Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
Mas você pode estar questionando: o que tem isso a ver com o mundo corporativo? A resposta seria - a grande diversidade de pessoas que, através de uma perfeita sincronia, conseguem atingir seus objetivos e superar os desafios do dia-a-dia. Foi exatamente este motivo que despertou o interesse do consultor organizacional e diretor da MOT Consultoria, Alfredo Castro, e o faz estudar há mais de dois a relação entre o Cirque du Soleil e o dia-a-dia corporativo.
Tudo começou quando ele assistiu a um espetáculo apresentado em Orlando, nos Estados Unidos. Na ocasião, o consultor observou vários aspectos que chamaram a sua atenção, dentre eles: o exemplo de trabalho em equipe, o foco no espectador, a forma de recriar com extrema competência a arte do circo - uma das mais importantes tradicionais manifestações culturais do ser humano. "O Cirque du Soleil é uma das organizações mundiais que mais brilha e cresce no mundo e que lida com variáveis aparentemente antagônicas como arte, estratégia, criatividade, disciplina e diversidade", destaca.
Segundo ele, o fundador do circo, o canadense Guy Laliberté, é considerado um líder educador, um hábil e inteligente negociador que consegue imprimir seu estilo através do desenvolvimento dos colaboradores. Os estudos de Castro resultaram na criação de um treinamento diferenciado, que leva a mesma denominação do seu inspirador - Cirque du Soleil. Na prática, esse programa de T&D que toma como base as lições do circo canadense é adaptado para as necessidades específicas de cada empresa.
Durante um período que pode durar de 2h até 6h, é apresentado aos treinandos como as dimensões da dominância cerebral ajudam a criar e desenvolver a cultura do Cirque du Soleil, transformando essa organização de meio bilhão de dólares num dos estudos de casos mais interessantes e discutidos do mundo. O modelo da dominância cerebral é o resultado de várias pesquisas conduzidas por Ned Hermann, nos Estados Unidos, ao longo de 20 anos. É uma metáfora do cérebro e se trata de uma fusão das preferências de pensamento dos dois sistemas pensantes: o límbico e o neocórtex. Todo o lado esquerdo se relaciona com as habilidades racionais e o lado direito com as ligadas à emoção.
O treinamento é realizado de forma criativa, dinâmica e interativa, onde os treinandos têm participação efetiva. Os participantes realizam dinâmicas baseadas em alguns exercícios também realizados no Cirque du Soleil, mas de forma intelectual. "Ninguém é convidado a se exercitar num trapézio, não é por aí", ressalta Castro, ao acrescentar que através das dinâmicas e exercícios práticos são mostradas as diferenças entre atuação e comportamento. Isso permite que os participantes entendam, por exemplo, como a atuação por competências pode ser aplicada na prática.
Um exemplo das dinâmicas realizadas ocorre quando cada pessoa é convidada a responder um instrumento de diagnóstico que identifica qual o seu "quadrante preferido", ou seja, o que mais gera impacto no comportamento do dia-a-dia. Após essa etapa, Alfredo afirma que é explicado como cada profissional pode aprimorar seus comportamentos e, principalmente, sua percepção sobre os comportamentos dos demais, para se obter sucesso nos relacionamentos interdepartamentais e com os clientes. Esse trabalho já foi utilizado em organizações como AES, Bradesco, Banco Panamericano, Ford, entre outras.
"Durante o programa, mostramos a solução utilizada por um dos diretores do espetáculo do circo e que tem o objetivo de motivar os artistas. Contamos, ao longo do treinamento, que o artista do Cirque du Soleil recebe um ingresso bem no meio do público, para que ele possa ver o que os espectadores vêem todas as noites", exemplifica o consultor. Na maioria das vezes, o artista do circo senta ao lado de uma pessoa que está vendo o show pela primeira vez e entende porque ela está chorando no final da apresentação. Finalmente, surge para os artistas do circo um sentido para o trabalho que estão realizando, ou seja, o que os leva a suar e a treinar com tanto empenho. Isso permite que o profissional encontre uma razão do seu trabalho existir.
Essas mensagens são cuidadosamente repassadas ao longo do treinamento, sempre se criando metáforas entre o Cirque e a empresa. Logo, os treinandos passam a pensar como "darão ingressos" aos seus colaboradores, para que eles possam sentir o que os clientes sentem quando recebem produtos ou serviços da organização. Vale lembrar que esse treinamento pode ser realizado em hotéis ou salas ambientadas. O importante mesmo é o formato utilizado para impactar naquele público-alvo específico.
Quando questionado sobre as vantagens que o treinamento gera à área de Recursos Humanos, Alfredo Castro diz que essa metodologia gera um benefício subjetivo que é mostrar que todas as organizações, não importa o tamanho ou o segmento, podem aprender fatores como liderança, motivação e sucesso. A área de RH, defende ele, precisa ser mais estimuladora de novas abordagens e técnicas dentro das organizações. "Uma das lições mais marcantes do Cirque du Soleil é o trabalho em equipe, pois todos os artistas são atores principais em seus números, mas atuam como coadjuvantes importantes nos números dos colegas", conclui Castro.
Palavras-chave: | Cirque Du Soleil | circo | treinamento |
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