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26/02/2007
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Conto com times ou grupos de trabalho?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Times ou trabalho? Afinal, de que forma os colaboradores da minha organização estão interagindo entre si? Quantos profissionais de RH ou gestores interessados em melhorar o desempenho e atingir as metas estabelecidas já fizeram essa pergunta? Provavelmente, um número incalculável. E isso não é por acaso, afinal no mundo corporativo contar com times de alta performance tornou-se um diferencial competitivo. O problema, no entanto, é que muitas pessoas utilizam os termos times e grupos como sinônimos. Por outro lado, a prática mostra que existem diferenças substanciais entre os dois e isso impacta diretamente tanto na obtenção de resultados quanto no clima organizacional. Para trazer o assunto à tona, o RH.com.br entrevistou a consultora organizacional Vera Martins. Pedagoga e consultora especialista em treinamento e desenvolvimento de pessoas no ambiente organizacional, ela afirma que enquanto o grupo de trabalho apresenta duas características: organização e interação. Já em um time é possível identificar mais duas peculiaridades que são: motivação das pessoas para que resulta no alcance de objetivos e, ainda, a percepção clara, por todos os membros, da importância de si e dos demais membros no atingir um determinado fim.” Um time é definido como um grupo de pessoas interdependentes e interagindo entre si, que se unem para alcançar objetivos comuns. O time tem vida própria, porque como ser vivo, nasce, cresce, amadurece e está sempre em atividade, reagindo aos estímulos internos e externos e se adaptando ao meio” , afirma Vera Martins. Durante a entrevista, a consultora aborda várias questões que merecerem uma pausa para quem atua no meio corporativo e deseja contar com times de “verdade”. Aproveite a leitura!

RH.COM.BR - Qual a diferença entre grupo e time de trabalho?
Vera Martins - Segundo alguns especialistas, todas as equipes de trabalho são grupos, mas, nem todos os grupos de trabalho são equipes. Podemos constatar isso na prática, pois é comum encontrarmos nas empresas, muitos grupos que se intitulam times. E pior, os envolvidos não têm consciência dessa distorção. No grupo de trabalho existem dois ingredientes principais: organização e interação. A organização é a definição clara de objetivos a serem atingidos e dos papéis de cada um no processo de trabalho. Já a interação acontece quando as pessoas envolvidas interagem entre si, sob a orientação de um líder. No time de trabalho existem quatro ingredientes principais. Além da organização e da interação, também estão presentes a motivação das pessoas para juntas atingirem os objetivos e, ainda, a percepção clara, por todos os membros, da importância de si e dos demais membros no atingir dos objetivos. Um time é definido como um grupo de pessoas interdependentes e interagindo entre si, que se unem para alcançar objetivos comuns. O time tem personalidade própria, ou seja, possui características que o distingue de outros times. O time tem, também, vida própria, porque como ser vivo, nasce, cresce, amadurece e está sempre em atividade, reagindo aos estímulos internos e externos e se adaptando ao meio. As equipes constituem o veículo mais eficaz e poderoso para atingir os resultados da organização, mas se os grupos de trabalho não manifestam esses pré-requisitos, tornam-se pseudo-equipes, desperdiçando recursos valiosos e contribuindo para a disfunção da organização.

RH - Quais os comportamentos que interferem e bloqueiam o desenvolvimento dos times?
Vera Martins - Todo comportamento defensivo bloqueia a comunicação e desencadeia conflitos negativos e desnecessários como, por exemplo, o comportamento de compensação que aparece quando uma pessoa sente-se inferiorizada numa situação ou se lhe negada a satisfação de uma necessidade, ela procura compensar essas deficiências com um comportamento caracterizado de puritanismo ou de desconfiança. Podemos destacar outros comportamentos como o Puritano que de tão sensível, com tudo se espanta. Sua moral é rigorosa e seu comportamento é convencional. O Desconfiado custa a crer que alguém possa ser honesto e franco. Suspeita sempre da existência de motivos ocultos, ou de fins egoísticos. De tanto pensar mal dos outros, torna-se debochado e cínico e provocador de conflitos. O Retraído é passivo, seu comportamento nasce do medo de que suas idéias não sejam aceitas. Aparentemente, isso não e prejudicial ao grupo, mas é certo que o grupo não poderá alcançar sua eficiência máxima sem a participação de todos. O Dono da Verdade manifesta-se através da rigidez de opinião e argumentação excessiva, com dificuldade de aceitar as opiniões dos demais. Viscoso, gruda em certas idéias e entrava o desenvolvimento do grupo. As características do agressivo é ter um comportamento defensivo, pois normalmente faz críticas maliciosas, tem explosão de agressão verbal, faz comentários crônicos com negativismo habitual e prefere ser "do contra" a tudo que se faça ou se discuta no grupo. Podemos, ainda, destacar o Verborragia que é aquela pessoa que fala demais. Não dá oportunidade para os retraídos falarem. O Obsessão é irritantemente preocupado com detalhes como horário rígido e técnicas de funcionamento. Não devemos esquecer da Auto-idealização que é o ajustamento a sentimentos como a própria insuficiência, mediante a superestimação de si mesmo e o exagero de suas aptidões. Certamente, devem existir outros comportamentos, mas sem dúvida, esses são os mais comuns e observáveis no cotidiano de grupos de trabalho.

RH - Em um time de trabalho, o que tem mais peso: a responsabilidade individual ou grupal?
Vera Martins - Eu diria que os dois andam juntos, de mãos dadas. Responsabilidade é a habilidade de dar respostas. A somatória das responsabilidades individuais resulta na responsabilidade grupal, criando um clima de alta performance do time.

RH - Por que a tomada de decisões deve ser compartilhada entre os membros do time?
Vera Martins - O sentimento de "pertencer" é uma condição essencial ao comprometimento das pessoas em um time. Portanto, ao participar de uma decisão, o profissional sente-se envolvido e também comprometido com os resultados do time.

RH - O que leva os profissionais a se comprometerem com a organização em que atuam?
Vera Martins - Todo ser humano para ser produtivo e comprometido com uma causa, precisa se sentir importante, competente e aceito no meio em que vive. Isso também se aplica ao ambiente corporativo. O profissional se sentirá comprometido com a empresa se essas necessidades básicas forem atendidas, sendo incluído, reconhecido, ouvido e levado a sério. Assim, ele estará nutrido em sua auto-estima e respeitado como pessoa e profissional.

RH - A comunicação eficaz tem influência decisiva para o sucesso de um time?
Vera Martins - A comunicação é o sangue que corre nas veias dos relacionamentos profissionais através dos seus processos de trabalho. E sabemos que na existência de coágulos, o perigo de ruptura é certo. Um grupo de pessoas se tornará um verdadeiro time quando: existir confiança e respeito entre as pessoas; a informação flui livremente, de forma aberta e honesta; os conflitos são vistos com naturalidade; o poder é compartilhado entre todos; o clima não é ameaçador e as pessoas se sentem à vontade; as pessoas colaboram entre si e a s decisões são tomadas por consenso. Esses fatores são provenientes de uma comunicação eficaz, no qual as pessoas têm liberdade de expressar suas idéias, sentimentos e necessidades e sabem, também, usar a escuta ativa. Um clima saudável é determinante para a alta performance de um time de trabalho. E o estabelecimento desse clima só é possível se houver um estilo de comunicação assertivo, de duas vias.

RH - O líder sempre deve estar presente em todo o processo de trabalho do seu time ou estimular o empowerment é saudável para os profissionais?
Vera Martins - Em primeiro lugar, o líder faz parte do time. Partindo dessa premissa, ele deve estar sempre presente, de corpo, quando necessário, e de alma, sempre. De corpo e alma deve exercer seus diversos papéis como estrategista, inspirador de valores, educador das pessoas, mediador de conflitos de interesses e servidor do time. O empowerment é um excelente mecanismo para tirar o melhor de cada um e otimizar o potencial máximo da equipe. A autonomia bem delegada estimula o senso de responsabilidade individual com o time de trabalho. O empowerment agiliza os processos de trabalho, aumenta produtividade da empresa, além de desenvolver uma relação madura entre profissional/ gestor/empresa, pois é uma relação permeada pela confiança.

RH - Na prática, como o profissional de RH pode estimular e, conseqüentemente, fortalecer o espírito de equipe?
Vera Martins - O RH pode propor ferramentas de gerenciamento de pessoas e de resultados que estimulem a cooperação e não a competição como, por exemplo, o estabelecimento de metas do time, considerando a interdependência entre as pessoas, os próprios times. A área de Recursos Humanos pode, também, fazer intervenções grupais para ajudar os times a: examinar seus processos grupais, como comunicação, sistema de tomada de decisão; a identificar problemas do grupo e propor possíveis soluções; promover o desenvolvimento e maturidade do time; estabelecer metas e plano de ação; treinar os gestores na gestão do time; desenvolver atividades de lazer; desenvolver projetos sociais, estimulando a formação de times de apoio; estimular a formação de grupos-tarefa para resolver problemas, entre outra ações que podem ser adotadas no dia-a-dia corporativo.

RH - Na sua opinião, a pesquisa de clima organizacional é a melhor ferramenta para identificar se o time tem uma boa performance ou é preciso recorrer a outros recursos?
Vera Martins - Vamos entender como boa performance um time que tenha eficiência, eficácia e efetividade. Acredito que a pesquisa de clima seja interessante para mensurar o grau de satisfação das pessoas com relação a vários fatores que interferem na consecução dos objetivos estratégicos da empresa. Portanto, é um instrumento pertinente. Mas, não é suficiente para avaliar uma boa performance do time. É interessante checar, de acordo com o programa de avaliação de performance da empresa, se os contratos de metas estabelecidos foram cumpridos com eficiência e eficácia. Meta atingida é um bom indicador da eficácia do time. Mas, para avaliar a efetividade do time, a avaliação 360 graus bem implantada, pode ser um recurso que forneça informações sobre pontos fortes e pontos de melhoria dos times de trabalho. O mais importante nisso tudo é os membros do time mostrarem-se motivados e abertos para aceitar o feedback dos parceiros e para fazer uma auto-avaliação. Esta postura madura é a base para a evolução e as melhorias contínuas, pois o ser humano é o único ser vivo que não nasceu pronto.

 

Palavras-chave: | Vera Martins | grupo | time |

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