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28/05/2007
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Espírito de equipe na Embraco tem fórmula simples

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

A busca por ações que resultem no atingimento ou na superação de metas é a finalidade de qualquer empresa que queira assegurar a competitividade no mercado. No entanto, transformar esse objetivo em realidade é algo que geralmente não é fácil, pois é necessário mobilizar os colaboradores para que eles formem equipes e para isso, é preciso que exista entrosamento entre as pessoas. Mas, como fazer com que isso, de fato, aconteça no dia-a-dia corporativo? Como as organizações podem mobilizar os colaboradores para que todos atuem numa mesma linha convergente?

Para cada empresa existe uma alternativa. Isso irá depender do perfil da organização e, é claro, dos próprios funcionários. Na Embraco – empresa especializada em soluções para refrigeração, por exemplo, a “fórmula de sucesso” que consegue a mobilização expressiva dos colaboradores surgiu há dez anos, quando foi formado o Círculo de Controle de Qualidade (CCQ) – iniciativa que possibilita a realização de uma série de atividades que geram benefícios tanto para o ambiente de trabalho quanto para a comunidade.

A Embraco foi fundada em 1971, em Joinville/SC. Atualmente possui fábricas no Brasil, na Itália, na China e na Eslováquia e possui uma capacidade para gerar 25 milhões de compressores ao ano. No âmbito mundial, a organização emprega cerca de 10 mil pessoas. Desde maio de 2006, a Embraco atua, no Brasil, sob a razão social Whirlpool S.A., em função da junção da Empresa Brasileira de Compressores S.A. - Embraco com a Multibrás S.A. Eletrodomésticos. Entretanto, a Embraco continua a operar de forma estruturalmente independente, dada à peculiaridade de seus produtos.

De acordo com Valmir Dömer, coordenador geral do CCQ, as ações desenvolvidas pelos colaboradores têm êxito porque além do engajamento espontâneo de quase dois mil profissionais, os participantes dos círculos adquirem um know-how para identificar um problema interno e planejar o passo a passo para solucionar as questões corporativas. Os circulistas, como são chamados os participantes do CCQ, formam grupos de quatro a seis componentes e se reúnem tanto na empresa quanto fora do ambiente de trabalho. A relação entre eles torna-se tão forte que alguns grupos chegam a realizar reuniões em suas casas, tudo articulado de forma bem descontraída. Vale ressaltar que os grupos precisam realizar encontros periódicos, no mínimo mensais, e quando esses são agendados durante o horário de expediente precisam ser acordados com os líderes. Os gestores, diga-se de passagem, são grandes incentivadores dos participantes do CCQ.

Os circulistas da Embraco desenvolvem ações que visam resultados em várias frentes como, por exemplo: qualidade, custo, segurança, entrega, ergonomia, moral e meio ambiente. Os procedimentos para participar do CCQ da Embraco é relativamente simples. Depois de formar o grupo, os funcionários preenchem uma proposta onde será apresentado o projeto à organização. Essa, por sua vez, é entregue ao superior imediato que fica com a responsabilidade de avaliar a iniciativa. Caso essa seja pertinente, o projeto poderá ser homologado pela Embraco em até três meses. “A avaliação dos projetos é feita por oito coordenadores que atuam nas fábricas da Embraco e todos são voluntários nesse trabalho”, ressalta Dömer.

A forma de reconhecimento da empresa aos projetos apresentados pelos colaboradores não é feita através de premiações em dinheiro, pois isso poderia levar ao individualismo ou mesmo a uma competição acirrada, e esse não é o objetivo da empresa. Para estimular os funcionários, a organização oferece prêmios como jogos de panelas, home teather, panificadoras, bem como realiza sorteios para finais de semana em um hotel-fazenda com direito a acompanhante. Vale salientar que os projetos são classificados de acordo com os resultados que geraram para a empresa ou a comunidade e podem ficar em três faixas: 1, 2 e 3. “O grupo que for considerado da faixa 1, por exemplo, é convidado para visitar unidades da empresa que ficam em outros Estados”, comenta o coordenador geral do CCQ.

Quando questionado sobre a receptividade dos funcionários em relação ao CCQ, Valmir Dömer mostra-se bem animado. Ele cita que em dez anos de existência, já participaram 296 grupos e desses, 87% dos projetos apresentados foram considerados “Top’s” pela Embraco. “Nesses dez anos, os grupos implantaram 26.800 projetos de melhoria na empresa ou na comunidade, sem mencionar as campanhas anuais de arrecadação de roupas, calçados, brinquedos, alimentos, doação de sangue e, mais recentemente livros”, afirma o coordenador geral do CCQ da Embraco.

Por fim, ele acrescenta que depois da implantação da iniciativa, a Embraco observou que ocorreu uma sensível melhora na integração dos funcionários, pois existe uma mescla muito significativa dos grupos, uma vez que participam desde operadores até profissionais que atuam em cargos de liderança. Outro benefício observado é o fato de que os circulistas acabam assumindo o papel de agentes multiplicadores de informações de interesse da organização.

Palavras-chave: | Embraco | grupo | controle | qualidade |

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