Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
É incontestável que cada vez mais as pessoas se veem diante da necessidade de se adaptarem às tendências mundiais, afinal nos últimos dez anos o fenômeno da globalização interfere diretamente na vida pessoal e profissional de milhões de pessoas, em todos os continentes. Diante desse fato, nada mais comum do que procurar manter-se familiarizado com as inovações que essa realidade trouxe ao ser humano. Mas, também é notório, que nem todos têm a chance de estreitar relacionamento com um computador, por exemplo, porque não atuam diretamente com as inovações tecnológicas ou, então, a realidade financeira dificulta o acesso a cursos ou mesmo a aquisição de um micro para uso pessoal.
De acordo com estatísticas divulgadas no final de 2009 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de usuários de internet cresceu 75,3% no Brasil entre 2005 e 2008, e boa parte dos novos incluídos na rede pertencia à baixa renda. Apesar desse percentual animador, a desigualdade social e educacional, ainda prejudica a inclusão digital no país. Em 2008, quase 57 milhões de brasileiros, com dez ou mais anos de idade, acessavam a Web (34,8%), contra 31,9 milhões, registrados em 2005.
Na oportunidade, através do seu estudo, o IBGE informou ainda que ocorreu um aumento no acesso à internet tanto entre os homens - de 21,9% em 2005 para 35,8% em 2008 - como entre as mulheres - de 20,1% para 33,9%. As estatísticas IBGE revelam também que os jovens são a maioria dos usuários - o maior percentual foi constatado na faixa etária entre os 15 e os 17 anos (62,9%). Outro dado relevante é que o ranking da Internet World Statis coloca os brasileiros atrás de países da América do Sul como Argentina (48,9%), Chile (50,4%), Uruguai (38,3%) e Colômbia (45,3%).
Diante de fatores como os citados acima, em 2008, a Cia Hering resolveu não ficar apenas como "expectadora" e instituiu o "Programa Aprenda a Clicar" - iniciativa que além de realizar um trabalho de inclusão digital junto aos seus colaboradores, proporciona diretamente a integração entre o crescimento e a valorização pessoal do colaborador, bem como o desempenho e a possibilidade de crescimento no âmbito profissional. No início, o programa começou com apenas cinco turmas formadas por dez colaboradores. Atualmente, mais de 200 funcionários são beneficiados diretamente com a iniciativa.
A Cia.Hering foi criada há quase 130 anos por imigrantes alemães, que ao chegarem ao Brasil ajudaram a escrever um importante capítulo no desenvolvimento industrial do Vale do Itajaí e do Estado de Santa Catarina. Atualmente, a Cia. Hering é detentora das marcas: Hering, Hering Kids, PUC e dzarm.
Segundo Amélia Malheiros, gerente de Comunicação Corporativa da Cia Hering, o principal objetivo do "Programa Aprenda a Clicar" justamente possibilitar a inclusão digital dos colaboradores que, na maioria das vezes, não possuem acesso direto a novas tecnologias. "O programa é aberto a todos colaboradores da Cia. Hering. Entretanto, a maioria das turmas é formada pelos funcionários que fazem parte da base da fábrica", complementa.
Vale destacar que o "Programa Aprenda a Clicar" é realizado em parceria com o SESI. A estrutura das salas é constituída pela Cia. Hering e o curso é totalmente gratuito para os colaboradores que participam das aulas fora do seu horário de trabalho. O curso inicial é composto pelos programas de informática básica, incluindo a internet e possui carga horária de 30 horas. A duração das aulas é de duas horas, com dois encontros semanais na empresa. Com a conclusão dos módulos o colaborador recebe um diploma emitido pelo SESI certificando a sua participação e assiduidade no curso.
Participação dos colaboradores - A participação dos profissionais no programa tem início quando os canais de comunicação da Cia. Hering informam que as inscrições estão abertas. Após confirmarem suas participações no curso, a área de Recursos Humanos utiliza alguns critérios de análise como, por exemplo, o tempo de casa do colaborador, a assiduidade no trabalho e aprovação junto à liderança imediata do funcionário.

"O Serviço Social da Indústria - SESI - presta consultoria para a empresa e aplica regularmente uma avaliação de satisfação com todos os alunos que participam do programa. Outro mecanismo de avaliação são as urnas colocadas próximo às salas que recebem constantemente sugestões e informações dos participantes", afirma Amélia Malheiros, ao ser indagada sobre quais os mecanismos que a empresa utiliza para avaliar o "Programa Aprenda a Clicar". Inclusive, ela afirma que existe a adesão ao programa tem sido ótima, uma vez que anotamos a satisfação interna, principalmente através da alegria dos colaboradores durante a cerimônia de formatura para a entrega dos certificados.
Mudanças internas - Depois que o programa de inclusão digital da Cia. Hering foi instituído, a empresa constatou mudanças internas positivas. Dentre essas, ocorreu a formação de muitos profissionais que se tornam capacitados para o manejo de novas ferramentas tecnológicas. "Essa contribuição é nítida com a constante evolução de muitos maquinários que passam a utilizar a informática como princípio. Indiretamente, temos um colaborador satisfeito. Feliz ao aprender e conhecer um novo universo muitas vezes distante da sua realidade", menciona a gerente de Comunicação Corporativa da organização, ao destacar que o programa é coordenado internamente pela área de Recursos Humanos.
Para Amélia Malheiros, a proximidade com o colaborador é uma experiência fundamental nesse tipo de ação. E com esse tipo de relacionamento é criado um elo de confiança e de aprendizado com o funcionário. Isso, explica a gerente, pode ser sentido quando se chega aos colaboradores, para se falar sobre o "Aprenda a Clicar". Na opinião de Miquelina Oliveira Machado, colaboradora da Cia. Hering há 08 anos, o programa de inclusão digital só a tem beneficiado. "Tenho certeza que terei muitas oportunidades com a conclusão do curso", comemora.
Quem também se mostra animado em participar do programa é Luiz Gonzaga Back, colaborador que atua há 30 anos na empresa. "Só tenho a agradecer a Cia. Hering pela oportunidade, se eu soubesse que era tão bom apreender teria feito o curso antes. Hoje entendi que conhecimento não tem preço", declara.
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