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29/08/2005
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Sucesso e conflito no mundo do trabalho

Por José Diney para o RH.com.br

O que determina o sucesso? A obtenção do sucesso depende do uso inteligente dos talentos, boa formação profissional, esforço individual, dedicação e foco em resultados. Além disso, o sucesso também resulta do modo como nos relacionamos com as pessoas, como lidamos com os eventos e como construímos nossa rede de relacionamentos pessoais e profissionais.

As pessoas costumam agrupar-se em função de algum interesse comum ou em razão da coincidência de valores e modos de pensar. Entretanto, mesmo quando ocorre essa identidade, não há como evitar conflitos, pela simples razão de que a competição está no cerne da condição humana, notadamente em uma sociedade onde a diferenciação entre as pessoas é naturalmente cultivada e estimulada.

O modo como costumamos lidar com o conflito determina a forma como nos comportamos. Para algumas pessoas o conflito chega a ser um estímulo ao cumprimento de metas que podem levar ao sucesso. Mas para outras, o conflito representa uma barreira quase intransponível.

O caminho do sucesso está repleto de conflitos e divergências de opinião, coisas que costumam inflar o ego e provocar incompreensões de todo tipo. As divergências e o conflito não são um mal em si, pois o importante é saber lidar com a diversidade e com a adversidade. É aí que entra o autoconhecimento, como forma de promover o equilíbrio entre aquilo que desejamos das pessoas e do mundo, e o que traduz a nossa verdadeira essência interior.

Quando lidamos com o conflito de modo consciente, somos capazes de transmutá-lo em estímulo e sabedoria. Mas quando o usamos para tirar vantagens pessoais em detrimento do outro, destruímos nossa capacidade de trabalhar em equipe, qualidade vital nos dias de hoje.

A solução de conflitos no ambiente de trabalho passa pela compreensão de que as pessoas vêm de realidades distintas e de processos educacionais desnivelados. Além é claro dos aspectos emocionais, culturais e psicológicos que compõem a personalidade de cada um de nós.

Chamo a atenção do leitor para a importância do aspecto cultural nas relações de trabalho. O INSEAD (European Institute of Business Administration), instituto suíço especializado na formação de executivos, publicou recente pesquisa que demonstra como a questão cultural influencia a forma como as pessoas lidam com o conflito. Entre 2002 e 2004, o pesquisador André Laurent entrevistou cerca de 2500 executivos na Europa e nos Estados Unidos, concluindo que apenas 6% destes profissionais americanos consideram o conflito como um problema a ser resolvido. Ou seja, há uma certa homogeneização no comportamento dentro das empresas americanas. Na Suécia, o percentual cai para 4%, mas aumenta para 13% no Reino Unido e 16% na Alemanha.

Curiosamente no Brasil, esse quadro é absolutamente diferente. Segundo a Fundação Dom Cabral, instituição brasileira que atua em consultoria empresarial de alto nível, o índice de preocupação dos executivos com o conflito no ambiente de trabalho chega a 50%, o que parece demonstrar que nossa cultura empresarial "privilegia" as situações conflitantes no dia-a-dia das relações profissionais.

Esses dados refletem a diferença entre culturas empresariais de outros países e a realidade do mundo dos negócios no Brasil. Creio que isso serve de alerta, pois nem sempre o que vale lá fora se aplica à nossa realidade tupiniquim. Os modismos que surgem a todo instante na área de gestão de negócios e gestão de pessoas precisam ser considerados à luz de uma leitura crítica, para não confundirmos alhos com bugalhos.

A existência de conflitos nas relações de trocas profissionais é algo absolutamente normal, porém precisamos estar atentos às suas verdadeiras causas. A experiência demonstra que na maioria das vezes esses conflitos resultam das disputas entre egos exacerbados, e não de disputas saudáveis entre competências. Quando o sucesso é obtido por meio de lutas de vida ou morte entre egos exacerbados, ele se transforma em conquistas efêmeras que não se sustentam no tempo. Entretanto, quando obtido por meio de disputas entre competências, resulta em conquistas perenes que se renovam e se recriam ao longo do tempo.

O profissional consciente sabe disso. E se não sabe precisa dar início ao processo de autoconhecimento que o fará refletir sobre essa verdade. Sucesso e conflito são faces de uma mesma moeda. A moeda das tocas construtivas.

Palavras-chave: | conflito | grupo | sucesso |

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