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22/03/2011
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Talento e liderança

Por Carlos Alecrim para o RH.com.br

Há alguns anos atrás fui demitido pela primeira vez na minha vida! Tinha boa maturidade pessoal e profissional. Já tinha passado por alguns excelentes desafios profissionais, mas sempre escolhendo, sempre provocando as mudanças em minha carreira. Sempre com as rédeas na mão, ou pelo menos sentindo que tinha o controle da situação.

Na saída dessa empresa, eu tive direito a um bom pacote e pude escolher entre duas das melhores empresas de outplacement do mercado. Fiz assessment, orientação de carreira, marketing pessoal, networking etc. Podia não fazer nada disso, pegar o dinheiro e pronto! Lembro como se fosse hoje quando o presidente me disse: - "Recomendo fortemente que você faça o processo de outplacement". E ele tinha razão, foi a melhor coisa que fiz.

Eu não conhecia aquele sentimento de falta de rumo, que normalmente sentimos quando "somos saídos" de uma empresa, do nosso emprego, do nosso projeto de vida. Era o meu caso.

E, embora maduro, naquele momento, e por um bom período de tempo, me senti inexperiente, pois pela primeira vez tiraram minha mão do volante, tiraram as rédeas da minha vida. O sentimento de impotência foi péssimo! Hoje sei que são naturais e normais todos os sentimentos que tomaram conta de mim. Mas, naquele período, passei por caminhos interiores que jamais havia percorrido e hoje posso afirmar que qualquer chefe, executivo ou empresário que nunca passou por essa experiência não está completo como líder.

Caso o profissional demitido passe por todo o processo de assessment, planejamento de carreira, autoconhecimento, reflexões, análises de condutas e re-invenção, ele se reconstroi!

Também conclui que, além das técnicas de liderança (lidas e aprendidas, em cursos ou no dia a dia), o que define o líder é o seu padrão mental, fruto de uma inabalável crença e determinação, construídas quando você percebe claramente "o que te move e o que te define como ser humano". É fundamental saber, de forma clara e concreta, o que te dá prazer e realização!

Por realização você deve entender, resultados práticos e mensuráveis na sua vida pessoal e familiar, na sua vida social e na sua vida profissional (carreira, equipe e empresa).

No meu processo, usei todo o período de outplacement para um profundo regresso às minhas formas mais naturais de pensar e viver. Eu refiz todo o processo de autoconhecimento e coloquei todo o meu foco nas competências comportamentais.

Neste período precisei lembrar de todo o meu valor, sustentar minha autoestima e reconstruir minha autoconfiança. Eu fui mais um executivo contratado por competências técnicas e que foi demitido por competências comportamentais. Isto acontece quando o líder não está pronto para aquela situação, para aquela equipe, ou ambos.

Foi muito curioso perceber que, neste período, a tendência natural é:
- pensar que você é menos do que realmente é;
- valorizar menos do que as outras pessoas, as suas próprias experiências, e
- menosprezar "as características mais marcantes e que te definem".

Em meu processo, este último item tornou-se bastante desafiador e fundamental para mim! Comecei a estudar coaching e desenvolvimento de talentos com a determinação que sempre tive, canalizando toda a minha experiência como gestor em educação executiva e desenvolvimento humano. Já fazia mentoring e couseling para diversos executivos e alunos que procuravam maior ajuste ou novo rumo em suas carreiras.

Na recolocação, procurei uma nova empresa na qual pudesse colocar esses projetos de coaching e onde eu pudesse empreender projetos dessa natureza. Garimpei, negociei e encontrei.

Hoje, posso garantir que sem uma análise profunda do perfil, clara identificação dos talentos e das âncoras de carreira, associadas a uma grande determinação e capacidade de executar, você jamais será "o senhor do seu destino e capitão de sua alma", como diria Nelson Mandela. Mas, cuidado! Talento é aquilo que você faz de forma simples e natural, com facilidade e prazer, e por isso mesmo você desdenha e pouco valoriza em você!

Alguns bons estudos, experiências com tantos alunos de MBA's e profissionais em cargos de chefia e liderança levaram-me a algumas reflexões que quero dividir com vocês:

1. Devemos procurar atuar com coisas óbvias e soluções simples. Soluções inovadoras e desafios estimulantes passo para a minha equipe e apoio na execução.

2. Devemos focar nas pequenas vitórias, que permitirão progredir um pouco a cada dia. Projetos ambiciosos e bem-definidos são ótimos para trabalhar em equipe.

3. Logo, o meu trabalho é incentivar meu pessoal a inovar, sem medo das ideias ruins.

4. Devemos buscar uma assertividade equilibrada, mas sem "normose", evitando impor a minha própria idiotice à equipe.

5. Procuro usar o tempo para as soluções, pois o tempo perdido para encontrar os culpados é o mesmo.

6. Meu trabalho é servir e apoiar, pois "como fazer" é tão importante quanto "o que fazer".

7. Procuro liderar pela congruência, lutar como se estivesse certo e ouvir como se estivesse errado, porque é possível que tudo isso aconteça.

8. Sei que influencio as pessoas, logo tenho que ter uma sensibilidade responsável e uma percepção madura do que significa trabalhar para mim ou comigo.

9. A dor de uma verdade é menor que o desrespeito de uma mentira.

10. Frequentemente, vou cometer erros!

 

 

Palavras-chave: | crescimento profissional | estilo de liderança | equipe |

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COMENTÁRIOS (3)
benta em 19/07/2011:
Quando vi seu comentário parecia que eram minhas próprias palavras, dicernindo os meus sentimentos .

Marcio Aizza em 29/03/2011:
Olá,Carlos. Estou tentando passar de operacional para tático, e minha conclusão do texto é que tenho habilidades técnicas e também me faltam as comprotamentais. Parabéns, este seu texto é simplesmente orientador e esclarecedor, coisa de coaching mesmo.!

rodrigo mineli em 23/03/2011:
Excelente texto, Carlos. Obrigado por dividir suas experiências.

 
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