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08/09/2009
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Superação e liderança em tempos de crise

A. J. Limão Ervilha

Conhecem aquele adágio: "Enquanto uns choram, outros fabricam lenços"? Nada mais verdadeiro do que mostrar uma atitude positiva na superação de crises. Somente aquele que chora por "um resto de esperança" é que fica "sentado à beira do caminho", como diz a música.

A meu ver, a expressão "esperança" deveria ser banida da Língua Portuguesa. E é justamente em tempos de crise que surgem os esperançosos. Pessoas que se colocam à mercê da providência divina, e ficam esperando que as coisas mudem ou até mesmo que a solução caia no colo. A palavra que norteia - ou pelo menos deveria nortear - os seres humanos é "necessidade". A necessidade faz com que se tenha que correr atrás, para supri-la, porque deriva de uma carência ou da falta de algo.

A palavra que devemos celebrar em nosso dialeto é "expectativa". Quando eu disse isso em uma palestra no Recife, uma participante me procurou depois e disse: "Que coisa horrível você disse, eu tenho esperança. Eu espero engravidar, quero ter filhos". Perguntei-lhe se estava fazendo alguma coisa para que isso acontecesse; ao que me respondeu: "Sim, vou ao médico, faço exames, tiro minha temperatura, tenho relação sexual no período fértil". Então, eu disse: "Você não tem esperança, tem expectativa, porque está tomando atitude, fazendo uma série de coisas para o que quer aconteça". E o resultado foi melhor do que ela podia imaginar: teve gêmeos.

Princípios para o líder enfrentar a crise - Conhecemos o líder em momentos de crise. Alguns ficam entrincheirados em suas mesas, analisando relatórios, dados e orçamentos, esperando que a situação mude. Outros não. Procuram agir sobre os acontecimentos, tomam atitudes, fazem as coisas acontecerem, colocam-se frente aos problemas, criando expectativas. Vejamos os três princípios para superar uma crise:

1º. Seja engajado e engaje as pessoas.
Lidere a partir do exemplo. Mostre-se à equipe, discuta sinceramente os problemas. Comunique-se permanentemente com seus liderados. Contagie as pessoas com uma atitude positiva. A verdade é que se agir sobre os fatos, mudará a realidade.

2º. Crie uma visão, uma direção, um significado.
Visualize um quadro futuro e comunique-se com convicção e entusiasmo contagiantes. Isso inspira as pessoas e as fazem suportar as dificuldades, superando-as. Moisés trabalhou a visão da terra prometida e assim o povo suportou o deserto. No início do ano, Lula disse que "Em 2010 nós já teremos esquecido a crise", em uma atitude clara de estabelecer uma visão.

3º. Mexa com a equipe.
A hierarquia é o maior inimigo da crise. Esperar ordens serem dadas não funciona. Atitude sim. Discuta os problemas com a equipe, procurem a solução juntos. Deixe-os participarem. Um bom exemplo é a exploração do Pólo Sul, quando tivemos na corrida dois líderes, Scoth e Amundsen. Scoth era militar, seu comando era rígido e somente ele dava ordens. Todos morreram de fome e de frio na tentativa da chegada. Amundsen discutia com seus liderados, aceitava as melhores ideias e as executava. Assim, chegou ao Pólo Sul e voltou com vida. Ele e a sua equipe.

Extraia o que há de melhor nas pessoas, as inclua. Isso gera motivação e estímulo para tomar atitudes, criando expectativas, buscando soluções. É esse "o seu papel de líder em tempos de crise".

Palavras-chave: | adversidade | liderança | estilo de liderança |

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COMENTÁRIOS (1)
Luciano Santana em 09/09/2009:
Penso que excluir a palavra esperança do nosso dicionário é um grande equívoco, pois ela encontra-se consolidada como a utopia mobilizadora do ser humano. Somente quem tem esperança é capaz de alavancar as mudanças necessárias. Somos contra reducionismos.

 
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