Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
Quase 800 mil postos de trabalho, com carteira assinada, foram fechados no período compreendido entre os meses de novembro de 2008 a janeiro deste ano. A péssima notícia tanto para as organizações quanto para os trabalhadores brasileiros foi dada ontem, 19/02, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Os primeiros sinais negativos foram percebidos já em novembro, quando quase 41 mil vagas formais deixaram de existir. Na sequência, os números de dezembro revelaram que mais de 654 mil pessoas perderam seus empregos (pior resultado de toda a história). Em janeiro desse ano, o Ministério do Trabalho e Emprego revelou que a situação continuava preocupante, pois mais de 100 mil vagas foram extintas.
Otimismo - De acordo com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a expectativa das autoridades governamentais é de que em março, o mercado apresente sinais de recuperação. Será que existe coincidência entre a realidade nacional e o agravamento da crise financeira internacional, evidenciada desde setembro de 2008 - quando ocorreu o anúncio de concordata do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers?
No que confere aos especialistas econômicos, o fato revela que o mercado nacional teve forte impacto com a queda do nível de atividades na indústria no último trimestre. Vale destacar que não apenas o Brasil, mas também outros países tiveram suas economias abaladas como, por exemplo, Alemanha, Japão e até mesmo a União Européia.
Reação brasileira - Apesar dos dados negativos sobre o fechamento de vagas de trabalho no mercado nacional, oito Estados brasileiros mostram sinais de reação à crise já a partir do primeiro mês de 2009, com destaque para as organizações que atuam em agropecuária e serviços. A reação está presente nos Estados das regiões Sul e do Centro-Oeste, Roraima e Rondônia.
No Centro-Oeste, o Mato Grosso gerou 3.324 postos de trabalho em janeiro; o Mato Grosso do Sul; 2.102; e Goiás, 1.835. No Sul, Santa Catarina criou 6.407 vagas, contra 2.798 no Rio Grande do Sul e 1.592 no Paraná. Rondônia surgiu com 1.060 oportunidades, destacando-se a construção civil (748), enquanto Roraima empregou 106 pessoas.
No Estado do Mato Grosso, a agropecuária é considerada responsável pela criação de 3.262 postos. O Mato Grosso Sul respondeu por 687 contratações, ficando atrás apenas da indústria de transformação (1.524). Em Goiás, o setor gerou 982, atrás apenas dos serviços (1.403).
Para os gaúchos, a atividade agropecuária tornou-se responsável pelo surgimento de 3.198 empregos, contra 3.469 no setor de serviços. O Rio Grande do Sul minimizou o fechamento de 4.028 vagas na indústria de transformação e de 926 no comércio. Em Santa Catarina, o setor agropecuário promoveu a geração de 4.199 empregos, seguido pelos serviços (3.837) e construção civil (2.095). Apenas o Paraná apresentou fechamento de vagas na atividade agropecuária - 945. Mas os serviços criaram 2.020 empregos e a construção civil, 1.631 vagas.
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