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27/10/2008
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Liderança na esfera do Judiciário

Por William Ervedeira Maillaro para o RH.com.br

A literatura sobre liderança tem se multiplicado a cada ano. Liderar pessoas é, sem dúvida, um tema de discussões e de desenvolvimento de boas práticas em todas as esferas da sociedade, permitindo assim, a eficiência em Gestão de Pessoas.

Mas ao olhar para a iniciativa pública nos parece que há uma grande distância de conceitos aplicados ao tema “Liderança”, se compararmos à iniciativa privada. Felizmente apenas parece. A pedido de um amigo meu que trabalha na esfera judiciária escrevi algumas orientações de como ser um líder neste setor e após algumas pesquisas cheguei a boas conclusões.

Um profissional que está à frente de uma organização pública deve fazer uma grande reflexão. O líder deve compreender os desafios da gestão pública, uma vez que grande parte das instituições ainda está desenhada a partir de princípios organizacionais antigos, voltados ao valor que se dá a um profissional conforme a hierarquia. Conta com uma forte especialização funcional e comunicação deficiente.

Quando participei do 2º CONVIRH - Congresso Virtual de Recursos Humanos - organizado pelo RH.com.br, conheci o trabalho realizado pela Secretaria de RH do TRT da 12ª Região/SC. Ressaltou-se que os gestores devem adotar princípios modernos de administração e gestão, saindo da esfera técnico-funcional para uma gestão estratégica. Os profissionais devem ter perfis mais flexíveis e voltados para o aprendizado contínuo. Os objetivos devem estar em torno de capacitação, desenvolvimento e profissionalização. Portanto, quais competências um líder deve ter dentro da esfera do Judiciário? Eu cito aqui seis delas:

1) Colocar o cidadão no foco central: A necessidade de muitos se sobrepõe às necessidades de poucos. Este axioma vulcano, dito pelo famoso ator Leonard Nimoy, que interpretou o Dr. Spock no seriado Jornada nas Estrelas, é uma sentença que não precisa ser provada. É a base para o que chamamos hoje em dia de liderança servidora. Ser um líder na esfera judiciária é aprender a servir. Não se deve depender de uma posição hierárquica para exercer a liderança. Qualquer funcionário do Judiciário pode liderar desta forma, sempre que estiver colocando o cidadão no foco central das suas atividades.

2) Ética: O que motiva e orienta o seu comportamento? A obrigação de ser ético vai além da realidade dos negócios. Profissionais devem estar preparados para enfrentar situações as quais os levem sempre a decisões baseadas com ética e responsabilidade. Observar o ambiente e a situação que o líder se encontra no momento de uma tomada de decisão, ajudará sempre a decidir com ética.

3) Confiança: O sucesso de um time vem antes do sucesso do líder. O seu time terá sucesso se a confiança for mútua em todos os níveis de departamentos. Confiança é poder definir limites e pedir que o seu time tome uma decisão mesmo quando você estiver fora de combate. A equipe também ficará muito mais confiante, quando você for exigido para uma tarefa e respondê-la à altura com muita inteligência emocional. Muitos líderes desaparecem na hora do maior desafio, deixando o grupo entregue à derrota.

4) Planejamento: Planejar é uma ciência. Muitos líderes não sabem planejar e na hora da execução falham. Quando estava no Ensino Fundamental, aprendi a jogar xadrez e uma das lições que tive é que para se ganhar é preciso planejar o jogo, e muito. Mesmo que você perca alguns peões, é necessário movimentar as peças, para que no momento certo você execute o xeque-mate. Nem antes e nem depois; no momento certo. O líder também deve planejar quantitativamente (tempo e custo necessários) e qualitativamente (tempo investido versus custo da ação). Fazer mais com menos é uma lei que é válida em todo o planeta Terra e talvez até entre os vulcanos do Dr. Spock.

5) Conheça-se e conheça o seu time: Não se pode mais admitir que um líder não tenha inteligência emocional. Daniel Goleman, em seu livro inteligência emocional, deixou claro que os líderes devem identificar as próprias emoções, administrar suas emoções, motivar a si e aos outros (motivar-se para a ação), identificar as emoções dos outros, e administrar seus relacionamentos. Estou certo que é o necessário para conhecer-se e conhecer a sua equipe de maneira efetiva. Afinal, como aprendi com um amigo meu, os 4Ps da esfera do judiciário são: atrás das Pilhas de Processos existem Pessoas que Pensam.

6) Ajuste as velas: Eu recebi pela Internet um e-mail comparando o Titanic e a Arca de Noé. Nele dizia que o Titanic foi construído por profissionais e a Arca por amadores. Eu discordei no ato. Se pensarmos qual dos dois atingiu o objetivo, temos a resposta de pronto. O Titanic foi construído por profissionais, mas foi conduzido por comandantes amadores. Eles não ouviram nenhum dos seus colaboradores e bateram em uma grande plataforma de gelo. Já a arca, teve a participação de todos desde a concepção até o atingimento do objetivo, com papéis claros a todos os integrantes da equipe. Um líder deve estabelecer o rumo conforme as mudanças internas e externas, ouvir o que os outros têm a dizer, ter visão e influenciar pessoas.

Espero que você se torne um grande líder. Mesmo se você for uma pessoa mais técnica, nunca perca o foco de que liderança é influenciar pessoas. Aproveite para se conhecer mais e conhecer melhor as pessoas que trabalham com você. Entenda como elas reagem a determinadas situações. Tenho certeza de que você será um líder eficiente em pouco tempo.

 

Palavras-chave: | líder | Judiciário |

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