Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

RH.COM.BR - A integração vem ganhando destaque, cada vez mais, no mundo corporativo. Por que isso vem sendo evidenciado com tanta freqüência?
Marco Aurélio Ferreira Vianna - A integração vem ganhando espaço, porque isso é uma decorrência da atualidade que exige do homem uma consciência competitiva maior e uma conscientização grupal entre as equipes, as áreas e as funções integradas. Eu até afirmaria que a integração entre os grupos tornou-se uma questão estratégica e de sobrevivência para as empresas. Hoje, as organizações precisam multiplicar e sinergizar o que acontece no dia-a-dia. Quando as equipes brigam, elas deixam de agregar valor e não produzem energia positiva.
RH - Por que organizações, aparentemente estruturadas, ainda sentem dificuldades de manter suas equipes coesas?
Vianna - Infelizmente, o conflito é intrínseco ao ser humano. Essa é uma característica do modelo mental antropológico. O conflito está no DNA do homem. Isso ocorre, porque o ser humano tem uma característica tribal e é a sua natureza fechar a si próprio e isolar o seu grupo. É por essa razão que as empresas se encontram com dificuldades de coesão.
RH - E no caso específico das corporações brasileiras, elas estão sabendo lidar com a integração entre grupos?
Vianna - É lamentável afirmar, mas as empresas brasileiras estão bem longe do caminho certo, quando o assunto é integração. No Brasil, as organizações ainda apresentam um certo vício antropológico, ou seja, elas ainda possuem o corporativismo e o paternalismo fortes em suas culturas.
RH - E de que forma as empresas podem solucionar esses conflitos?
Vianna - O caminho para mudar essa realidade seria a adoção de uma política de integração definitiva que tenha começo, meio e fim. A partir do momento que as empresas contarem com uma estrutura adequada, elas poderão se contrapor ao feudalismo organizacional.
RH - E como esse feudalismo pode ser combatido?
Vianna - O primeiro passo seria estimular o trabalho e o lazer, onde a principal conotação seja dada às pessoas. Na prática, isso poderia se feito através de times formados por indivíduos das mais diversas áreas. Pode-se criar grupos de trabalho que formem times estratégicos e multidisciplinares. Inclusive, é preciso que se criem grupos autônomos. As empresas também podem promover a criação de concursos internos, projetos de integração estruturados e ciclos de palestras, onde as pessoas possam apresentar a experiência vivida, na sua respectiva área, para um colega de um setor diferenciado. Pode-se ainda promover treinamentos entre as áreas. Enfim, os caminhos para se estimular a integração entre os grupos são os mais diversificados.
RH - Uma briga entre áreas diferentes pode ser vista como positiva ou tenderá sempre para o negativismo?
Vianna - Pessoalmente, não gosto de estimular brigas. Sei que há uma linha de profissionais que defende essa postura para se obter possíveis resultados, mas discordo totalmente. O Brasil antropologicamente falando possui uma característica peculiar, onde as pessoas brigam mais por causa das outras pessoas, do que propriamente para defender uma idéia que considerem justa. As pessoas costumam levar as disputas mais para o lado pessoal, do que para o lado profissional e acabam esquecendo de acrescentar valor à disputa.
RH - O Sr. não é a favor de um conflito saudável?
Vianna - Sim, sou a favor. Concordo que o indivíduo deve ser desafiado, até porque isso faz parte do crescimento, do desenvolvimento e das conquistas. No entanto, prefiro que seja adotada a linha filosófica do Triunfo, onde a pessoa sente prazer em fazer o bem-feito. Já no caso do ganhador, este tem uma característica diferente. Ele sente prazer apenas em ganhar ou então, quando alguém perde. O ganhador sente-se bem, apenas quando é visto como o melhor.
Palavras-chave: | integração | equipe |
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