Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
A necessidade de estruturar o processo de Treinamento e Desenvolvimento da organização, definindo as políticas, as normas e os procedimentos para o seu funcionamento, o que permitiria a contribuição de maneira efetiva para a capacitação dos empregados e a melhoria da produtividade da empresa. Esse foi um dos principais objetivos que levou a Geosol a implantar a partir de setembro de 2008 um Plano Diretor de Treinamento, que passou a fazer parte do Planejamento Estratégico de Gestão de Pessoas.
Na prática, a implantação do Plano Diretor de Treinamento foi bem participativa. Primeiro se reuniram os integrantes da área de Desenvolvimento Humano e do Sistema Integrado de Gestão – SIG, para que fosse realizada a elaboração das políticas e dos procedimentos conforme as normas da ISO. Depois, ocorreu a fase da aprovação da diretoria da Geosol. Com o plano aprovado, realizou-se um treinamento com todos os gerentes da empresa e, por último, o plano foi posto em prática, sempre monitorando o processo conforme os parâmetros estabelecidos.
Fundada em 1953, em Criciúma, no Estado de Santa Catarina, sob a denominação de Geologia e Sondagens Ltda, a empresa realizou seus primeiros trabalhos em sondagens em minas de carvão mineral localizadas no sul do Brasil. Na década de 60, passou a ter atuação nacional, executando trabalhos de sondagens nos Estados de Pernambuco, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. A Geosol é uma empresa de sondagens para a pesquisa mineral que possui cerca de 1.500 profissionais de norte a sul do Brasil e também na África – Angola, Libéria e Guiné.. De 1988 a 1992, transfere-se para uma moderna sede própria em área de 25 mil metros quadrados em Belo Horizonte/MG. Nessa área, é montada toda a infra-estrutura de apoio, abrangendo: sede administrativa, oficina mecânica, fábrica de coroas, almoxarifados, pátios, estacionamento para 60 veículos, restaurante e laboratório para análises químicas.
De acordo com Júlio César Vasconcelos, gerente de Desenvolvimento Humano da Geosol Geologia e Sondagens Ltda., a dispersão geográfica da empresa dificultava a comunicação e a padronização dos processos. Dessa forma, a implantação do Plano Diretor de Treinamento teve que trabalhar bastante para superar este desafio logístico. Para isso, foi criado um trabalho de desenvolvimento de lideranças denominado “Programa de Desenvolvimento Gerencial – PDG”. Esta iniciativa envolveu todos os gerentes da empresa e investiu no aprimoramento dos aspectos gerenciais, tendo uma carga horária de 100 horas. Um dos módulos do PDG foi exclusivamente focado na capacitação dos gerentes para o monitoramento do plano.
“O Plano Diretor de Treinamento foi elaborado de maneira participativa, utilizando os recursos internos da organização e sem necessidade de uma consultoria externa. A Gerência de Desenvolvimento Humano adotou esta sistemática tendo em vista o aproveitamento das competências e potenciais internos e de implantar um plano com a cara da empresa”, explica Júlio Vasconcelos.
Como uma das políticas da Geosol preconiza a busca permanente da evolução tecnológica e o aprimoramento de seus profissionais, a proposta do Plano Diretor de Treinamento é consoante com esta filosofia de disseminar de maneira sistematizada o processo de treinamento e desenvolvimento na empresa, envolvendo de maneira concreta e direta os gerentes como co-responsáveis pelo desenvolvimento humano das equipes. Baseado nesta política, também foi criado um Programa de Desenvolvimento Organizacional, sob o enfoque de desenvolvimento de pessoas, criando uma visão sistêmica do negócio. Esse programa específico está voltado para seu público interno e externo, atingindo os vários níveis hierárquicos da empresa, conforme demonstrado no diagrama abaixo.
As fases do processo – A implantação do Plano Diretor de Treinamento da Geosol compreendeu as seguintes fases: descrição das competências necessárias por função para todos os cargos da empresa; elaboração do Mapa de Competências por função para todos os cargos da empresa; Levantamento de Necessidades de Treinamento - LNT através de entrevistas personalizadas com todos os gerentes; elaboração da Programação Anual de Treinamento - PAT, com base na Matriz de Competências e nas LNT’s, definindo os tipos de treinamentos solicitados, a carga horária, o público-alvo, a previsão de realização (cronograma), a entidade sugerida e a estimativa dos investimentos envolvidos; análise crítica da programação; aprovação da Programação pela Alta Direção e, por fim, a operacionalização e monitoramento do Plano Diretor de Treinamento.
Para se ter uma idéia mais real de como esse trabalho foi conduzido, Júlio Vasconcelos cita, por exemplo, que o Levantamento da Necessidades de Treinamento foi elaborado de maneira participativa, através de reuniões presenciais com os gerentes. Hoje, o LNT serve de base para elaboração da Programação Anual de Treinamento – PAT, que é realizado até o dia 30 de novembro de cada ano. “O processo de Avaliação de Desempenho está em desenvolvimento na empresa, a proposta é que futuramente ele venha também alimentar de maneira sistematizada a elaboração da Programação Anual de Treinamento”, afirma o gerente de Desenvolvimento Humano.
Mensuração de resultados – Como acontece em qualquer outro processo, as empresas precisam realizar uma mensuração de resultados. Para isso, a Geosol passou a trabalhar com os seguintes indicadores:
1 - Homem/hora de Treinamento - define o número de médio de horas de treinamento por empregado por ano;
2 - Controle de Freqüência - avalia o percentual de freqüência dos participantes no treinamento (relação convocados versus participantes);
3 - Avaliação de Reação – analisa o conteúdo programático, os recursos didáticos, a carga horária e as competências do instrutor;
4 - Avaliação de Eficácia - realizada após 90 dias, verificando junto aos clientes internos o grau de atingimento dos objetivos propostos, numa escala de 0 a 5 pontos, variando os conceitos de insuficiente a excelente;
5 - Controle de Custos - monitora o custo de todos os treinamentos da empresa, inclusive os indiretos.
Quando questionado sobre os benefícios que o Plano Diretor de Treinamento trouxe à organização, o gerente de Desenvolvimento Humano diz que esses são imensuráveis e estão relacionados à previsibilidade em termos de gestão, motivação, foco nas competências necessárias para o exercício da função, racionalização de custos, envolvimento e comprometimento por parte da alta direção e das gerências e principalmente aprimoramento contínuo da mão-de-obra, conforme política da empresa. Com isto a organização passa a contar com um time mais bem preparado e motivado, competitivo dentro da própria empresa e no mercado de trabalho.
Para ele, Treinamento e Desenvolvimento não é custo, é investimento. Além do mais é questão de sobrevivência para as empresas. As organizações que não se conscientizarem dessa premissa estão fadadas ao fracasso. A pergunta que deve ser feitas pelas companhias não é: “E se eu treinar e ele for embora?”, mas sim “E se eu não treinar e ele ficar?”. A resposta para a segunda opção pode levar a conseqüências desastrosas.
Por fim, Júlio Vasconcelos enfatiza que a Gerência de Desenvolvimento Humano da Geosol, através do seu Planejamento Estratégico de Gestão de Pessoas possui um sistema avançado de gestão. A missão da organização é promover o desenvolvimento do capital humano e a melhoria do ambiente de trabalho num clima de ética, respeito e comprometimento, contribuindo para a produtividade da organização. “A visão estabelece a necessidade de reconhecimento como referência em termos de Gestão com Pessoas junto aos stakcholders, conduzindo a Geosol a figurar até 2013 entre as 100 melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Os 55 anos de sucesso da organização e a crença na importância de seus profissionais já fazem parte da sua cultura e são os pilares que a levarão a certificar-se segundo este patamar”, conclui.
Palavras-chave: | Plano Diretor de Treinamento | Geosol | comprometimento | Júlio César Vasconcelos |



