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17/08/2009
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Coaching: um diálogo que transforma pessoas e organizações

Por Ada Maria de Assis e Silva para o RH.com.br

Considero corajosa a atitude de dar e receber feedback. Receber um feedback honesto de como melhorar nossa eficácia e performance pode levar a grandes avanços em nossa vida profissional e pessoal. Se nos predispomos a ouvir, analisar e tomar atitudes concretas para mudar nosso comportamento, mudamos a nós e o mundo a nossa volta. Como já dizia o grande Winston Churchill: "Coragem é o que é preciso para ficar de pé e falar; coragem é também o que é preciso para sentar e ouvir".

A primeira responsabilidade de um líder é definir a realidade. É necessário mostrar a seus liderados a estrada que estão trilhando, apontar opções e ajudá-los a tomar uma nova estrada, e principalmente auxiliá-los a persistir nesta mudança. Onde estarão os gestores que sabem que o bom feedback tem que ser direto, honesto e específico, e que o mau feedback é vago, evasivo ou hostil?

Nossos líderes estão contaminados por séculos de um paternalismo que começou com a colonização portuguesa, avançou nos engenhos de cana-de-açúcar e nas plantações de café. Migrou da sociedade rural para a urbana no começo da nossa industrialização e ganhou status permanente com a ditadura peculiar de Getúlio Vargas, que ficou conhecido como "pai dos pobres".

Paternalista é aquele líder que protege ou beneficia o funcionário muitas vezes em detrimento da empresa e cujas concessões ficam fora do que se espera de uma racionalidade técnica ou econômica. O paternalismo assume, então, condição de antônimo de profissionalismo administrativo, que se caracteriza pela impessoalidade e pela prevalência dos interesses empresariais, aliados ao desenvolvimento do capital humano.

Desta forma, as pessoas se eximem de dar feedback - sejam eles bons ou maus -, pois a nós, brasileiros, nos desagrada o conflito, seja pelo nosso ideal de harmonia, moderação, ordem e consenso, seja porque tanto líderes quanto liderados buscam maneiras indiretas para comunicar suas opiniões.

Temos dificuldade em entender que existem desigualdades de performance e que elas não são oriundas exclusivamente de condições sociais. Dentro desta cultura, os gestores isentam o profissional de responsabilidade por um melhor ou pior desempenho. Conhecido também é o isolamento que os líderes experimentam ao alcançarem o poder, pois deixam de receber feedbacks honestos sobre seu desempenho de seus liderados e pares.

Nada poderá se construir em termos de desenvolvimento de novas competências, responsabilidade e crescimento profissional com este tipo de liderança e comportamento. É necessário descortinar este cenário de paternalismo, "jeitinho" e passividade que ainda permeia muitas culturas organizacionais, e que podem ser mudadas através do uso de novas ferramentas de transformação de liderança como o coaching.

Através dos diálogos com um coach externo, as pessoas ganham a chance de entender como são percebidas pelos outros, se estão em alinhamento com as necessidades do momento presente, se estão comprometidas com a sua transformação pessoal e de seus liderados e assim, atingirem performances de desempenho capazes de criar organizações saudáveis em todos os níveis hierárquicos.

O coaching é um relacionamento produtivo entre duas pessoas com uma intenção verdadeira: uma que quer realmente seguir adiante e outra que deseja ajudar essa pessoa a completar sua jornada. As empresas devem, enfim, considerar seriamente a contratação desta consultoria individualizada, que visa à transformação dos profissionais na busca de atingir resultados econômicos genuínos e mensuráveis.

Palavras-chave: | coaching |

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COMENTÁRIOS (7)
gilvan lopes de farias em 07/02/2010:
Oi Ada. Há muitos anos atrás, eu fiz um Curso chamado T.W.I. - Training Whitin Industry, de cujos ensinamentos não me saem da mente até hoje. E olha que naquela época, as coisas não eram assim globalizadas como as de hoje. Mas aprendi que o feedback é e continua sendo a melhor forma de um líder se aproximar do seu melhor aprimoramento. Deve ter sempre a coragem expressa na frase de Winston Churchill, muito bem lebrada por você. Parabéns. Vá em frente e continue assim. Feliz Carnaval. Muito axé e samba no pé.

Edilma Guzzo em 23/10/2009:
Ada, excelente artigo. O tema coaching está em alta, pena que alguns profissionais que têm oportunidade de fazerem este papel estão muito preocupados com sua própria carreira, e não dão feedback, deixando sua equipe navegar ao sabor dos ventos. Após 18 anos de carreira, os meus feedback's são as promoções que consegui com meu esforço, dedicação e compromisso com meu trabalho. Não devemos esperar nada de ninguém e sim determinar nossos objetivos e os caminhos para alcançá-los, se no meio do caminho encontrarmos alguém para nos ajudar será ótimo. Não podemos nos esquecer que Deus deve estar sempre à frente das nossas empreitadas, a força espiritual é a principal.

Valéria Garcia em 22/08/2009:
O importante de um feedback é você captar o que precisa para melhorar, mas antes disso você precisa saber que sempre podemos melhorar. Parabéns Ada. Você sabe que muitos não acham que precisam de feedback e muito menos de um coaching. Abraços Valéria

sueli paixao em 21/08/2009:
Além das atitudes necessárias, no mundo do trabalho, a autora alerta-nos para algo meio esquecido nas relações pessoais, no cotidiano do trabalho: o de saber ouvir, compartilhar (sem medo) o desejo de ensinar e o de aprender juntos, com o comprometimento de aceitar o feedback. Valeu. Dizer sobre valores e princípios, é algo muito árduo nesse mercado de iguarias falsas e de senso de esperteza. Parabéns pela iniciativa. Sucesso, vc merece.

Luiz Adriani Garcia em 20/08/2009:
Parabéns, nos remete à importância do feedback e esclarece sobre o coaching.

Dárcio Arruda de Oliveira em 20/08/2009:
Ada, como sempre você faz o uso das palavras de forma simples e direta, assim todas as pessoas entendem o que está transmitindo. O texto está maravilhoso. Parabéns

Eugen Pfister em 20/08/2009:
O texto é, usando as palavras da autora, corajoso. Gostei, principalmente, por fugir das mesmices que poluem boa parte dos artigos envolvendo temas relacionados a RH. Creio que faltaram uns pitacos para os coachs que receiam confrontar as fantasias de alguns orientados, pois, temem admitir que nem sempre o cliente tem razão.

 
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