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26/06/2006
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Circo e empresas: há semelhança?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Em agosto próximo, chega ao Brasil uma das mais impressionantes atrações do mundo circense: o Cirque du Soleil. Fundado em Quebec, no Canadá, em 1984, o Circo do Sol (tradução do francês) começou com aproximadamente 70 pessoas e, hoje, integra uma equipe de 800 artistas que formam uma equipe bem heterogênea. Nos 12 espetáculos em cartaz pelo mundo, existem cerca de três mil profissionais, dentre os quais 800 artistas de 40 nacionalidades diferentes e que se comunicam através de quase 25 línguas.

Mas você pode estar questionando: o que tem isso a ver com o mundo corporativo? A resposta seria - a grande diversidade de pessoas que, através de uma perfeita sincronia, conseguem atingir seus objetivos e superar os desafios do dia-a-dia. Foi exatamente este motivo que despertou o interesse do consultor organizacional e diretor da MOT Consultoria, Alfredo Castro, e o faz estudar há mais de dois a relação entre o Cirque du Soleil e o dia-a-dia corporativo.

Tudo começou quando ele assistiu a um espetáculo apresentado em Orlando, nos Estados Unidos. Na ocasião, o consultor observou vários aspectos que chamaram a sua atenção, dentre eles: o exemplo de trabalho em equipe, o foco no espectador, a forma de recriar com extrema competência a arte do circo - uma das mais importantes tradicionais manifestações culturais do ser humano. "O Cirque du Soleil é uma das organizações mundiais que mais brilha e cresce no mundo e que lida com variáveis aparentemente antagônicas como arte, estratégia, criatividade, disciplina e diversidade", destaca.

Segundo ele, o fundador do circo, o canadense Guy Laliberté, é considerado um líder educador, um hábil e inteligente negociador que consegue imprimir seu estilo através do desenvolvimento dos colaboradores. Os estudos de Castro resultaram na criação de um treinamento diferenciado, que leva a mesma denominação do seu inspirador - Cirque du Soleil. Na prática, esse programa de T&D que toma como base as lições do circo canadense é adaptado para as necessidades específicas de cada empresa.

Durante um período que pode durar de 2h até 6h, é apresentado aos treinandos como as dimensões da dominância cerebral ajudam a criar e desenvolver a cultura do Cirque du Soleil, transformando essa organização de meio bilhão de dólares num dos estudos de casos mais interessantes e discutidos do mundo. O modelo da dominância cerebral é o resultado de várias pesquisas conduzidas por Ned Hermann, nos Estados Unidos, ao longo de 20 anos. É uma metáfora do cérebro e se trata de uma fusão das preferências de pensamento dos dois sistemas pensantes: o límbico e o neocórtex. Todo o lado esquerdo se relaciona com as habilidades racionais e o lado direito com as ligadas à emoção.

O treinamento é realizado de forma criativa, dinâmica e interativa, onde os treinandos têm participação efetiva. Os participantes realizam dinâmicas baseadas em alguns exercícios também realizados no Cirque du Soleil, mas de forma intelectual. "Ninguém é convidado a se exercitar num trapézio, não é por aí", ressalta Castro, ao acrescentar que através das dinâmicas e exercícios práticos são mostradas as diferenças entre atuação e comportamento. Isso permite que os participantes entendam, por exemplo, como a atuação por competências pode ser aplicada na prática.

Um exemplo das dinâmicas realizadas ocorre quando cada pessoa é convidada a responder um instrumento de diagnóstico que identifica qual o seu "quadrante preferido", ou seja, o que mais gera impacto no comportamento do dia-a-dia. Após essa etapa, Alfredo afirma que é explicado como cada profissional pode aprimorar seus comportamentos e, principalmente, sua percepção sobre os comportamentos dos demais, para se obter sucesso nos relacionamentos interdepartamentais e com os clientes. Esse trabalho já foi utilizado em organizações como AES, Bradesco, Banco Panamericano, Ford, entre outras.

"Durante o programa, mostramos a solução utilizada por um dos diretores do espetáculo do circo e que tem o objetivo de motivar os artistas. Contamos, ao longo do treinamento, que o artista do Cirque du Soleil recebe um ingresso bem no meio do público, para que ele possa ver o que os espectadores vêem todas as noites", exemplifica o consultor. Na maioria das vezes, o artista do circo senta ao lado de uma pessoa que está vendo o show pela primeira vez e entende porque ela está chorando no final da apresentação. Finalmente, surge para os artistas do circo um sentido para o trabalho que estão realizando, ou seja, o que os leva a suar e a treinar com tanto empenho. Isso permite que o profissional encontre uma razão do seu trabalho existir.

Essas mensagens são cuidadosamente repassadas ao longo do treinamento, sempre se criando metáforas entre o Cirque e a empresa. Logo, os treinandos passam a pensar como "darão ingressos" aos seus colaboradores, para que eles possam sentir o que os clientes sentem quando recebem produtos ou serviços da organização. Vale lembrar que esse treinamento pode ser realizado em hotéis ou salas ambientadas. O importante mesmo é o formato utilizado para impactar naquele público-alvo específico.

Quando questionado sobre as vantagens que o treinamento gera à área de Recursos Humanos, Alfredo Castro diz que essa metodologia gera um benefício subjetivo que é mostrar que todas as organizações, não importa o tamanho ou o segmento, podem aprender fatores como liderança, motivação e sucesso. A área de RH, defende ele, precisa ser mais estimuladora de novas abordagens e técnicas dentro das organizações. "Uma das lições mais marcantes do Cirque du Soleil é o trabalho em equipe, pois todos os artistas são atores principais em seus números, mas atuam como coadjuvantes importantes nos números dos colegas", conclui Castro.

Palavras-chave: | Cirque Du Soleil | circo | treinamento |

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