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17/11/2003
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Desenvolvendo talentos humanos: o indivíduo e a organização

Por Juan Carlos Lara Cañizares para o RH.com.br

Na arte de inovar conceitos na gestão de pessoas, de criar sistemas que estimulem as aptidões e as habilidades das pessoas é um dos principais desafios das organizações para obterem um eficiente diferencial competitivo. Nesse contexto, desenvolver talentos humanos significa ter conhecimento dos elementos que fazem com que as pessoas e as equipes de trabalho consigam ser altamente produtivas dentro de um ambiente sadio.

O estudo do comportamento do individuo e da dinâmica empresarial é um dos princípios da gestão de desenvolvimento de talentos humanos. Esse princípio aborda o conhecimento da diversidade e a contribuição dos funcionários como alicerces essenciais para cultivar um espírito de melhoria continuada, em relação a desafios e ao desempenho.

A diversidade, as diferenças individuais e a contribuição dos funcionários são temas amplamente discutidos em ambientes organizacionais e acadêmicos; porém, cabe salientar que a importância desses temas, muitas vezes, passa desapercebida no planejamento de programas de melhoria continuada.

Na relação indivíduo-organização existem elementos conflitantes que produzem inadequações na organização funcional do trabalho e, conseqüentemente, criam ambientes desfavoráveis para o desempenho. A identidade de um individuo caracteriza-se, principalmente, por um conjunto de valores adquiridos no decorrer da sua existência. Entretanto, a organização funciona na base de princípios, valores e políticas que definem o seu papel no mercado de participação.

Valores como a responsabilidade, a ética profissional e o respeito poderiam ser causas de conflitos entre os indivíduos e a organização ou poderiam ser os alicerces de uma relação harmoniosa das equipes que integram a organização. Essa situação depende do nível de maturidade com que são administradas as diferenças e as diversidades do indivíduo no ambiente de trabalho e da disposição estratégica com que são definidas as contribuições dos funcionários.

Na riqueza das diferenças e das diversidades, encontram-se os fundamentos do trabalho em equipe e do pensamento criativo, os quais garantem a qualidade do desempenho. Portanto, quanto maior for o conhecimento e a administração estratégica das diferenças e diversidades individuais, maior será a qualidade na contribuição dos funcionários, em termos de competências e de comprometimento com a organização.

Mas, será que a administração da contribuição dos funcionários, sob a perspectiva das diferenças e das diversidade dos indivíduos, é uma alternativa estratégica na gestão de pessoas?

Um dos principais fatores conflitantes na relação indivíduo-organização são as expressões emocionais resultantes do sentimento de frustração. Esse sentimento pode ter diversas origens, mas, no ambiente organizacional, ele se produz no relacionamento interpessoal e nas dificuldades das pessoas em atingirem os seus objetivos pessoais e profissionais.

Em uma situação de frustração (conflitos interpessoais), a diversidade e as diferenças individuais fazem com que o ambiente do trabalho torne-se um foco de insatisfação. Nesse contexto, as relações interpessoais poderiam apresentar manifestações comportamentais nocivas para organização, como: inveja, distorções na comunicação, medo, boicote e assim por diante.

Uma visão estratégica na mediação de situações de conflito poderia minimizar as conseqüências organizacionais da frustração no ambiente de trabalho. O desafio está em saber lidar com as causas que geram insatisfações, no momento em que se apresentam divergências entre funcionários ou entre eles e a organização - neste ponto cabe valorizar as competências dos funcionários, para resgatar pontos positivos dos conflitos e fortalecer o espírito de equipe.

Embora conhecer o amplo leque das diversidades e das diferenças individuais seja uma tarefa difícil de ser feita, algumas propostas de gestão podem contribuir para o entendimento do comportamento do indivíduo no ambiente de trabalho e para o estabelecimento de normas que afiancem uma relação harmoniosa entre o indivíduo e a organização. Essas propostas podem se resumir na criação de espaços para a individualidade e o estímulo à prática do comportamento ético.

Criação de espaços para individualidade

Não é por acaso que as empresas altamente competitivas preocupam-se em ter ambientes de trabalho que estimulem as pessoas a interagir entre elas e com a organização. Conseguir um bom nível de entendimento requer de um processo planejado de partilha de conhecimentos e informações, assim como de criar espaços projetados para resgatar a contribuição dos funcionários em tópicos de interesse coletivo.

Um clássico exemplo da preocupação de ter espaços para a individualidade, é a criação dos grupos de discussões. Nesses encontros, profissionais, das diferentes áreas da empresa, reúnem-se para discutir tópicos gerais do cotidiano, mas de um jeito informal: uma pessoa do grupo fica encarregada de preparar um tema, expor fatos de interesse ao grupo e monitorar o debate. Essa atividade favorece o aproveitamento das contribuições dos funcionários e permitem conhecer quais as diferenças e diversidades das pessoas que fazem parte da organização.

Nas relações indivíduo-organização é necessário que se estabeleça uma linguagem adequada na comunicação daquilo que se espera dos funcionários e das condições e ferramentas para atingir um desempenho; esta situação pode ser obtida mediante a busca de um comportamento ético que garanta um ambiente sadio de trabalho.

Estímulo à prática do comportamento ético

Um requisito indispensável para as organizações serem altamente competitivas é ter uma estrutura estratégica diferenciada em relação aos seus concorrentes. Essa formatação estratégica da estrutura é operacionalizada na linguagem expressada na definição dos princípios e dos valores da organização e nas práticas dos processos e procedimentos de trabalho.

O comportamento ético deve ser decorrente daquilo que está definido nesses princípios e valores organizacionais, a sua linguagem e propósito devem ser claros e, sobretudo, confiáveis no sentido de representar aquilo que realmente acontece nas relações indivíduo-organização.

Para estimularmos formas de comportamento ético, devemos identificar quais as situações divergentes entre aquilo que é pregado pela organização e as manifestações culturais expressadas no clima organizacional, por exemplo: na comunicação, nas relações interpessoais, no trabalho em equipe, na administração de conflitos e assim por diante.

A melhor forma de estimular um comportamento ético é incorporar, em todos os níveis hierárquicos, atitudes de respeito à individualidade e à preocupação pelo ambiente de trabalho. O comportamento ético é um ganho que as organizações adquirem quando os funcionários percebem que a organização preocupa-se com o seu bem-estar. Em retribuição, eles direcionam suas competências para atingir um bom desempenho naquilo que a organização espera deles.

Ambientes de trabalho poluídos por focos de insatisfação permitem que a frustração tome conta do desempenho e da motivação dos funcionários. Porém, uma gestão de desenvolvimento de talentos, que leve em consideração o comportamento humano e organizacional, pode reverter essa situação. Os princípios citados são formas de: encorajar desafios a serem assumidos pelos funcionários, minimizar fatores de insatisfação e alinhar as competências das pessoas à busca da eficiência organizacional.

A base para a gestão de desenvolvimento de talentos humanos é analisar fatores que geram conflito e procurar estabelecer mecanismos para evitar que o sentimento de frustração tome conta das atitudes das pessoas. Nesse nível de gestão, projetar espaços para estimular a superação das divergências e instituir normas éticas no comportamento é fundamental para trazer à tona o melhor que os seres humanos temos, a capacidade de sermos talentosos.

 

Palavras-chave: | talento | grupo | diversidade |

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COMENTÁRIOS (2)
MARIA EVA em 21/06/2011:
Estou no primeiro semestre do curso superior em RH, e acho de grande valia a colaboração de pessoas cultas como você para o engrandecimento de nossos estudos. EXCELENTE. Gostaria de adquirir e-mails sobre assunto p/aprimorar meus estudos de RH.

ROSELY APARECIDA FIGUEIRA em 03/05/2009:
Estou no último semestre do curso superior em RH, e acho de extrema importância a colaboração de pessoas cultas como você para enriquecer nosso conhecimento e dar respaldo em nossos trabalhos, achei sua matéria muito boa, e me foi bastante proveitosa. Parabéns! Gostaria de receber emails sobre o mundo maravilhoso de Rh, se possível.

 
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