Lourival Antonio Cristofoletti 
Como ponto de partida procure ter uma boa gestão de você mesmo, das suas coisas, das suas prioridades, do seu tempo: tudo começa sempre na pessoa. Passe a limpo os seus pontos fortes, procurando definir estratégias para extrair o melhor proveito deles. Não esqueça dos pontos a desenvolver, analisando quais deles precisam de uma atenção urgente, com destaque para aqueles com impactos diretos e imediatos na nova carreira.
Embora seja natural assumir diversificados papéis (de pai, de filho, de amigo, de chefe, de subordinado etc), a sua formação como indivíduo (valores, ética, transparência, princípios) norteará toda a sua conduta profissional nos diferentes papéis. Leve sempre em consideração que essas duas vertentes são interdependentes, complementares e indissolúveis.
Sempre nos amparamos em referências para construir a nossa identidade: é comum admirarmos diversos gerentes com quem já trabalhamos ou sobre quem lemos. Preste atenção em tudo, separe o que mais lhe interessa, mire-se nos bons exemplos e nos modelos vitoriosos, mas, acima de tudo, seja você mesmo, valorizando, no seu estilo de trabalho, as suas virtudes e os seus diferenciais competitivos, que, certamente, são muito significativos.
Você tem virtudes que os seus gerentes exemplares nunca tiveram ou terão: em contrapartida, não queira repetir atitudes e estilos que você julga maravilhosos neles, mas que nada têm a ver com a sua realidade e o seu jeito de ser. Não queira, pois ser ou demonstrar ter aquilo que não combina com o seu jeito, a sua educação, a sua formação, a sua personalidade: não vai dar certo, com certeza.
Preste atenção, também, naqueles profissionais com condutas questionáveis, em termos éticos, profissionais (competência), principalmente nas limitações deles: podemos, também, aprender muito em termos de posturas a serem evitadas. Não desperdice, assim, essas ricas oportunidades de aprendizado com aqueles cujas convicções e atitudes abominamos.
Mostre-se receptivo e procure ter amizade pelo menos protocolar com todos. Fuja, entretanto, do modelo paizão, aquele que é um grande protetor e um grande quebrador de galhos, que faz vista grossa para muitas falhas e omissões. Não se iluda com a possível popularidade paternalista que esse estilo aparentemente traz (tapinhas nas costas, elogios encomendados): esse tipo de profissional é extremamente conveniente para quem quer cumplicidades negativas, mas ele nunca será amado, nem mesmo admirado, ficando sempre para esse popularesco profissional a pecha da fraqueza, da frouxidão, da incompetência.
Não se prive de tomar medidas impopulares: dizem que a melhor maneira de causar uma irritação geral é tentar agradar a todos. Além disso, no mundo da administração e dos negócios há um consenso de que os desiguais devem receber tratamentos diferenciados (é um sinal de competência e de inteligência adotar esse princípio).
Nas negociações construa sempre uma saída honrosa para o vencido. Saboreie a vitória e se contente com isso: você não precisa aniquilar nem espezinhar aquele que levou a pior, além do que esse provavelmente não será o último embate entre vocês. Além de ser um gesto que revela grandeza de alma, não se esqueça, também, que o mundo dá muitas voltas, e é perfeitamente natural vocês se reencontrarem futuramente em novos e surpreendentes contextos.
Outra sugestão é fazer uso da empatia pragmática, na vida e nos negócios, ou seja, em vez de fazer para o outro o que gostaria que fizessem para você, faça para o outro exatamente aquilo que ele gostaria que fizessem para ele.
Você será muito mais respeitado e se sentirá mais acolhido no grupo na hora das críticas à conduta de cada um deles se tiver a generosidade, a grandeza e a competência de tecer elogios nos momentos em que eles se mostrarem pertinentes.
Para cada crítica que pensar ou formular para os subordinados, procure listar três virtudes/dons/habilidades que fazem essas pessoas ser especiais. Adote idêntico procedimento com relação a você, nas suas habituais auto-reflexões.
Cuidado com o elogio público a alguém do seu grupo, que se destaca: ao contentar um, você poderá estar descontentando muitos outros, que se julgarão também merecedores de igual distinção. Quanto às críticas, elas deverão ser feitas em separado, começando, também neste caso, por um elogio, fazendo sanduíche de feedbacks: primeiro um aspecto positivo sobre a pessoa; depois um ponto a desenvolver; novamente uma virtude; e assim por diante.
Promova, de vez em quando, reuniões com pauta livre, sem nenhum assunto predeterminado: é uma ótima maneira de obter informações sobre como eles estão se sentindo, quais os assuntos e as preocupações que mais estão lhes chamando a atenção, qual o grau de satisfação da equipe, além da possibilidade de você obter valiosas dicas e ricas sugestões.
São algumas formas simples de demonstrar quem você é, o que pensa e, principalmente, de exercitar formas de interação com o seu grupo. Mostra, assim, através de sua conduta diária, que está preocupado com a valorização e o crescimento de cada um dos componentes. Constitui uma maneira prática de pavimentar o seu caminho, sendo reconhecido e admirado no grupo como alguém que extrapola os limites do conhecimento e da utilização de ferramentas de gestão com foco puramente negociais.
Palavras-chave: | gerente | gestor | liderança | líder |
Seja o primeiro, clique no ícone disponível logo acima e faça seus comentários. 



