Por ABRH Nacional para o RH.com.br 

Os jovens que estão chegando ao mercado de trabalho e cresceram jogando vídeo games desenvolveram habilidades importantes para as empresas como foco na resolução de problemas e facilidade de compartilhamento de informações. Mas, segundo Andréa Huggard-Caine, consultora em gestão de pessoas e palestrante do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas - CONARH 2009 -, essa juventude necessita de uma razão clara para trabalhar e traz como aspecto negativo um certo perfil "game over", ou seja, a capacidade de sacrificar as conquistas com facilidade por acreditar que sempre é possível recomeçar de um modo melhor.
"É comum observarmos jovens da geração vídeo game lidando mal com a frustração e cedendo facilmente à prática do "game over", ou seja, desistir de tudo para recomeçar novamente em algum outro lugar ou momento. Isso gera muitos complicadores para as empresas, onde nem sempre é possível mudar as coisas com a rapidez que essa geração gostaria", explica Huggard-Caine, que vai debater a necessidade de transformação das áreas de RH para fazer frente aos desafios da modernidade.
Para a consultora, uma das poucas profissionais no Brasil certificada pelo Human Resource Certification Institute (HRCI), outra característica dessa geração, que muitos já chamam de "geração game over", é o fato de que ela troca informações com muita facilidade, o que pode levar, em algumas situações, ao vazamento de informação confidencial das empresas. Por um lado, cada vez mais as empresas trabalham em um ambiente aberto de informações e para isto é preciso comunicar constantemente aos seus empregados o que é informação pública e o que é informação protegida. As empresas não devem assumir que todos conhecem esta diferença ou que basta falar sobre isto apenas no momento de integrar o empregado. Este deve ser um fórum contínuo de discussão.
Mudanças no RH - Segundo Huggard-Caine, a chegada da "geração game over" ao trabalho é um fator de agitação organizacional e exige que as áreas de Recursos Humanos estejam mais bem preparadas para lidar com esse novo tipo de profissional.
"Uma dessas mudanças diz respeito às lideranças, que precisam mudar radicalmente de atitude. Se os chefes do passado determinavam como as coisas deveriam ser feitas, inibindo a vontade própria das pessoas, os novos líderes devem atuar mais como solucionadores de problemas, tirando do caminho aquelas coisas que impedem que as pessoas trabalhem, cresçam e se desenvolvam. Esta nova forma de encarar a liderança é algo que as áreas de RH precisam aprender a construir", enfatiza.
"Esta geração também precisa de contexto para se motivar a trabalhar. Assim como nos vídeos games eles vivenciam uma história, eles precisam de que as coisas no trabalho sejam contextualizadas, explicadas e não simplesmente impostas. Eles precisam entender as razões pelas quais estão fazendo isto ou aquilo, assim como as razões pelas quais não podem fazer outras coisas. Sem contexto específico o trabalho não sai", assinala Andrea Huggard-Caine.
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