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06/04/2010
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Feedback: um processo positivo ou negativo?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

A constante competitividade no meio corporativo levou as organizações e os profissionais a estarem atentos a tudo o que acontece ao redor e mais além, ou sejam, ao que os concorrentes estão fazendo. Isso, por sua vez, desencadeou um processo constante de observação, ou melhor, de avaliação de performance de resultados gerias e individuais dos colaboradores. Afinal, sempre é preciso superar metas e saber agir de forma mais adequada quando situações inusitadas surgem. Mas, quando chega o momento de se analisar os pontos fortes e aquele que precisam ser trabalhados, nem todas as pessoas reagem com serenidade e maturidade. Há, inclusive, quem considere a avaliação de desempenho como um caminho para uma demissão ou retaliação, em decorrência de algum fato nem tão valorizado.
Por isso, o processo de feedback tornou-se uma ferramenta aliada e indispensável às empresas que desejam incorporar uma Gestão de Pessoas eficaz. No entanto, vale ressaltar que o feedback pode ter um efeito negativo, quando conduzido por alguém despreparado e que não tenha ideia dos efeitos que esse processo causa à organização como um todo e não apenas a um determinado profissional.
Para falar sobre o assunto, o RH.com.br realizou uma entrevista com Andrea Umbuzeiro, consultora organizacional e comunicóloga com MBA em Gestão de Pessoas. "Eu diria que o respeito à diversidade nunca deve ser esquecido. É de fundamental importância a isenção de pré-julgamentos e, para isso, é indispensável que exista um preparo anterior ao processo", alerta, ao ser indagada sobre o que nunca pode ocorrer durante a condução do processo de feedback. Confira os outros pontos que Andrea Umbuzeiro enfatizou durante a entrevista. Boa leitura!

RH.com.br - O que representa o processo de feedback para a Gestão de Pessoas?
Andrea Umbuzeiro - O feedback é uma ferramenta de retroalimentação, um processo espiral de desenvolvimento. O ser humano busca o reconhecimento a todo o momento. Em qualquer área de atuação é muito importante que a pessoa saiba se está indo bem. Para as empresas esse processo, por sua vez, também se torna fundamental para manutenção do clima organizacional. A maioria dos problemas apresentados nas empresas é oriunda do processo de comunicação mal conduzido. A principal ferramenta do feedback é a comunicação e para que esta seja assertiva o foco deve estar no receptor da mensagem, ou seja, a forma como a comunicação é apresentada, já que pode causar efeitos positivos ou não. Cada pessoa tem uma necessidade diferente no que diz respeito à qualidade e à quantidade de feedback. Dar um feedback pode ser estimulante para ambas as partes, ou seja, colaborador e empresa. Isso porque o processo de feedback contribui fundamentalmente para a qualidade final da empresa já que o relacionamento com o cliente interno passa a ser revisto com frequência.

RH - O feedback ainda recebe uma conotação equivocada no ambiente corporativo?
Andrea Umbuzeiro - Sim, isso ocorre e não é por acaso. Esse fato está relacionado a um aspecto cultural importantíssimo, pois somos acostumados apenas ao feedback corretivo. Daí, quando se fala, por exemplo, em realizar uma avaliação de desempenho ou dar um feedback imediatamente se relacionam esses processos a críticas, punições e, por vezes, até mesmo em demissões. Geralmente, a falta de preparo para o feedback fortalece ainda mais essas crenças negativas. O feedback é uma prática para a vida, altamente pedagógica. É necessário preparo para dar feedback, alinhar o conteúdo e a forma, enfim, perceber as necessidades do processo. No caso de um feedback corretivo, este deve vir acompanhado com a revisão do comportamento adequado. Para se preparar bem, para dar o feedback, é indispensável que a pessoa aprenda a ouvir. Cada pessoa é única em todos os aspectos e mesmo que estejamos falando de uma ação, cada um tem uma forma para chegar ao resultado pretendido.

RH - Em sua opinião, por que alguns profissionais resistem em receber feedback da sua performance?
Andrea Umbuzeiro - Porque o foco voltado para os resultados geralmente tira a atenção da forma de relacionamento com a equipe e dos pares. Existe implícito o impulso de não considerar as necessidades do outro na busca pelo resultado. São vários os motivos que podem levar à resistência além desse, na maioria dos casos muitos estão diretamente ligados à insegurança. Estar no mercado de trabalho é estar em uma disputa velada de poder e de status, as pessoas percebem isso de maneiras diferentes e da mesma forma reagem diferentemente.

RH - Que benefícios a prática periódica do feedback propicia aos talentos que atuam na organização?
Andrea Umbuzeiro - O principal benefício da prática de feedback é a oportunidade de melhoria através da vigia constante e correção dos rumos que devem ser adotados pela organização e seus colaboradores. A empresa que adota o processo de feedback como um hábito traz como resultado um comportamento mais assertivo e uma comunicação mais eficaz. Aos talentos de uma organização o principal benefício é a melhoria na qualidade de atuação através do aprendizado constante, que impacta diretamente na performance de cada um.

RH - Quais os impactos que esse processo gera, por exemplo, às relações empresa-colaborador e líder-liderado?
Andrea Umbuzeiro - O processo de feedback gera um estreitamento na relação colaborador-empresa, melhora o clima organizacional e proporciona uma cooperação maior entre os líderes e os seus liderados. Porém, para todos esses resultados maravilhosos, é necessária a condução do processo de forma objetiva e transparente. Comunicação uníssona.

RH - O feedback exerce influências no clima organizacional?
Andrea Umbuzeiro - Como disse anteriormente, quando bem este processo bem conduzido ajusta o comportamento, a performance e o seu reflexo no clima organizacional é imediato. O clima organizacional está intrinsecamente ligado à comunicação. Apropriar o conteúdo, a forma e o momento do feedback reforça os comportamentos valorizados pela empresa. Como ferramental de desenvolvimento o feedback positivo pode ser um estimulo à motivação dos colaboradores.

RH - Quais os equívocos mais comuns que as organizações cometem ao realizar o feedback junto aos seus profissionais?
Andrea Umbuzeiro - Posso afirmar que alguns resultados inadequados são percebidos na falta de preparo para o feedback como deixar que pré-julgamentos interfiram no processo, falta de especificidade da informação e ainda ausência de objetividade no relato de fatos. Todas as falhas apontadas estão no preparo para o processo, direcionar a comunicação ao receptor, percebê-lo, avaliar os possíveis impactos, ser impessoal e se avaliar.

RH - Para a senhora, quem deve estar à frente da condução do processo de feedback?
Andrea Umbuzeiro - Cabe ao gestor de pessoas a condução inicial do processo. No feedback atrelado à avaliação de desempenho, o líder conduz o processo detalhado de maneira objetiva e formal, porém de uma maneira informal pode ser trabalhado com uma equipe comprometida a um objetivo comum.

RH - Quem conduz o feedback deve passar por um processo de aprendizagem?
Andrea Umbuzeiro - O próprio processo de feedback deve ser considerado um aprendizado. Se fizermos uma analogia ao cotidiano, essa seria a melhor forma de conduzirmos a educação. O processo de comunicação começa com aprender a ouvir de forma aberta e impessoal, avaliar a informação para saber se é aderente ou não. Tanto para dar como para receber feedback é necessário reconhecer a si e ao outro, identificar os sentimentos, as necessidades e as reações. Uma boa ferramenta para esse aprendizado é o MBTI - Myerrs-Briggs Type Indicator®, que proporciona um autoconhecimento elevando à capacidade de comunicação.

RH - Já o profissional que recebe o feedback do seu desempenho e suas competências, também deve passar por algum treinamento específico?
Andrea Umbuzeiro - O processo de feedback dentro da organização é uma avaliação impessoal, voltada para a performance e os resultados. A tendência, na maioria das vezes, que o receptor leve isso para o âmbito pessoal o que gera uma série de conflitos pelo comportamento agressivo ou pela omissão. O treinamento é necessário para esse esclarecimento. Assim, pode-se perceber que o processo de feedback é uma oportunidade de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, pois estamos falando de pessoas.

RH - O feedback deve seguir um "roteiro básico"?
Andrea Umbuzeiro - Deve seguir um roteiro básico e orientativo, calcado nas atividades da equipe para manter o foco. O objetivo de um feedback é alinhar, promover a congruência dos objetivos do colaborador aos objetivos da empresa, adequando assim o comportamento e melhorando a performance.

RH - O que jamais deve ser feito durante a aplicação dessa ferramenta?
Andrea Umbuzeiro - A inadequação na aplicação da ferramenta é dar impressões pessoais, invadir o espaço alheio. Cada pessoa é única em sua forma de compreender e agir. É possível pessoas chegarem ao mesmo ponto desejado pela organização através de mapas diferentes. Só que uns "andam" mais outros menos. Cada indivíduo possui um ritmo, uma característica própria.

RH - Como o profissional de RH faz-se presente no processo de feedback?
Andrea Umbuzeiro - O profissional de Recursos Humanos deve estar presente desde o processo de implantação e implementação. Como gestor de pessoas o RH deve comprometer-se com o desenvolvimento da ferramenta através da boa comunicação. Ele será o mediador durante todo o processo, mantendo o feedback em um processo saudável e funcional na busca dos objetivos propostos.

 

Palavras-chave: | Andrea Umbuzeiro | feedback |

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COMENTÁRIOS (1)
Maria Carlota Boabaid de Carvalho em 08/04/2010:
Procuro repassar todos os seus textos sobre o tema avaliação de desempenho e feedback aos líderes da organização que trabalho. Os conteúdos são sempre elementos de aprendizagem, em especial, nesta metodologia que requer tamanha seriedade e maturidade. Parabéns!

 
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