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11/08/2008
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O algoz no rastro da competência!

Por Eugênio Maria Gomes para o RH.com.br

Já tivemos a oportunidade de falar sobre a competência em outros artigos aqui publicados. Nestes, ratificamos a definição mais usual para o termo, qual seja, o agrupamento de algumas características, tais como a ATITUDE, relacionada ao querer, a HABILIDADE, relacionada ao poder e o CONHECIMENTO, relacionado ao saber fazer determinada atividade.

Tanto o desenvolvimento de competências duradouras, quanto a manutenção destas competências nas organizações têm se tornado um grande desafio para os gestores nas mais diferentes áreas do conhecimento, exigindo um posicionamento organizacional bem firme, em relação ao assunto.

Depois de muitos anos atuando na administração empresarial, participando da cultura organizacional das mais diversificadas empresas, quer como partícipe do quadro de pessoal quer como consultor e, também, depois de vários anos atuando como professor, socializando conhecimentos com os meus alunos em diversos cursos de graduação e pós-graduação, ouvi de um deles um comentário que antes já tinha ouvido também de um colaborador: “estou achando que ser competente não é muito bom não, pois sempre tenho alguém no meu pé, falando de mim ou atrapalhando o meu trabalho...”.

Bom, desta vez o comentário chamou-me a atenção, principalmente por tratar-se de um aluno do curso de administração que, naquele momento em que discutíamos questões ligadas à competência, apresentou uma questão vivenciada em sua rotina de trabalho, enriquecendo nosso momento de socialização do conhecimento, com uma questão prática e que, aparentemente, contrapunha-se, de alguma forma, ao que recomendava a teoria.

Resolvi, a partir deste comentário, fazer uma pesquisa simples, com algumas pessoas mais próximas, atuantes nas mais diversas atividades e organizações. Iniciei-a ali mesmo, na sala de aula, com alguns alunos que conjugavam os estudos com a experiência do trabalho, ouvi amigos, a minha colaboradora doméstica, meus filhos e outros colaboradores dos níveis estratégico, tático e operacional das organizações onde atuo, mesclando o máximo possível o contingente do universo pesquisado. O resultado foi bastante interessante, na medida em que, o “sim” foi unânime como resposta.

Assim, caro leitor, ofereço-lhe a mesma pergunta, feita ao universo da minha singela pesquisa: Você, no exercício de suas atividades, quer sejam profissionais, quer sejam sociais, tem ou já teve, na sua área de atuação ou de relacionamento, alguém mais complicado, que dificulta suas atividades, que o obriga a explicar invenções, que às vezes o leva ao re-trabalho, a um esforço adicional no desempenho destas atividades?

Você convive, ou já conviveu com aquele tipo de pessoa que, conforme dizem alguns espiritualistas “o meu anjo da guarda não combina com o dele”, parece estar, o tempo todo, lhe perseguindo, causando-lhe problemas, criticando e tentando “minar” seus processos e objetivos institucionais e pessoais?

Certamente, ao desenvolver uma ou outra atividade, você já foi surpreendido por alguém, quase sempre desprovido da capacidade de desenvolver a competência duradoura e positiva em sua plenitude, com muita atitude para atrapalhar o desenvolvimento e o trabalho dos outros e com pouca ou nenhuma habilidade para os relacionamentos interpessoais, mais preocupado com o que você faz do que com o que ele não faz, causando-lhe algum tipo de mal-estar.

Para este personagem dei-lhe o apelido de Algoz da Competência.
O Dicionário Aurélio define algoz como sendo um substantivo masculino, cujo significado é “pessoa cruel, desumana, que mata ou aflige outra”.

Sendo esta figura tão corriqueira nas organizações e nos mais diversos relacionamentos, é preciso que passemos a trabalhar uma outra questão junto aos nossos colaboradores e, via de regra, em nós mesmos: O desenvolvimento da capacidade de lidar com este tipo de ocorrência, sob pena de vermos a competência se desmoronar, tornar-se provisória, na medida em que toda a energia necessária para manutenção de seu status quo muda de foco e concentra-se na figura do algoz.

Por isso o apelido de Algoz da Competência. O resultado de todo um trabalho costuma ficar prejudicado em face da excessiva preocupação com o algoz, cuja principal competência – e costumam ser muito competentes nisso – é a de desestabilizar, criar animosidades, propiciar um clima organizacional desfavorável à produtividade, às relações profissionais e pessoais.

A atuação deste personagem, impregnada dos fragmentos utilizados na construção de sua personalidade, da falta de compromisso com o outro e ou com a organização, com resquícios irrefutáveis de imaturidade, alicerça-se também numa enorme falta do que fazer...

Se você está seguro de suas ações e se os seus resultados são éticos, positivos e se estão em consonância com os objetivos do grupo e ou da organização, não faz mal se acatar aquele ditado popular: “Falem mal, mas falem de mim!”

Palavras-chave: | grupo | algoz | competência |

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