolve nossos problemas. Sendo assim, primeiro conheça as ferramentas disponíveis em toda sua amplitude. Mídias sociais não é só Orkut ou Facebook, existem ferramentas como blogs, microblogs, redes sociais, wikis, compartilhamento de fotos, de vídeos, de áudios, de documentos e muito mais. Conhecê-las é essencial. Somente após o conhecimento de todas essas opções é que se deve partir para uma análise minuciosa da cultura da empresa. Quais são os limites dentro da nossa realidade atual? Depois, avaliar em que setor, atividade ou grupo haveria um ganho significativo na implantação de tal ou qual ferramenta? Pode ser que para um determinado grupo uma ferramenta como o Twitter seja a mais importante, para outro, um Wiki ampliaria mais o conhecimento daquela equipe. Enfim, temos que unir análise da tecnologia disponível, da cultura vigente e dos comportamentos apresentados para obter sucesso nessa iniciativa.

RH - Quais suas expectativas para o uso da Web 2.0 na área e T&D?
Willyans Coelho - Para todas as pessoas que eu apresento essas ideias, eu sinto um impacto positivo muito interessante. Devido ao baixo custo para implantação, às diversas opções de ferramentas, à familiaridade que as pessoas já têm com esses recursos e ao seu enorme potencial de desenvolvimento de pessoas, eu não tenho dúvidas de que a adoção do T&D 2.0 se dará em larga escala em todas as organizações. Já havia um sentimento a respeito de que havia algo interessante nesse segmento, mas faltava uma metodologia para sua implantação. Creio que a proposta de analisar ferramentas, cultura e comportamento seja um caminho que abrirá as possibilidades de uso das mídias sociais na educação corporativa.

 

Palavras-chave: | Willyans Coelho | RH.com.br | tecnologia |

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