Por Edson Lobo para o RH.com.br 
Inegavelmente, a empatia seria a base positiva que tornaria a compreensão, a generosidade, o comprometimento, itens importantíssimos para manter a máquina azeitada e fazer o trabalho no dia-a-dia sem qualquer problema.
No entanto, pessoas com culturas diferentes, formações diferentes, estilos de vida diferentes, pensamentos, idades, interesses pessoais e objetivos nem sempre tão claros, isso e muito mais, numa única empresa, fazem o caldeirão ferver e provocam os conflitos habituais, nem sempre tão visíveis aos olhos de quem comanda.
Se uma pessoa "vai com a cara" da outra, logo passa a aceitar sugestões, topa encarar junto as decisões, empenha-se em manter "o grupo unido", enfim, age positivamente. Mas, caso haja alguma contrariedade, passa a tratá-lo como o "inimigo", deixa de estar do lado "do bem" para entrar no lado "mau".
Sabemos que nas grandes empresas, os gestores de Recursos Humanos desenvolvem grandes trabalhos de entrosamento, espírito de equipe, treinamentos que buscam, de certa forma, uma equivalência de atitudes, lideranças e participações, sempre com a finalidade de fazer as pessoas passarem a compreender e aceitar umas às outras.
O dia-a-dia, num país como o Brasil atual, passando por dificuldades de mercado, empresas "enxutas", necessidade de desenvolvimento pessoal acima da média, estresse diário que envolve burocracia, responsabilidades ampliadas, informação gerencial falha, equipamentos nem sempre estáveis (ah, a informática!!), tudo isso e muito mais fazem as pessoas não terem muito tempo para pensar com serenidade e agir com objetividade, sem magoas. Junte-se a isso também o quadro doméstico agravado (ah, as despesas, como subiram!!) que, muitas vezes, acaba refletindo nas atitudes dos colaboradores, dentro das empresas.
No jargão futebolístico, sempre ouvi dizer que bola dividida não faz gol e ainda pode tomar um. Mas, não é só para o futebol que isso vale. Nas empresas também é comum ouvir que uma a pessoa não fez algo, porque achou que o outro iria fazer. Ou alguém deixar de fazer algo, porque sabe que irá comprometer outro alguém de quem não gosta e está louco para tirá-lo do caminho. Muitas vezes, o prejuízo para a empresa é significativo por causa de uma simples omissão.
Não pretendo qualquer ingerência, mas entendo a posição do profissional de Recursos Humanos ao criar os programas de integração nas empresas e coloco alguns ingredientes com os quais o RH tem que trabalhar diariamente:
* salários defasados em relação à realidade brasileira;
* uma descrição de cargo deve ser algo tremendamente difícil de se fazer, pois hoje todos têm que fazer de tudo no departamento onde trabalham;
* estresse normal do dia-a-dia agravado por uma dose de frustração também na vida pessoal;
* falta de ilusão em relação ao futuro;
* um endurecimento nos sentimentos mais normais como amizade, humildade, compreensão, benevolência, parceria, cumplicidade etc;
* falta de clareza nas empresas quanto a projetos, planos etc;
* falta concreta de um plano de carreira para cada funcionário;
* ansiedade pessoal e consumismo exacerbado.
Podemos ver que o comportamento das pessoas vem mudando a cada dia e só existe interesse de relacionamento se é com um amigo, pessoa da família ou talvez um conhecido. Nesses casos, há a empatia e daí existem sempre a preocupação, a atitude positiva.
Até os consultores são atingidos quando são contratados para determinado trabalho e óbvio, aparentemente gera a dúvida se o trabalho não irá afetar este ou aquele parceiro. Mas, servem também para ouvir sempre alguma informação a respeito deste ou daquele funcionário que está em desacordo com a "lei vigente".
Sei que é imensamente difícil para os profissionais de Recursos Humanos criarem uma mentalidade linear, onde o trabalho pode ser feito com entusiasmo, dedicação e companheirismo. Presidentes, diretores, gerentes, supervisores também se encaixam, certas horas, nessa guerra surda e ficamos em campo com diversos exércitos, cujo objetivo difere do companheiro ao lado.
Recomendaria uma reflexão às pessoas que estão nas empresas para que avaliem muito bem seus comportamentos, o modo de pensar e a vontade de crescer profissionalmente. Avaliem se estão na profissão que realmente querem seguir, respeitem as diferenças, os estilos, baixem um pouco a ansiedade e controlem mais as emoções, para que realizem um trabalho de categoria superior.
Trabalhar no que gosta, fazer com profissionalismo e objetividade, sem ficar atacando este ou aquele companheiro, sem dúvida aumentará a qualidade e conseqüentemente, gerará o destaque e possibilitará a ascensão tão esperada por todos.
Se for guerra, então que vença o melhor (em Qualidade e Resultado, claro!).
Palavras-chave: | grupos | integração |



