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14/08/2012
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O valor da terceira idade para a empresa

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Ao contrário do que muitos podem imaginar, quando a aposentadoria chega nem todos os profissionais estão dispostos a "pendurar as chuteiras" e trocar suas atividades por um par de confortáveis chinelos e tampouco passarem horas sentados em cadeiras de balanço. Muitos querem dedicar a nova fase de suas vidas a novas atividades, viagens ou simplesmente aproveitar cada momento de maneira intensa e única. Outros preferem continuar com a carreira, uma vez que possuem disposição e têm muito potencial para agregar valor às empresas.
Vale lembrar que muitos talentos que chegam à terceira idade, optam por permanecer no mercado de trabalho e isso também é reflexo da longevidade das pessoas. Para se ter uma ideia, de acordo com os últimos dados divulgados pelo IBGE, expectativa de vida do brasileiro nascido em 2010 alcançou 73,4 anos. Se compararmos com os dados de 1960, quando a perspectiva de vida do cidadão era de 48 anos, a esperança de viver do brasileiro teve um aumento de 25,4 anos. Um crescimento bem significativo. Confira abaixo alguns dos valores que a "turma da boa idade" pode trazer às organizações.


1 - Vivência única - Sem menosprezar o valor da vivência de quem está ingressando no mercado de trabalho, as pessoas que chegam à terceira idade já foram expectadores e atores de muitas situações que marcaram a realidade da Era da Globalização. Muitos entendem melhor como todo o processo de evolução ocorreu, porque não leram apenas nos livros, mas ajudaram a escrever a história.

 

2 - Conhecimento e sentimentos - Hoje, há várias fontes para se buscar o conhecimento que se propaga numa velocidade que assusta e encanta, ao mesmo tempo. Mas, devemos nos lembrar de que fontes de pesquisas passam informações e as pessoas passam informações e sentimentos. Apenas para dar um exemplo simples, imaginemos um profissional que ingressa numa grande organização que fez história no mercado nacional. Esse novo talento lê, pesquisa e se atualiza com todas as informações disponibilizadas na intranet e na internet. Mas, se ele escuta um profissional que esteve presente às principais fases da companhia, captará o sentimento que os profissionais externaram naquela época e poderá entender melhor o comportamento que hoje se reflete no clima organizacional.

 

3 - Sintonia entre gerações - Fala-se muito em conflitos entre gerações, pois hoje encontramos profissionais de várias faixas etárias convivendo no mesmo ambiente de trabalho. Quando a diversidade se faz presente entre as equipes, através da presença de pessoas de idades diferenciadas, o time tem uma chance real de abrir espaço para a criatividade, uma vez que cada membro agregará valor diferenciado ao resultado final do trabalho.

 

4 - Respeito - Quando se dá oportunidade para que pessoas da terceira idade continuem a demonstrar seus valores como profissionais, a empresa conquista respeito junto aos demais colaboradores e à sociedade. Não se considere aqui um trabalho de assistencialismo, mas de demonstração de crença à capacidade humana de ser produtiva e útil em qualquer tempo.

 

5 - Estimulo aos profissionais - Quando um talento observa na prática, futuramente, ele terá chances de continuar produtivo mesmo que a aposentadoria chegue, esse profissional se sentirá motivado a dar uma entrega maior e se comprometer ainda mais com o negócio. O funcionário entenderá que parte de sua vida, dedicada à empresa, não significou apenas uma passagem temporária e sem importância. Mas, ele será visto como alguém de valor, não importa a idade cronológica que tenha.

 

6 - Prata da Casa - Muitas vezes, as organizações gastam tempo e dinheiro porque acreditam que com o aumento da idade o profissional se tornará improdutivo. Contudo, não chegam para conversar e perguntar se o "Prata da Casa" teria ou não interesse em continuar atuando na empresa e que tipo de apoia seria necessário, para que ele continuasse com seu desempenho satisfatório. Acreditar nos talentos internos pode ser um grande investimento para a companhia.

 

7 - Dedicação - Muitas empresas que acreditam na terceira idade e criam programas específicos para contratar esses profissionais se surpreendem. Relatos de profissionais de Recursos Humanos e de gestores de pessoas constatam que a dedicação desses funcionários não deixa a desejar e, em determinados casos, superam as expectativas. A justificativa por estar na oportunidade e na confiança que foi dada a essas pessoas, em demonstrarem que também possuem valor para a sociedade.

8 - Disseminadores de conhecimento - Outro diferencial que os profissionais da terceira idade podem agregar às organizações é a disseminação do conhecimento adquirido ao longo do tempo. Inclusive, há empresas que acertadamente trabalha esses profissionais para serem mentores e até mesmo agentes disseminadores de competências técnicas e comportamentais mais importantes para o êxito do negócio.

 

9 - Confiança - Quando um profissional ingressa numa organização é normal que surjam dúvidas sobre as atividades que ele exercerá. Não são raros os casos em que esses jovens talentos procuram o respaldo de quem está na empresa por mais tempo. Dois fatores podem influenciar positivamente essa iniciativa de quem está apenas começando: a confiança que o funcionário experiente repassa aos colegas que dão os primeiros passos na carreira e a própria bagagem de conhecimento que foi adquirida ao longo do tempo. Pessoalmente, tive o privilégio de conhecer um caso desses, mesmo sem ser dá área. Em um laboratório de análises clínicas de uma grande capital brasileira, havia um analista que era respeitado por todos os colegas. O Zé Tales, com uma personalidade forte e sempre de bom humor, era uma espécie de paizão não apenas para os colegas da sua geração, mas para muitos que chegaram depois e tiveram o privilégio de serem treinados por ele. Em momentos de crise, profissional e pessoal, muitos recorriam a ele. Até hoje, após sua partida, Zé Tales continua vivo na história desse laboratório.

 

10 - Quebra de paradigmas - Quando se resolve investir em talentos diferenciados, seja qual forem os critérios adotados, a organização sempre dará um passo á frente e evoluirá em seus processos de gestão. Acreditar que o potencial humanos não se limita à idade, por exemplo, pode ser o início de uma quebra de paradigmas e até mesmo de preconceitos.

Palavras-chave: | terceira idade | mercado de trabalho | competência |

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COMENTÁRIOS (4)
claudia maria menezes de aguiar em 22/08/2012:
Parabéns pelo artigo. Que venham outros valorizando e dizimando o valor dos "maduros talentos"

joana bandeira em 19/08/2012:
Quebra de paradigmas: frase perfeita para desecrever as organizações que se preocupam e até incentivamtivos os seus colaboradores a continuarem investindo na carreira profissional depois da aposentadoria. São profissionais preparados, com conhecimentos específicos, muitos qualificados e principalmente com vínculos afetivos com as organizações e que se sentem valorizados quando designados para passarem as suas experiências e conhecimentos para os novos talentos. Parabéns pela matéria.

Antonio Ogawa em 18/08/2012:
Prezada Patricia, parabenizo pela sua matéria que foi de uma sensibilidade muito profunda. Gostaria de acrescentar ao seu comentário se existem consensos entre o resposnável pelo RH da empresa e a gerência ou diretor que quer contratar um profissional para trabalhar com ele. A minha pergunta é se o gerente ou diretor se sente confortável em contratar alguem que teve muita vivência e experiência e se ele não iria sentir um pouco inseguro achando que esta pessoa poderia tirar a sua posição. Na minha idade e isto é o meu pensamento não penso em ocupar a posição da pessoa que está me contratando mas sim procurar transferir e agregar a minha experiencia e vivência para o profissional que estaria me contratando e fazer com que ele se fortaleça mais ainda no seu crescimento profissional agragando às teorias antigas com metodologias novas.

Heloísa Nóbrega em 17/08/2012:
O tema é muito interessante e necessita de muitas reflexões para Empresa e aposentáveis. Parabéns Patrícia !

 
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