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26/10/2010
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Tiger Woods: o Michael Jackson do momento

Por Rodrigo Ramos para o RH.com.br

Tiger Woods é o Michael Jackson do momento. E, infelizmente, esse é um diagnóstico muito ruim para a humanidade. As questões que levanto são as seguintes: por que damos tanto "Ibope" para as desgraças e tampamos as virtudes da maioria das pessoas? Por que ficamos ávidos em cobrar condutas morais e deixamos de enaltecer as genialidades daqueles que foram mais longe do que a média humana? Por que achamos que é mais humano compartilhar problemas e desgraças, do que compartilhar diferenças e virtudes?

Michael Jackson, antes de se tornar um mártir após sua morte, era categorizado como estranho, pederasta, pedófilo, o típico freak, que dava seus shows nas manchetes espalhadas pelo mundo. A maioria massacrava-o e o achava bizarro seu estilo de vida, dotado de múltiplas plásticas, um parque gigante no quintal e uma série de condutas infantis.

Não quero dizer que Michael deveria deixar de se responsabilizado pelas suas ações na sociedade. Porém, o que é importante destacar é o quanto tendemos a valorizar mais os seus problemas do que as suas virtudes. Ora, Michael Jackson, até hoje faz a alegria da moçada! Suas músicas e danças são copiadas, amadas por milhares de fãs espalhados pelo mundo. Sua arte penetra em todas as raças, as etnias e as classes sociais. Contudo, ainda assim, preferem apontar suas desgraças! Temos chance de melhorar isso? Ou teremos sempre que esperar um mortal morrer para, posteriormente, imortalizá-lo?

Tiger Woods, o maior atleta do golfe de todos os tempos, ganhador de 13 títulos importantes antes dos 30 anos, em 2009 foi o primeiro esportista da história a faturar 1 bilhão de dólares, hoje se vê massacrado pela mídia por conta dos escândalos extraconjugais que protagonizou. Não estou dizendo que sou contra a monogamia, mas é importante destacar que, novamente, a história repete-se: a tendência nossa de cada dia de apontar pedras para os defeitos dos outros.

Será que Tiger Woods não contribuiu muito mais para o mundo, quando usou sua imagem para influenciar jovens de classes baixas a apreciarem o golfe e acreditarem que podem se superar sempre? É nessas horas que é importante resgatar conselhos de poetas como Sá Muray que nos diz: "Quando a alma é grande, a gente perdoa os defeitos humanos".

Em um artigo genial chamado "Ódio ao Sucesso", Jorge Forbes destaca o quanto as pessoas têm dificuldades para sustentar suas virtudes e se desprender de identificações padronizadas, humanizadas como, por exemplo, assemelhar-se aos outros, compartilhando problemas e desgraças. Em muitos lugares a história repete-se. Se quiser fazer um teste, basta pegar uma fila de banco e puxar uma conversa usando a queixa como recurso. Logo todos se agruparão para reclamar de tudo e de todos.

A pior notícia é que Tiger Woods e Michael Jackson não são os únicos que se tornaram alvo na linha de fogo. Nas empresas o fenômeno acontece com frequência. Valorizamos muito os problemas e os defeitos dos nossos chefes, subordinados e colegas, deixando de observar as coisas boas e aquilo que existe de melhor em cada um.

Será que é possível enxergar qualidades em todas as pessoas do seu trabalho, mesmo que perceba muitos defeitos? Sugiro que coloquemos em ação este treino. Será que essa mudança de percepção não faria toda a diferença no relacionamento interpessoal dentro da sua organização?

Portanto, enquanto não percebermos as qualidades das pessoas à nossa volta, automaticamente, não enxergaremos as qualidades que existem dentro de nós. Ou seja, tudo que projetamos para o meio externo, está relacionado à forma como enxergamos o mundo a partir do nosso meio interno. Para que você consiga aceitar as virtudes e as singularidades dos outros, é preciso começar a achar virtudes e singularidades pessoais, no seu mundo interno, íntimo, estranho e empolgante.

Se o mundo só julga e massacra os defeitos de Michael Jackson e Tiger Woods, é porque ele tem dificuldades para enxergar suas virtudes.

Até quando a história vai se repetir?

Palavras-chave: | equipe | conflito | diversidade |

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COMENTÁRIOS (1)
Luis Cesar em 27/10/2010:
Rodrigo, você está coberto de razão! Parabéns! Mas você poderia pegar exemplos Brasileiros mesmo. Como o Técnico de Futebol Telê Santana, que era chamdo de O Maior Pé Frio do Brasil e agora é chamado de Mestre Telê. E Também o Técnico Vanderlei Luxemburgo que não importa o que ganhe que sempre é esculachado por todos. Mais é isso aí, fazer o que?

 
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