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12/09/2011
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Sustentabilidade gerencial

Por Wagner Duarte para o RH.com.br

O executivo que busca destacar-se no meio empresarial, obtendo visibilidade, precisa apresentar diferenciais em sua gestão e estar obrigatoriamente em constante processo de mudança e desenvolvimento. Contudo, mudança sem sustentabilidade é como chuva de verão: intensa, mas passageira! Percebo, em minha vivência profissional, muitas iniciativas interessantes, ideias extraordinárias, executivos brilhantes e cheios de energia para promover a mudança. Porém, sem se preocuparem com os elementos que garantirão o equilíbrio e a perpetuidade de um determinado projeto, o que acaba transformando todas estas forças em grandes fraquezas.

Estamos na Era da Sustentabilidade: ouvimos e lemos frequentemente sobre sustentabilidade ambiental, ecológica ou até mesmo social, mas dificilmente falamos sobre a sustentabilidade específica do processo de gestão, isto é, aquela que gera a eficiência no "eco-sistema" gerencial.

Assim como os rios poluídos e fluentes destruídos, muitas empresas estão morrendo contaminadas pela falta de estratégia com seus produtos e serviços; assim como as florestas desmatadas e queimadas, os sistemas integrados e os processos existentes não correspondem às necessidades organizacionais; no lugar de espécies ameaçadas de extinção, perdemos talentos que estão desmotivados em busca de mais valorização profissional.

Dentro desta linha, é importante destacar que cada problema ou desequilíbrio apresentado, seja na biodiversidade ecológica, seja na adversidade corporativa, possui uma relação de interdependência sustentável, isto é, um problema desencadeará o outro podendo tornar-se irrecuperável, se não enxergarmos e agirmos em tempo para alterar o estado de ciclo vicioso de fracasso para um ciclo virtuoso de superação.

Vamos compreender esta ideia de sustentabilidade no mundo corporativo, utilizando-nos do conceito dos TRÊS P's (pilares) da sustentabilidade gerencial: produto, processo e pessoa.

Definiremos como produto toda e qualquer obra tangível ou intangível (serviço) produzida para venda ou comercialização, com o objetivo de gerar resultados para uma organização. Imagine uma empresa com um excelente produto ou serviço: uma obra inovadora e diferenciada no mercado, com uma excelente aceitabilidade e uma crescente demanda. Contudo, esta empresa não possui ferramentas suficientes para planejar as suas ações estratégicas, seus processos internos são precários, o acompanhamento e o controle dos resultados não existem, os sistemas gerenciais são ineficientes. As pessoas que ali trabalham estão fora de um perfil desejável para trazer sinergia e pró-atividade, não são capacitadas e não possuem formação adequada para atuarem nas posições que lhe foram designadas. Resultado: o produto por si só não se manterá por muito tempo, pois inexistem ali os outros pilares de sustentabilidade gerencial: pessoas e processos.

Quando citamos o processo, queremos representar todas as rotinas, atribuições, tarefas, sistemas, diretrizes, tecnologias e processamentos indispensáveis para a produção, funcionamento e resultado de acordo com os objetivos e metas definidos pela alta gerência da empresa. Digamos que, porventura, esta mesma empresa tenha contratado uma consultoria que diagnosticou o problema do processo, propondo a padronização e a "rotinização" de todas as atividades e atribuições, otimizando e informatizando as atividades manuais, através da implantação de um extraordinário sistema de gestão integrado, com uma base de dados única, com emissão de relatórios gerenciais eficientes e fidedignos, bem como uma fantástica customização ao novo modelo de gestão, implantando também ferramentas e equipamentos altamente tecnológicos para a eficiência do processo administrativo e operacionalização dos produtos e serviços da empresa.

Resultado: mesmo diante do enorme investimento supramencionado (consultoria, equipamentos, tecnologia e informação), ainda assim, o sucesso da gestão continuará ameaçado, devido à falta de um pilar indispensável para o alcance da sustentabilidade gerencial: as pessoas.

Gostaria de destacar que este exemplo, por incrível que possa parecer, é algo muito presente e comum nas organizações. Mesmo quando o sistema é extremamente eficiente, muitos justificam o fracasso de suas atividades devido à implantação do novo sistema de gestão. Surgem, então, comentários do tipo: "Antes deste sistema, as coisas aqui funcionavam melhor!" ou "Quando o controle era manual, não tínhamos este tipo de problema.". Conclusão: O tripé nunca se sustentará com apenas dois pilares. As bases tornam-se inúteis quando são aplicadas fora do seu contexto sistêmico (tripé: três pilares ou bases).

Para finalizar, definiremos como pessoas todos os colaboradores diretos e indiretos que se envolvem interna ou externamente nos diferentes níveis para o funcionamento e o desenvolvimento da organização. Este é o elemento chave que, conjugado com os outros pilares, propiciará a sustentabilidade do projeto. As pessoas são a alma da empresa e carregam em si conhecimento, habilidades e atitudes que proporcionam decisões. Toda decisão deve ser fruto das suas habilidades aplicadas às necessidades da empresa.

Quando este aspecto está em equilíbrio, isto é, quando a empresa supre a sua necessidade com profissionais preparados, através de treinamento, desenvolvimento, valorização, bem como um processo seletivo transparente, com uma política de carreira clara e com alocação correta dos talentos nas devidas posições para o enfrentamento dos desafios, isto aumenta o nível de expectativa do colaborador, motivando-o em busca do resultado. Na falta destes aspectos o indivíduo se desmotiva, deixando de realizar seus objetivos e, consequentemente, os objetivos da empresa. Quando não focamos nesta questão, estamos sujeitos ao fracasso e, mesmo diante de todos os esforços para o desenvolvimento organizacional, dificilmente obteremos êxito quando os colaboradores envolvidos não estão alinhados, defendendo e conscientes de tais objetivos.

Para que nossas decisões tenham sustentabilidade, precisamos avaliar se os três P's estão equilibrados. A harmonia destes aspectos, atrelada ao foco sistêmico dos três elementos que constituem este tripé, sem dúvida irão trazer para os gestores uma maior consistência em seu processo decisório e nas ações de inovação, propiciando uma espécie de equilíbrio que sustentará e fortalecerá as mudanças para a empresa enfrentar os desafios internos e externos em buscar dos seus resultados.

Sempre que considerarmos estas observâncias em nosso processo de gestão, maximizaremos de forma extraordinária a possibilidade de solidificar e perpetuar o sucesso de um determinado projeto.

E você, está gerenciando de forma sustentável? Como estão os seus P's?

Pense nisso...

 

Palavras-chave: | estilo de liderança | sustentabilidade |

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