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09/02/2009
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A inveja no ambiente de trabalho

Por Rute Paixão dos Santos para o RH.com.br

No dicionário Aurélio a inveja é definida de duas maneiras: 1ª) desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem; e 2ª) desejo violento de possuir o bem alheio. A pessoa que possui esse sentimento, ou ela o menospreza, ou tem uma vontade incontrolável de ter as habilidades, bens e ideias do outro.

A Bíblia relata no capítulo 4 de Gênesis que o sentimento da inveja foi a causa do primeiro homicídio da terra. Caim ofereceu a Deus um fruto de qualquer maneira, enquanto Abel ofereceu uma oferta melhor, pois entregou uma ovelha primogênita: "E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor".

"E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta". Segundo a Bíblia, tanto a primeira cria de um animal, como o primeiro fruto das árvores deveriam ser oferecidos ao Senhor no Santuário, em agradecimento pelo dom da vida.

Aprendemos com está história que a inveja geralmente acontece entre as pessoas próximas e que nos conhecem bem a "fundo", que vivem conosco diariamente; pois como sabemos, Caim e Abel eram irmãos. Podemos dizer que Deus representa o líder e os irmãos Caim e Abel representam os colaboradores das empresas no mundo atual.

No nosso ambiente de trabalho, podemos e devemos saber administrar este sentimento pequeno e "diabólico", principalmente quando presenciamos colegas realizarem trabalhos melhores que o nosso. Fela Moscovici, em seu livro "A organização por Trás do Espelho", diz que "Na empresa, a alegoria de Caim e Abel perdura até hoje. Em todos os setores e níveis pode-se notar ciúme e inveja, seja nas preferências de superiores ou nas realizações bem-sucedidas e elogiadas. O trabalho em grupo expõe a fragilidade dos relacionamentos superficiais dos membros carentes de habilidades interpessoais para lidar com as emoções".

Nos relacionamentos interpessoais sempre existirão entre as pessoas sentimentos de ciúme, inveja, ira, amor, solidariedade, esperança, confiança etc. Precisamos estar mais atentos aos indícios que as pessoas invejosas nos dão. O menosprezo, dito anteriormente, e a imitação excessiva são pontos consideráveis desses sinais.

Aí nos questionamos: mas como administrar o sentimento da inveja que nos impede de crescer e seguir o nosso caminho? A resposta é: controlando as emoções negativas e realizando sempre a prática do autoconhecimento, quando conhecemos as nossas limitações e habilidades, o desenvolvimento e a aprendizagem pessoal e profissional tornam-se mais fáceis.

No treinamento e desenvolvimento de pessoas onde ministro o curso de relacionamento interpessoal nas empresas, gosto de trabalhar com o diagrama Janela de Johari, criado por Joseph Luft e Harry Inghan que estudam o comportamento do homem através do: Eu aberto, quer dizer que eu sei e os outros também; o Eu cego, só os outros sabem; Eu secreto, significa que só eu sei e o Eu desconhecido, nem eu e nem os outros sabem.

A inveja aloja-se justamente no "Eu secreto" e pode ser refletida no "Eu cego" do qual as pessoas que estão ao nosso redor vão perceber as nossas atitudes e ações diárias. Uma ferramenta favorável que as empresas poderiam aplicar é a avaliação de desempenho acompanhada pelo feedback.

O feedback aplicado aos seus colaboradores ajuda na melhora do comportamento, pois o retorno provoca uma reflexão na pessoa ou grupo avaliados a respeito do seu desempenho dentro da empresa, em prol de alcançar os objetivos traçados. O interessante é aprender "a ver-nos a nós mesmos como os outros nos vêem". Quem já não ouviu "vou invejar você nisso ou naquilo", no sentido de imitar a outra pessoa? Devemos reformular a frase para: "vou imitar você nisso ou naquilo". Com a prática da imitação estamos valorizando o trabalho do outro e aprendendo novas ideias.

A imitação tem uma grande importância na nossa vida, pois quando nascemos já imitamos gestos e ruídos dos nossos familiares e isso não nos impede de termos autenticidade no que realizamos ou pensamos ao longo da vida. Ao imitar, você irá aprender, ensinar e produzir resultados.

O rei Salomão com a sua imensa sabedoria no livro de Provérbios cita que "a inveja é a podridão dos ossos". Não deixe que este sentimento resseque a esperança, a ternura, a fé, a alegria e, em especial, o amor, que tem o poder de renovar todos os sentimentos positivos que há dentro de você.

 

Palavras-chave: | ambiente corporativo | conflito | emoção | espiritualidade |

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COMENTÁRIOS (2)
Ana Carolina Carvalho Carnaúba em 14/02/2009:
Adorei o artigo e acho que tem tudo haver com a realidade em que vivemos nas organizações. Porém, senti falta de comentário nos casos contrários, ou seja, quando nós somos invejados o que devemos fazer, como agir? Quando fazemos bem o nosso papel e somos por muitas vezes até elogiados pela chefia e com isso geramos inveja, até mesmo as pessoas nos vêm como ameaças, o que devemos fazer? Este artigo nos ensina o que fazer quando a inveja parte de nós, e o que fazer quando somos invejados? Gostaria que se possível fosse publicado algum artigo relacionado. Grata

Vânia em 11/02/2009:
Sou uma estudante de 2º sem em Gestão RH.Este assunto sempre foi de gde importância para as empresas.O convívio em grupo exige muita paciência e algo que acontece com frequência neste tipo de comportamento é levar para o lado pessoal.Eu, como funcionária e estudante, observo que, muitas pessoas têm problemas de relacionamento e comportamento trazidos por anos a fio.Eu mesma já me senti "por baixo", achando que só os outros tinham oportunidade.Me disciplinei e a melhor maneira que encontrei de lidar com este lado negativo é acreditar que não preciso invejar ng, nem tampouco querer o espaço do outro.Todos temos condições de buscar nosso próprio espaço; e uma dica: fique feliz sim (com sinceridade) pelo sucesso e progresso de algum colega.Isto o torna melhor, e pode acreditar, abre uma enorme porta para vc.

 
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