Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
A constate necessidade de aprendizado levou o homem a evoluir da conhecida "idade da pedra" até a Era da Tecnologia na Informação. Durante esse período de desenvolvimento, o ser humano utilizou sua capacidade de relacionamento para disseminar e adquirir novas informações. Isso é facilmente perceptível em todas as fases da vida humana e começa muito cedo. Para se ter um exemplo por qual todos passam, basta apenas reportar o momento em que uma criança nasce. A partir do momento em que ela sai do ventre da sua mãe, para sua sobrevivência ela é levada a aprender a mamar.
O processo de aprendizado para o homem o acompanha ao longo da sua trajetória, não importa a sua cultura, sua nacionalidade e tampouco seu grau de instrução acadêmica. A palavra de ordem é: aprendizado contínuo. Nas organizações, o fato repete-se mesmo que as pessoas não percebam. Na Chemtech, por exemplo, empresa de consultoria e prestação de serviços em engenharia e TI, os próprios colaboradores inseriram no seu dia a dia a vontade de aprendizado, mas com uma peculiaridade: eles buscaram a orientação e se espelhavam em outros colegas de trabalho com mais experiência para aprimorar novas competências.
Esse fato foi considerado tão positivo que a área de Recursos Humanos valorizou a iniciativa dos funcionários e formalizou as ações, criando oficialmente em 2005 o Programa de Mentorado. Atualmente, a empresa conta com 50 mentores capacitados e mais de 400 mentorados em todos os escritórios. Essa prática estimulou uma integração ainda maior entre os funcionários e estimulou um acompanhamento personalizado do desenvolvimento profissional de cada colaborador, através da troca de experiência entre os mentores e mentorados.
Fundada em 1989 com capital 100% nacional, a Chemtech é uma empresa de consultoria e prestação de serviços em engenharia e TI e atua em diversos países como Alemanha, Estados Unidos, Rússia, Japão, Cingapura, Tailândia, Arábia Saudita, França, África do Sul, Canadá e Espanha. Em 2001, passou a fazer parte do Grupo Siemens, mantendo sua liderança, padrão mundial de qualidade, marketing share definido, linha de soluções e gestão independente. Com cerca de 1.300 funcionários, a Chemtech está presente nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
De acordo com Daniella Gallo, gerente de Recursos Humanos da Chemtech, um bom mentor deve ter competências necessárias como, por exemplo, capacidade profissional e espírito chemtecheano. "Um bom mentor deve ser um bom ouvinte e saber dar feedback de forma adequada e empática. Deve ter uma experiência relevante, ser um profissional competente e ético, bem como precisa compartilhar os valores da empresa, como integridade, comprometimento, confiança, qualidade, transparência, entusiasmo e cidadania", sintetiza.
Um fato relevante é que ao participam do curso de integração, realizado para ambientar os novos funcionários, os chemtecheanos recém-chegados recebem um guia do mentorado, com informações sobre o funcionamento do programa. A partir do momento em que o funcionário se sentir confortável na empresa e seguro para fazer a escolha, ele deve sugerir ao departamento de Recursos Humanos três profissionais. Porém, apenas um deles se tornará o seu mentor.
Os mentores - Uma característica do programa é que os próprios funcionários escolhem seus mentores. Contudo, a área de Recursos Humanos realiza uma validação preliminar, para saber se o funcionário escolhido está ou não alinhado com a política e os valores da empresa. Nesse momento, o colaborador é convidado para atuar como mentor e recebe do RH as orientações necessárias para exercer bem o seu papel.
Para que o profissional torne-se um mentor na Chemtech, é essencial que ele atenda a alguns requisitos. Por esse motivo, recomenda-se que: ele necessariamente seja um profissional da Chemtech; tenha no mínimo um ano de empresa; possua habilidade de relacionamento e ser alguém com quem o mentorado tenha proximidade para falar de assuntos pessoais. Inclusive, a gerente de RH destaque que a empresa orienta ainda que o mentor não seja o líder direto do mentorado, uma vez que esse fato pode gerar certa inibição do colaborador que busca orientação ao falar sobre determinados problemas relacionados ao trabalho.
Quando a escolha do mentor é concluída, são promovidos encontros periódicos e informais entre ele e o mentorado. Para que exista um acompanhamento da evolução do mentorado, o mentor realiza uma avaliação regular sobre o desempenho do profissional que ele orienta e relata à área de RH possíveis dúvidas e questões que julgar pertinentes, como a frequência dos encontros e o andamento do programa de forma geral.
"O mentor pode orientar o mentorado quanto a qualquer insatisfação com a empresa e poderá auxiliar a compreender e solucionar problemas, visando sempre o desenvolvimento de carreira do mentorado na Chemtech", ressalta Daniella Gallo, ao lembrar que a empresa acredita que através da relação mentor-mentorado são obtidos benefícios para ambos os profissionais. Ela argumenta que o mentorado recebe orientação e acompanhamento personalizado para o seu desenvolvimento profissional e de carreira na empresa.
Por outro lado, o mentor também ganha com esta relação, pois, além da satisfação pessoal de auxiliar outro colega de trabalho, ele tem uma grande oportunidade para desenvolver competências como empatia, liderança, habilidade de dar feedback e relacionamento interpessoal. "Esta é a mensagem que passamos e estamos certos de que seja o maior incentivo para a participação no programa, seja como mentorado ou como mentor", complementa.
Benefícios - Depois que o Programa de Mentorado foi instituído, a Chemtech observou que a iniciativa gerou benefícios. Dentre esses, destaca-se o fortalecimento da integração entre os colaboradores, através da orientação e da troca de experiências entre profissionais experientes com outros mais os mais jovens. Além disso, os mentores contribuem de forma efetiva para o planejamento de carreira dos seus mentorados e reforçam a cultura organizacional. Vale ressaltar, ainda, que o programa tornou-se uma ferramenta valiosa para a área de RH, pois permite o acompanhamento da carreira dos funcionários.
O que dizem os colaboradores - O funcionário Aldo Kenji Miyauchi assumiu o papel de ser mentor de cinco profissionais da Chemtech. Diante dessa responsabilidade, ele conta que os encontros com seus mentorados parecem bate-papos, o que caracteriza o ar de informalidade. Isso permite que ele oriente os novatos para que sintam mais segurança ao ingressarem na organização. E afirma: "A Chemtech é uma empresa de jovens. Às vezes, quando encontram problemas, eles precisam de suporte adicional. Acredito que a iniciativa é importante, pois mostra que existe ajuda e orientação e não só cobrança por resultados".

Miyauchi possui uma metodologia de sempre propor desafios aos talentos que chegam à empresa, a partir do momento em que quando percebe que eles estão entediados por realizarem atividades repetitivas. O resultado revela-se através de uma clara mudança, pois os funcionários apresentam sinais expressivos de motivação.
"Sou formado em engenharia e não em psicologia. Às vezes, sinto-me inseguro, sem saber se minhas dicas são as melhores. Não é somente o mentorado que aprende. A responsabilidade é grande, pois aquilo que eu falo impacta bastante no comportamento e na vida das outras pessoas. Procuro passar algumas dicas de postura comportamental, os desafios que o jovem encontrará na Chemtech e de que forma eles podem enfrentar seus problemas", reconhece.
* Daniella Gallo, gerente de Recursos Humanos da Chemtech, participará do 4º ConviRH, com a palestra "Programa de Desenvolvimento Interno". O evento, promovido pelo RH.com.br, acontece de 13 a 28 de maio e as inscrições já começaram. Para mais informações, clique aqui: www.convirh.com.br
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