O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Conheça os cursos online e os eventos virtuais do RH.com.br
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »






11/05/2007
RH » Blog Alberto Ruggiero Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

O estilo primordial do líder brasileiro é o paternalismo?

Por Alberto Ruggiero para o RH.com.br

Recentemente foi realizada uma pesquisa pela doutora Elizabeth Zamerul com 386 gestores da região sudeste e constatou-se que a maioria absoluta deles se percebe como racional, isto é, pouco emocional, no seu cotidiano. Outra pesquisa, também recente, de Motta e Caldas, realizada com 2500 dirigentes e gerentes de 520 empresas de grande e médio porte do sudeste e sul do Brasil, mostrou que o estilo brasileiro de liderar é o paternalismo.

Ainda neste estudo, os principais traços da administração brasileira, apontados por estes gestores, foram: 88% concentração de poder, 77% paternalismo; 76% dependência, 71% lealdade às pessoas; 69% impunidade, 67% postura de espectador etc.

Segundo o dicionário Aurélio: paternal é próprio de pai. O paternalismo ocorre quando uma pessoa decide por outra, colocando limites à autonomia individual daquela. Geralmente, o objetivo explícito é ajudá-la. A intenção é louvável, resta saber se esta ajuda é a mais adequada.

A nossa sociedade cultua, desde cedo, a realização e a felicidade através do prêmio sem esforço. É grande a audiência de programas que premiam pessoas pobres. Ganhar na loteria é o sonho da maioria das pessoas. Por outro lado, o trabalho é ensinado, em muitos lares, como um sacrifício ou a única saída digna para quem não teve sorte na vida, de nascer num lar rico, de se casar com um milionário ou de ganhar na loteria.

Num dia destes, a própria autora deste artigo organizava uma palestra com a profissional de uma grande empresa e ela contou que, nas palestras anteriores, por melhor que fosse o tema, a audiência só era expressiva quando havia sorteios ao final. Isto nos faz refletir.

Excesso de autoridade dissimulado – as empresas paternalistas complementam esta visão cultural e se tornam protetoras dos seus empregados, atuando com excesso de complacência com os seus erros, dando benefícios não merecidos e dando-lhes afeto, e em troca, cobram lealdade e respeito. Isto se encaixa no que Maria Tereza Fleury denomina mito da grande família, que revela as duas faces presentes nas relações de trabalho: a visível, de solidariedade, de cooperação; e a face oculta, da dominação e submissão. Isto confirma a outra versão do Aurélio, de que o paternalismo é a tendência a dissimular o excesso de autoridade sob a forma de proteção.

Por outro lado, por que os empregados aceitam isto? Sérgio Buarque de Holanda, contando sobre a origem da identidade brasileira, define o homem cordial como este ser que constrói suas relações sociais por meio dos motivos do coração, em detrimento dos da razão, ou seja, ele precisa "gostar" de alguém para se relacionar. Por isto, ele tem aversão às relações impessoais, movidas por interesses ou apenas ligadas a objetivos efêmeros, econômicos e políticos e requer relações duradouras, regidas pela fidelidade da palavra e pela segurança.

O autor ilustra com a relação senhor-escravo, onde, em caso de desobediência, o negro não era castigado por atrapalhar o processo produtivo (o que caracterizaria um princípio mais ligado à racionalidade marcante de uma economia voltada para princípios de mercado e lucro), mas por trair a confiança e o cuidado nele depositados pelo seu senhor.

Armadilha – o paternalismo se configura, então, como uma relação emocional, autoritária, hipnótica, que guarda uma armadilha ou um pacto oculto, o de privar o trabalhador de parte da própria autonomia, estimulando-o a permanecer na zona do conforto e emocionalmente dependente ou infantil, conformando-se com pouco reconhecimento, baixos salários, dedicando-se de forma desequilibrada, até desumana, em relação às outras áreas da vida, em nome da produtividade, e leva-o a se tornar institucionalizado, ou seja, muito inseguro e dependente da empresa.

Por outro lado , ele também se comporta como um filho mimado, que exige que a empresa cuide do seu futuro e reclama da empresa, até pelo que não fez por merecer. Nesta posição, ele não percebe necessidades de buscar melhorias e não assume a responsabilidade pela própria carreira.

Desta forma, como teremos empresas vencedoras e colaboradores fortes e protagonistas, que cuidam da sua própria história profissional e têm prazer em se dedicar ao trabalho, que contribuem com o melhor de si, para buscar realizações genuínas para todos? Se for isto o que buscamos, precisamos repensar nossos modelos de relações e criar condições que permitam o verdadeiro amadurecimento de todos. Neste contexto, um pouco mais de racionalidade não faria nada mal.

Fonte: Portal HSM on-line

Até a próxima!!!
  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (0)
Ainda não há conteúdo relacionado.

Ainda não há comentários.

Seja o primeiro, clique no ícone disponível logo acima e faça seus comentários.
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

Curso Online do RH.com.br

Curso Online do RH.com.br



PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.