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30/05/2005
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Repensando as funções da gerência

Por Federico Amory para o RH.com.br

Parece que quanto mais se mexe, mais inconformidades aparecem, e... sinceramente, creio que tem que ser assim. O questionamento sobre a eficácia e a eficiência das funções gerenciais deveria ser permanente. Todos nós sabemos que a única coisa constante hoje em dia, é a mudança e quem não se atualiza e se questiona, praticamente está andando para trás.

Tanto no meio empresarial, como no acadêmico tem se dado muita importância aos modelos de gestão que permanentemente se renovam, e nas rodas de empresários, diretores e consultores, fala mais alto aquele que conhece a última sigla (em inglês claro!); porém, pouca ou nenhuma importância está se dando à adequação das funções tradicionais de gestão, junto a essas modalidades e às próprias necessidades do mercado local.

Fico observando por exemplo, quando as pessoas assistem a palestras, congressos, workshops etc., estão cheias de gás, entusiasmadas e determinadas a fazer acontecer e lutar contra o inércia e o comodismo dos condicionamentos; mas quando começam a encontrar barreiras e até críticas por querer melhorar algum procedimento ou processo, acabam desistindo logo no terceiro, quinto dia. Então fico me perguntando, qual foi o objetivo de mandar esta pessoa para o seminário?, foi só para aprender alguma coisa? o foi para aplicar alguma melhoria na empresa?. Se o motivo real é o primeiro, então, é melhor comprar alguns livros para ler, sai mais barato, e a pessoa não tem que se ausentar da empresa, perdendo um tempo precioso.

Um dos paradigmas que mais tem limitado as organizações de alcançar maiores participações no mercado, ainda, é o pressuposto: "Eu penso e você executa" - nenhum ser humano se sujeita a isso cem por cento, pode tolerar em parte, porque precisa do emprego, mas o intolerável, mesmo sem perceber, é transformado em rebeldia.

Qual a melhor maneira de reverter essa situação? A experiência tem demonstrado que é preciso dar oportunidade às pessoas de participar mais diretamente na vida da organização, não só executando, como também reflexionando e buscando melhores níveis de desempenho, chegando ao nível de experimentar a satisfação de participar na execução das suas próprias idéias e sugestões, isto é, provocando a capacidade criativa e desenvolvendo a competência coletiva, aprendendo uns com os outros.

Algo que aproxima e motiva muito as pessoas nas empresas é o aprendizado em equipe. O aprendizado não pode continuar sendo realizado como uma reação às crises, ou simplesmente reativo, ele tem que ser planejado e executado como aliado indispensável em qualquer processo de mudança estratégica, de tal forma que seja um impulsionador convergente aos objetivos estabelecidos.

A nova onda nas empresas para desenvolver vantagens competitivas, agora é a gestão do potencial humano, popularmente chamada de gestão de RH. Por exemplo, uma pesquisa recente realizada pelo Hay Group do Brasil, onde se pesquisaram as 185 melhores empresas na gestão de pessoas em 2004; constatou-se que as 35 melhores com relação ao clima organizacional, tinham em média 38% margem líquida maior, além de uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido 25% superior às outras.

Essa é maior prova de que vale a pena investir nas pessoas e na organização. Não é à toa que vários empresários visionários já quantificaram os prejuízos que têm ao contratar impulsivamente e pelas simples indicações de parentes e amigos. Um grupo menor ainda está utilizando os meios de comunicação em massa, como televisão e a Internet para, através de jogos empresariais, selecionar aqueles que mais se destacam. É a Gestão com foco e através das pessoas.

Estas mudanças do mercado estão obrigando as empresas (e os líderes) a mudar seu atual sistema de tomada de decisões, para um novo sistema que seja:

a) mais participativo, estimulando e valorizando as experiências e conhecimentos adquiridos;
b) mais rápido, com decisões tomadas por quem está mais perto do problema, e não através de uma complicada e burocrática linha hierárquica;
c) mais eficiente e eficaz, utilizando e compartilhando o conhecimento e a inteligência de um número maior de pessoas, e não apenas dos gerentes.

Minha intenção nesta série de artigos é encorajar você empresário/gerente, para que se questione o tempo todo, aceite o desafio e desenvolva seu próprio modelo de gestão do negócio, através das pessoas, considerando a experiência que tratarei de passar pra você através destas linhas. Até o próximo artigo!

Palavras-chave: | líder | gerência |

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