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14/04/2003
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Festas em empresas: momentos de descontração ou de "pressão"?

Demétrio Luiz Pedro Bom Júnior

Prezados leitores,

Este artigo procura mostrar situações que podem ocorrer nos momentos festivos das empresas. Na verdade, procuro trazer experiências vividas na prática por minha pessoa e por colegas.
É sabido que muitas empresas promovem atividades extra-jornada como forma de integração entre seus funcionários e colaboradores: churrascos, futebol, "amigo secreto", aniversários, etc.
Essas atividades, com certeza, ajudam numa melhor harmonização e integração dos membros de uma organização; porém, devem ser bem direcionadas e divulgadas, para evitar a imagem "chata" da obrigatoriedade da presença num destes eventos.

Primeiro, deve-se evitar o excesso de festividades. Há empresas que realizam, por exemplo, churrascos uma vez por semana; isso acaba "cansando" as pessoas. Realizar churrascos, festinhas, entre outros é muito bom, mas tudo em excesso acaba esgotando a imagem de alegria e descontração.

Segundo, deve-se ter o cuidado de evitar que as festas ou eventos da empresa tornem-se "obrigatórios". Isso pode acontecer de duas formas. A primeira é através de métodos formais, onde realmente pessoas de níveis gerenciais praticamente obrigam seus subordinados a irem à festividade. Muitas vezes isso é realmente preciso, dependendo do evento; porém, há formas mais brandas de se fazer isso, como convites sutis, mostrar a importância da pessoa no evento, explicar o que vai acontecer, ser transparente e educado é muito propício para motivar a ida da pessoa ao evento.

A outra maneira é a informal. As famosas "pressões" e "cobranças" que os colegas nos fazem para ir num evento ou quando nós nos ausentamos deste. Pode-se até fazer uma ligação entre essas cobranças, principalmente se vindas dos superiores, com o chamado "Assédio Moral" no trabalho; principalmente no dia seguinte ao evento, quando a pessoa ausente é cobrada e até obrigada a dar explicações do motivo da sua ausência; e depois, há uma cobrança maior para a sua ida no próximo evento, e ainda, há as brincadeiras que podem ocorrer por causa dessa ausência. Resultado: a pessoa vai mais para evitar estes constrangimentos do que para participar efetivamente da festa.

Pode-se ainda ressaltar casos de jogos de futebol ou outros que acabam mais em confusão, do que em confraternização. Todo jogo tem disputa, e se esta não for bem direcionada, acaba mesmo em confusão, brigas, desavenças, etc. Excesso de jogos, ênfase do "ganha-perde", não resolução de conflitos, entre outros podem gerar inimizades, desmotivação, diminuição do desempenho individual e grupal, etc.

Hoje existem inúmeras formas de se tornar as festas e atividades empresariais algo agradável, podendo envolver amigos e familiares, com resultados positivos na produtividade da própria empresa. Jogos cooperativos focados no "ganha-ganha" (onde ambos os lados ganham, como por exemplo: amizades, descontração, aprendizado, experiência, saber perder, respeito, valores da empresa, etc.), administração de conflitos eficaz, menor quantidade de festas ou menos pressão sobre a pessoa, uma melhor comunicação e transparência sobre os eventos, entre outros, ajudam a tornar o ambiente organizacional mais agradável e as festas realmente mais "divertidas".
Reflitamos sobre isso...

Palavras-chave: | integração | assédio moral |

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