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28/02/2012
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O Locus de Controle

Por Wellington Moreira para o RH.com.br

"Quando eu vivia num dos campos de concentração da Alemanha nazista, pude observar que alguns dos prisioneiros andavam de barraca em barraca consolando outros e distribuindo suas últimas fatias de pão. Podem ter sido poucos, mas me ensinaram uma lição que jamais esqueci: tudo pode ser tirado de um homem, menos a última de suas liberdades - escolher de que maneira vai agir diante das circunstâncias do seu destino".

Esta reflexão do psiquiatra austríaco Viktor Frankl ajuda a explicar a importância do Locus de Controle, conceito introduzido pelo psicólogo norte-americano Julian Rotter, em 1966, por meio do artigo "Psychological Monographs" e no qual ensina como a percepção das pessoas acerca dos seus sucessos e fracassos as afeta.

Locus é uma palavra em latim que significa "lugar" e, segundo Rotter, há pessoas com locus de controle interno e outras com locus externo. Aquelas são pessoas que acreditam estarem no controle de suas vidas, assim agem por conta própria quando precisam lidar com problemas que lhes ocorrem nos mais diversos campos e entendem o resultado como uma consequência de seus esforços e suas competências.

Já as pessoas com predominância da postura de locus de controle externo creem que seu campo de influência é muito pequeno e não se veem como protagonistas das próprias vidas, mas apenas coadjuvantes ou meros figurantes. Neste caso, a sorte, o governo, o chefe, os colegas de trabalho, o cônjuge, os filhos e/ou Deus são responsáveis por tudo - de bom ou de ruim - que alcançam.

Sendo dependentes dos outros para conseguirem aquilo que querem, abalam-se emocionalmente quando as coisas não caminham da forma como gostariam e, é claro, posicionam-se como vítimas. É por isto que tendem a cobrar muito das pessoas que fazem parte do seu círculo de relacionamento, independentemente do quanto estes terceiros realmente influenciaram seus saldos.

Portanto, os profissionais com a postura de locus interno buscam condições que possibilitem o alcance daquilo que querem, ao passo que os indivíduos com locus externo estão mais propensos à acomodação, à resignação e à justificação. Todavia, o locus de controle não é um traço de personalidade imutável do indivíduo já que diversos fatores podem gerar seu deslocamento, entre eles a educação, a cultura, a religião e, especialmente, suas motivações.

Quanto mais a pessoa é consciente daquilo que quer e dos esforços que terá de despender para chegar até lá, maior também é a automotivação e o consequente senso de responsabilidade, que favorecem o despertar do seu locus de controle interno, por exemplo.

Também se deve destacar que existem disfunções nos dois tipos comportamentais. Quem possui locus interno é autoconfiante, mas precisa aprender a lidar com a frustração em situações nas quais seu campo de influência é muito pequeno. Já as pessoas com locus externo tendem a compreender o mundo tão somente por meio do olhar dos outros e aguardam que estes intervenham, quando poderiam criar suas próprias histórias.

Ninguém conserva o locus interno ou externo o tempo todo. A questão é perceber-se nos momentos-chave: você procura saídas ao enfrentar tais problemas ou se contenta em praguejar? Não é saudável responsabilizar-se por tudo o que acontece, mas se imaginar sem alternativas para a mudança de rumos por acreditar que alguém fará aquilo que só depende de você é querer muito pouco da vida e da própria carreira.

Utilizando uma metáfora conhecida, enquanto a pessoa que possui locus interno procura ver o meio copo cheio, a pessoa com locus externo insiste em visualizar apenas o meio copo vazio. E você, o que vê?

 

Palavras-chave: | equipe | aprendizagem | crescimento profissional |

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COMENTÁRIOS (3)
Ivone Lage Fonseca Duarte em 17/02/2013:
Gostei do artigo. Sou professora aposentada. Procuro alguma atividade que me realiza, me deixa feliz e me mantenha na ativa. Ainda não encontrei. Aprendi depois de muito tempo a ver o meio copo como meio copo, nem cheio e nem vazio. Quem sabe a partir daí eu descubra uma ocupação prazerosa, para os meus 59 anos e que não seja por influência de ninguém e de nenhum grupo. Acredito em mim, mas é preciso que alguém mais acredite. Alguém que ofereça uma oportunidade, no lugar certo, na hora certa para o meu sonho se realizar. Gosto muito de ler, mas a leitura individual, isolada acaba acumulando dúvidas, questionamentos, sem partilhas. Gosto muito dos artigos publicados no RH.com.br. Eles me inspiram a pensar e escrever. Quem sabe o RH cria um espaço efetivo para a publicação de ideias, opiniões, análises de leitores constantes e apaixonados pelos temas que envolvem o SER HUMANO. Ivone Lage

patricia em 03/03/2012:
sensacional a discussão locus...

Alberto Magno Paladini em 01/03/2012:
Parabenizo a equipe do site RH.com.br pelos artigos e informações importantes para o enriquecimento dos nossos conhecimentos. Chegamos na era do conhecimento, onde a competitividade no mercado se expande rapidamente. Devemos refletir mais sobre a necessidade do uso da ética e do profissionalismo em todas as áreas de atuação na vida pessoal e profissional. O meu aprendizado nas leituras dos artigos da equipe do site RH.com.br é inquestionavelmente importante na minha vida profissional. Obrigado

 
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