Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
Se antes o homem considerava o distanciamento físico como um obstáculo para a troca de informações e, consequentemente, uma barreira ao aprendizado, hoje com a crescente evolução tecnológica, as fronteiras foram vencidas e pessoas que se encontram em qualquer dos cinco continentes, em questões de minutos, podem conversar e trocar experiências valiosas para as mais diversas finalidades. Nesse contexto, as organizações também se viram inseridas e o EaD (Ensino à Distância) é considerado uma ferramenta que traz benefícios significativos para os diversos segmentos corporativos.
Um caso que comprova a viabilidade do Ensino à Distância pode ser evidenciado na JFRJ - Justiça Federal da 1ª Instância do Rio de Janeiro, que em teve o seu primeiro treinamento realizado via e-learning em 2008. De acordo com Wanderley Lemgruber de Souza, responsável pela equipe de EaD, a implantação da capacitação através do EaD começou a ser intencionada a partir de 2006, quando a adoção de exigências normativas relativas à qualificação dos colaboradores e de um novo modelo de gestão para a Justiça Federal passaram a exigir atualização frequente dos conhecimentos dos seus servidores, para garantir o bom desempenho nos processos de trabalho e maior efetividade institucional.
Na ocasião, a análise do contexto que se configurou a partir desses fatos revelou um grande desafio a ser superado pela administração da JFRJ. Isso porque, se por um lado existia a obrigatoriedade de garantir o cumprimento das exigências legais e produtivas, por outro lado se constatou a realidade funcional desfavorável dos servidores da instituição, com cada vez mais restrições de tempo e de deslocamento para capacitação durante o horário de trabalho.
A partir disso, o diagnóstico feito aliado à previsão de que a situação tenderia a se intensificar nos próximos anos - devido ao esforço da JFRJ para aumentar sua efetividade, modernizando sua estrutura organizacional e se instalando em novas localidades do Estado do Rio de Janeiro - configuraram o grande desafio a ser superado pela Área de Capacitação e Desenvolvimento. Ou seja, era preciso capacitar, em igualdade de condições, todos seus servidores, com o mínimo deslocamento e a máxima adequação do tempo exigido pelo treinamento ao disponível pelo aluno. Constatou-se que a solução deste dilema dificilmente seria conseguida com a forma tradicionalmente adotada para a capacitação: os cursos presenciais.
"No início, nosso foco recaiu nos servidores lotados em unidades distantes da nossa sede, com o oferecimento das vagas remanescentes aos demais. Hoje, com o crescimento das ofertas de cursos e vagas, adotamos essa restrição apenas para cursos com vagas limitadas ou que tenham sido desenvolvidos especificamente para atender necessidades de capacitação de servidores das Subseções Judiciárias", explica Wanderley Lemgruber de Souza.
Coordenação do EaD - A coordenação é feita pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas da JFRJ, mas a forma encontrada para viabilizar a implantação foi adotar uma estrutura de equipe difusa. A chefia da equipe é exercida por Lemgruber, mas os trabalhos desenvolvidos precisam contar com profissionais da Subsecretaria de Informação e Documentação, área responsável pelo suporte técnico do Portal EaD da Justiça Federal da 1ª Instância do Rio de Janeiro. Para projetos específicos a instituição conta com a atuação de conteudistas que integram outras equipes.
Implantação do e-learning - No primeiro momento, a implantação do Ensino à Distância deu-se pela contratação de serviços externos na área de e-learning. Esta opção foi adotada como forma de contornar o fato da JFRJ não contar com profissionais EaD. Recentemente, com a qualificação de servidores, a instituição começou a oferecer os primeiros cursos desenvolvidos totalmente internamente. "Continuamos contratando serviços, mas esta não tem sido nossa única opção. As parcerias com outros órgãos do Poder Judiciário têm acontecido até hoje, principalmente para troca de conhecimentos sobre procedimentos operacionais e sobre as melhores práticas a serem adotadas, uma vez que temos realidades parecidas. Além disso, alguns dos nossos servidores foram qualificados para EaD em cursos oferecidos por outros órgãos", complementa Lemgruber.
Como ocorre na implantação de qualquer processo de trabalho, a Subsecretaria de Gestão de Pessoas orientou-se por princípios da administração, em geral. Devido à natureza do processo a ser implantado, a JFRJ recorreu a conhecimentos produzidos na área de gestão em EaD. Assim, estabeleceram-se as seguintes etapas: planejamento (análise do ambiente e definição de ações); execução, acompanhamento e avaliação dos resultados.
Já em como principais etapas operacionais da implantação, destacaram-se as seguintes:
1 - Identificação dos principais obstáculos e facilidades envolvidas no projeto, analisando documentos oficiais e realizando uma pesquisa com os servidores.
2 - Definição de diretrizes para a EaD na JFRJ, alinhando ao planejado para a Justiça Federal como um todo.
3 - Definição do modelo de EaD a ser adotado: a equipe responsável pela gestão, suporte técnico e pedagógico seria difusa. Cursos e serviços seriam contratados externamente e também desenvolvidos internamente. A programação reuniria cursos que adotassem a metodologia autoinstrucional e também a educação online (EOL), dependendo dos objetivos e da necessidade de cada um. Seriam estabelecidos os critérios básicos para o desenho didático das ações a serem desenvolvidas.
4 - Capacitação da equipe EaD.
5 - Execução dos cursos: contratação e oferecimento dos primeiros cursos, de empresas para criação de cursos sobre temas específicos e desenvolvimento interno de cursos.
6 - Avaliação dos resultados: durante a realização das primeiras turmas, para adoção de medidas corretivas e, após a realização das primeiras turmas, para fundamentar o planejamento do novo ciclo do processo.
Para assegurar o êxito das ações oferecidas através do Ensino à Distância, a Subsecretaria de Gestão de Pessoas da JFRJ elabora um planejamento anual de ações do e-learning a serem oferecidas, a partir das necessidades de treinamento identificadas e da capacidade que equipe de EaD tem para organizá-las. As ações EaD oferecidas podem ser de quatro tipos: adquiridas de empresas externas e mesmo que não pertençam à JFRJ são disponibilizadas no Portal EaD; desenvolvidas internamente; através da contratação de empresas EaD para desenvolverem ações, que passam a ser da JFRJ e oferecidas no Portal EaD da instituição; ou, ainda, via contratação de vagas em turmas externas que não são oferecidas pelo Portal EaD.
Conteúdos e diversidade - Os treinamentos via EaD oferecido pela JFRJ possuem temas diversificados como, por exemplo, língua portuguesa, desenvolvimento gerencial e sistemas específicos da Justiça Federal da 1ª Instância do Rio de Janeiro. Wanderley Lemgruber de Souza enfatiza que a receptividade dos servidores em relação ao e-learning superou as previsões iniciais da SGP. "As primeiras turmas tiveram suas vagas rapidamente preenchidas e tivemos até alguns problemas devido à frustração de interessados. Até hoje, os cursos são muito concorridos, despertando até o interesse de servidores de outros órgãos", enfatiza, ao acrescentar que para avaliar os resultados do EaD a instituição adota a mesma sistemática de capacitação presencial. Ou seja, através do monitoramento das turmas, acompanhamento dos fóruns, troca de emails e para complementar, ainda, ocorre uma avaliação de reação online.
Os benefícios - Ao ser indagado sobre os benefícios que o Ensino à Distância proporcionou à JFRJ, Wanderley Lemgruber de Souza diz a adoção do e-learning permitiu superar o desafio de oferecer oportunidades de capacitação e desenvolvimento de forma permanente e em igualdade de condições a todos os servidores, mesmo àqueles que trabalham em unidades distantes da sede.
"A flexibilidade oferecida pela EaD permite que os servidores adaptem ao seu tempo disponível e não o contrário, como no caso de cursos presenciais. Verificamos que muitos servidores que nunca haviam participado de ações presenciais estão participando assiduamente de turmas de cursos EaD. A economia e a otimização dos recursos disponíveis para capacitação também foram efeitos percebidos imediatamente", comemora. Por fim, ele assinala que o e-learning estimula o desenvolvimento de novas competências e dá autonomia aos servidores para controlarem a própria aprendizagem, representando uma estratégia coerente com o cenário atual do Poder Judiciário que exige colaboradores ativos na busca pelo conhecimento e comprometidos com os resultados pessoais e institucionais.
Palavras-chave: | Justiça Federal do Rio de Janeiro | Wanderley Lemgruber de Souza | aprendizagem | tecnologia |
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