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05/07/2011
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A integridade presente ao dia a dia das empresas

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

"Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também". Uma propaganda de cigarros veiculada nos anos 70, pelo jogador Gérson da Seleção Canarinho, que aparentemente não produziria grande repercussão, foi o ponto de partida para a conhecida "Lei de Gérson" que, valorizava comportamentos que em nada agregaram valor à sociedade. Se antes essa "lei" foi usada como desculpa para a manifestação de determinados comportamentos que não respeitavam os direitos das pessoas, hoje, pode ser usada como a antítese de valores que se apresentam em vários setores, inclusive no campo organizacional.
Hoje, por exemplo, valores pessoais como integridade apresentam-se no dia a dia das organizações como base para a cultura de muitas empresas. Isso não é por acaso, uma vez que as empresas são constantemente desafiadas a se enquadrarem a um processo de mudanças que reflete impactos nos stackholders - partes interessadas nas práticas de governança corporativa como acionistas, funcionários, clientes em potencial e a própria sociedade como um todo.
Para proporcionar uma análise sobre a presença da integridade no dia a dia das empresas e como essa se mostra inserida na vida de quem está presente nas organizações, o RH.com.br entrevistou a psicóloga e fundadora do Instituto da Pessoa, Berenice Kuenerz, que desenvolve trabalhos com foco no desenvolvimento humano para empresas de vários segmentos. Segundo ela, as empresas vivenciam um momento desafiador, onde o lucro não deve ser o valor maior, e sim a participação cooperativa e a busca de excelência consciente. "A integridade gera resultado em longo prazo, que se mantêm em uma base forte, uma vez que seja associada à competência e ao comprometimento de seus funcionários", sintetiza. Confira a entrevista na íntegra e avalie se o comportamento dos profissionais - que atuam na sua empresa - segue ou não por um caminho que os leva a uma postura ética. Boa leitura!


RH.com.br - Quem vive no ambiente organizacional sabe que o mesmo é um campo aberto para conflitos devido a fatores como forte pressão por resultados, estresse, divergências de valores e falta de integridade de alguns profissionais com seus pares. O mundo corporativo vive um momento conturbado e fugiu ao controle do próprio homem?
Berenice Kuenerz - A meu ver, o mundo corporativo vive um momento em que está sendo desafiado para uma mudança de nível de consciência, onde o lucro não deverá ser o valor maior, e sim a participação cooperativa e a busca de excelência consciente, onde existe verdadeiro alinhamento entre comportamento e valores. Acredito que o atual mundo globalizado, para crescer e desenvolver, ampliando cada vez mais a excelência consciente, precisará de uma visão mundicêntrica, citando Ken Wilber, onde a percepção sai do aprisionamento de "pequenos mundos" e se expande para o "todos nós", aumentando a capacidade das realizações.

RH - Existe diferença entre a integridade aplicada à vida pessoal, em relação àquela apresentada às organizações?
Berenice Kuenerz - No meu entender, não deveria, porque integridade não é uma técnica que se aplica aqui ou ali, de acordo com a situação. Integridade é um valor pessoal que se reflete em nosso comportamento no mundo. É um valor a ser buscado por todos, num processo pessoal de desenvolvimento e evolução, no qual cada situação, em qualquer área da vida, serve de experimentação, treinamento e aperfeiçoamento.

RH - Existe um conceito formulado para compreendermos melhor o real significado da integridade?
Berenice Kuenerz - Estou de acordo com o conceito dado a ela por Fred Kofman. Segundo ele, integridade não é apenas um valor particular semelhante à honestidade, e sim "aderência a um código de valores". Significa o alinhamento entre o comportamento e o código de valores.

RH - Hoje, o que faz a integridade parece ser uma utopia para algumas empresas?
Berenice Kuenerz - Integridade não deveria ser utopia, e sim "o negócio da china", porque gera resultado em longo prazo que se mantém em uma base forte, uma vez que seja associada à competência e ao comprometimento de seus funcionários. É possível que falte a essas empresas um alto nível de consciência, onde existe maior amplitude de perspectivas e sabedoria estratégica de visão em longo prazo. É importante lembrar que quem especialmente define, implanta, mantém e estimula o nível de consciência em uma empresa é sua cúpula.

RH - A integridade em uma empresa está diretamente relacionada aos valores corporativos?
Berenice Kuenerz - Penso que deveria estar, porque a empresa é prejudicada pela falta de integridade, em longo prazo. Seu ambiente é corrompido, sua imagem no mercado afetada e, consequentemente, seus lucros sofrerão mais adiante. Uma empresa assim não constroi autoestima em seus funcionários, e participar dela, provavelmente, não será motivo de orgulho e inspiração para eles. Uma empresa de excelência e de valores elevados torna-se um alavancador de melhoria em cada uma de suas pessoas, dando uma grande contribuição no âmbito social de uma cidade ou de um país.

RH -
Pode-se afirmar que a integridade acompanha a presença de competências comportamentais dos profissionais?
Berenice Kuenerz - Sem dúvida. Sem a presença de integridade, os valores que norteiam o comportamento não serão completamente confiáveis. A integridade conduz e firma esses valores na ação, sendo uma base. Porém, competências comportamentais podem ser vistas sob outros aspectos também, que incluem, por exemplo, respeito e habilidade nos relacionamentos, capacidade de empatia, capacidade de fazer contato e reconhecer seus sentimentos, persistência, resistência a pressão, bom humor e entusiasmo, entre outros.

RH -
O que diferencia uma empresa que fortaleceu a integridade junto aos seus funcionários, em relação às empresas que ainda não a valorizam?
Berenice Kuenerz - Penso que algumas das principais diferenças estarão na qualidade do ambiente de trabalho, no nível de participação e comprometimento dos funcionários, no nível de excelência e na construção de uma imagem de respeito no mercado. Uma empresa assim pode tornar-se imbatível, desde que tenha, também, incorporado aos seus valores um constante movimento de novos aprendizados, renovação e flexibilidade para mudanças, que devem acompanhar o acelerado desenvolvimento do mundo atual.

RH - Quais os impactos da integridade no ambiente organizacional?
Berenice Kuenerz - Os impactos são grandes e dizem respeito à qualidade das pessoas, sua capacidade de excelência, de relacionamento saudável e produtivo, como mencionado anteriormente.

RH - Pessoas que convivem com a integridade no ambiente de trabalho estendem esse "aprendizado" para além das fronteiras da empresa?
Berenice Kuenerz - Sim. É possível, porque a boa convivência é contagiante, como o contrário também o é. Esse "bom aprendizado" pode ser incorporado, estimulando o melhor da pessoa. Integridade faz bem ao corpo e à mente, porque traz um profundo sentimento de inteireza e bem-estar interno. A pessoa aprenderá isso e estenderá à sua família e aos amigos e, esses por sua vez, possivelmente levarão adiante. Por isso, podemos pensar que uma empresa de qualidade poderá ter uma função social de promoção e expansão de valores. O local de trabalho é um dos espaços que mais podem promover desenvolvimento e a evolução, a amplitude de ideias e de perspectivas, porque é nele que a maioria das pessoas passa grande parte de suas vidas, podendo ser fortemente influenciada por ele.

RH -
Ser íntegro em um meio onde reina a competitividade requer coragem da pessoa?
Berenice Kuenerz - Requer coragem e sabedoria. Porque a pessoa terá que aprender a aceitar algumas derrotas imediatas, às vezes importantes, mantendo a visão da vitória em longo prazo, o sentido do verdadeiro valor e da felicidade que vem da preservação de sua integridade e o respeito por si mesmo. Sem, porém, desvalorizar o sentido saudável da competitividade, onde as habilidades e os talentos são testados com respeito de ambas as partes, e as mentes, os corpos e os espíritos estimulados a irem mais além de suas fronteiras, impulsionando o desenvolvimento de todos. Quando perdemos, apesar de termos dado o nosso melhor, mantendo nossos valores internos e nossa paixão em participar das empreitadas que a vida nos trás, é o que penso que Fred Kofman chama de "sucesso além do sucesso".

 

Palavras-chave: | Berenice Kuenerz | cultura organizacional | ética |

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COMENTÁRIOS (3)
Celidalva Borges da Rocha em 19/09/2011:
Muito boa a reportagem. O sucesso da empresa se mede pelo grau de comprometimento que vem da preservação da integridade num ambiente competitivo, sem contudo deixar de exercê-lo para o crescimento mútuo. Aí está o que diz no texto "sucesso além do sucesso. Boa

Márcia Ilma em 31/07/2011:
Parabéns. Marvilhosa entrevista e sem dúvida faz a diferença em qualquer organização.

Andreia em 14/07/2011:
Parabéns pela entrevista. A entrevistada foi sensacional ao correlacionar a integridade às tendencias do mundo organizacional mais voltado aos valores e à busca da melhoria coletiva.

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