Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
Seja qual for o ramo de atuação, a empresa tem que levar em consideração um fato que faz a diferença para os resultados e impacta diretamente no negócio: o colaborador é um cartão de visitas e referência da organização diante dos clientes e até da própria sociedade. Por isso, é tão relevante que o profissional sinta-se para integrante da equipe e entenda sua importância para companhia. Não importa a função que ele exerça, mas certamente sua contribuição - quando bem executada - torna-se um diferencial significativo.
Contudo, geralmente, convencer o funcionário sobre a importância do seu papel em um contexto amplo, não é tarefa fácil. Nesse momento, a atuação efetiva da área de Recursos Humanos - através da realização de treinamentos periódicos - é um ponto de referência que não deve ser, em momento algo, relegado a um segundo plano. Afinal, treinar pessoas com recursos eficazes se traduz no desenvolvimento efetivo dos colaboradores. A questão em si é como encontrar a ferramenta adequada para cada propósito?
No Restaurante Ráscal, por exemplo, um dos recursos utilizados pela área de RH no treinamento dos profissionais são as técnicas teatrais e a linguagem artística, onde são trabalhadas temáticas diretamente relacionadas à rotina corporativa, inclusiva às que se enquadram na área comportamental. A proposta é a de que a platéia formada pelos funcionários não seja passiva e a informação chega aos treinandos de forma leve, não maçante e fácil de ser absorvida. Nesses treinamentos, a preocupação é a de que os profissionais vivenciem situações que tragam à tona ensinamentos fundamentais à performance, inclusive no momento em que estão em contato direto com o cliente externo. Afinal, se o atendimento não atender às expectativas de quem frequenta a rede de restaurantes, a concorrência certamente agradecerá.
Inaugurado em 1994, o Ráscal atua no ramo de gastronomia. Com seis unidades em São Paulo e duas no Rio de Janeiro, o restaurante já mais de 130 mil atendimentos por mês. A organização conta com aproximadamente 800 profissionais, incluindo o operacional e a área administrativa. Vale destacar que todos os facilitadores envolvidos no treinamento são obrigatoriamente formados em marketing e em teatro. No planejamento, eles sempre tem o cuidado de adequar as aulas às necessidades da organização. Geralmente, no início do treinamento é feito um aquecimento corporal para que seja dado início às atividades e na sequência são aplicadas dinâmicas de grupo associadas à rotina dos profissionais. Alguns conceitos básicos sempre são enfatizados como, por exemplo, o atendimento direto ao cliente, a entonação da voz, a postura, o olhar e até mesmo o sorriso.

Por que o teatro? - De acordo com a Ademilde Fernandes, chefe do Departamento de T&D do Restaurante Ráscal, a iniciativa de realizar treinamentos fundamentados na dramaturgia surgiu a partir da necessidade da organização em melhorar o atendimento ao cliente externo, de criar uma recepção mais acolhedora, onde o funcionário pudesse interagir mais com o público, proporcionando um clima mais descontraído. "Tudo começou no Ráscal Higienópolis, em São Paulo, onde os próprios coordenadores de garçom tiveram o insight de utilizar essa ferramenta. Criaram uma peça na qual foi passada para a toda a rede Ráscal através de treinamentos", relembra, ao destacar que todos os profissionais da companhia participam dessas atividades.
Outro fato relevante dos resultados obtidos com a adoção do teatro como ferramenta de treinamento, é a visível mudança no ambiente de trabalho. Para Nabila Margarido, que também integra a equipe de T&D do Ráscal, o convívio com a dramaturgia o atendimento tornou-se mais descontraído e menos "robótico". Sobre a aceitação dos colaboradores em relação a esse tipo de treinamento, Nabila diz que a receptividade tem sido muito animadora, uma vez que a área de RH registrou que o método foi avaliado com 83% positiva. É bom destacar que os treinamentos com teatro acontecem na própria organização, sempre das 16h às 18h. Já para divulgar a realização das "aulas", a empresa recorre a canais como jornal interno, momento de integração, e-mails e distribuição do cronograma de T&D para cada unidade.
Quando indagada que conselhos daria para os profissionais de RH que desejam adotar o teatro como ferramenta de desenvolvimento, Nabila Margarido diz que quanto mais cedo começarem, mais rápido os resultados serão sentidos pelas companhias. "Os resultados são positivos logo nas primeiras aulas que, além do conteúdo divertido, são altamente construtivas, agregando valor à cadeia produtiva da empresa. Hoje, esse fator é um diferencial no mercado", conclui.
O que diz o funcionário - A proposta básica do treinamento associado ao teatro é proporcionar o aperfeiçoamento das qualidades de cada profissional, já que o trabalho desempenhado pelos funcionários tende a ser cada vez melhor e isso refletirá diretamente na satisfação dos clientes da rede de restaurante.
Por outro lado, os próprios colaboradores apontam os reflexos que ocorrem quando participam do treinamento em questão. "Estava tímido de falar na frente de todo mundo, dá vergonha. Mas foi bom para desinibir", conta Emerson Ferreira, atendente do Ráscal participante das aulas. Com isso, tanto a organização sente o impacto no negócio quanto o funcionário é beneficiado diretamente, já que as competências comportamentais são cada vez mais valorizadas no mercado.
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