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13/03/2012
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O que os subordinados têm a obrigação de dizer ao seu líder

Por Marco Antonio Lampoglia para o RH.com.br

Muitos dos artigos que são publicados sobre liderança falam sobre os atributos e as competências que o líder deve ter para ser excelente com as pessoas com quem trabalha. Aliás, os especialistas e os pesquisadores no assunto quando estudam sobre tais competências as valorizam tanto que somos capazes de querer ser liderados por super-herois e não por líderes verdadeiramente humanos.

A maioria das pessoas que são lideradas sabe muito bem quais são as características de um líder excepcional. Entrevistamos aproximadamente 800 pessoas que trabalham em diversas organizações, reportando a líderes com diversas características e a maioria tem ideias próprias e coerentes sobre quais são os atributos de um líder excepcional.

Quando as empresas investem significativamente no desenvolvimento de competências de liderança (o que é imprescindível) as expectativas dos liderados elevam-se mais e mais e as pessoas ficam mais críticas e exigem do líder atuações coerentes com as formas preconizadas de desenvolvimento do potencial de liderança empregadas. Assim sendo, os subordinados têm a obrigação de dizer ao seu líder o que talvez ele não queira ouvir - mesmo que isso signifique um preço institucional a pagar.

É inevitável que em empresas de egos inflados, como muitas, sejam estudados os comportamentos dos líderes e dos liderados, ao analisar o porquê dos sucessos ou fracassos das organizações. Como pesquisador e formador de líderes tendo a olhar os homens e as mulheres que trabalham no alto escalão sobre como eles alcançam, ou não, a saúde de uma organização. Porém, quanto mais estudo o comportamento dos líderes eficazes, mais me convenço da importância e da necessidade dos colaboradores eficazes.
Penso que a característica mais importante de um colaborador seja a disposição de dizer a verdade. Estamos diante de desafios mais complexos, os líderes estão cada vez mais dependentes dos seus subordinados para receber informações de qualidade. Colaboradores que dizem o que deve ser dito e líderes que escutam podem formar uma sinergia fantástica.

Conheci um executivo que diante de péssimos resultados e colecionando alguns fracassos reuniu o seu pessoal e perguntou: "Quero que vocês me digam agora o que exatamente tenho feito de errado com a empresa, mesmo que com isso vocês percam seus empregos". O leitor percebeu a necessidade do executivo de contar com profissionais capazes de dizer a verdade.

A diversidade é benéfica para as organizações. Líderes excelentes não querem um time de pessoas que se pareçam ou pensem como eles mesmos. Procuram bons profissionais de perfis diferentes e estimulam a dizer o que pensam e o que sentem, nem que seja para discordar e até contrariar.

Líderes que estimulam uma discussão construtiva tomam melhores decisões. Em trabalhos recentes com a construção de planos anuais estratégicos os profissionais no momento de fazer as previsões de vendas e fornecer fatos e dados financeiros perceberam que quanto maior a dissensão inicial entre os membros do time, mais exatos foram os resultados. Com maior discordância, as pessoas são levadas a avaliar uma gama mais fértil de possibilidades.

Tanto os colaborados como os líderes compreendem a importância de falar com franqueza. Porém, o mais importante é estimular constantemente essa prática. Mesmo estando em uma democracia, em que a única ameaça é ser mandando embora, é difícil discordar da pessoa que é o seu chefe.

Líderes excelentes recompensam a dissensão, além de encorajá-la, pois sabem que o desconforto momentâneo de escutar que estão errados vale à pena porque aumenta sua capacidade de tomar boas decisões.

Mas o que o colaborador ganha com isso? Talvez ele coloque o seu emprego na "boca do tiro" ao dizer o que deve ser dito. Mas vamos avaliar o preço pago por ficar em silêncio. Que emprego vale o custo invisível psicológico de seguir um líder que valoriza a lealdade em seu sentido mais limitado?

O problema de tudo isso é que o subordinado disposto a dizer o que pensa demonstra claramente o tipo de iniciativa que é a difícil arte de liderar.

 

Palavras-chave: | estilo de liderança | equipe | comunicação interpessoal |

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COMENTÁRIOS (5)
Melania em 30/06/2012:
Lideres dispostos a ouvir que estão errados e capazes de alguma ação para melhora não sei se existe, mas gostaria muito de ter esta capacidade um dia porque admiro pessos capazes que ouvir que estão erradas, sem que levem isso para o lado pessoal.

Luciana em 25/06/2012:
Bom dia. Concordo em partes com seu texto, pois a maioria dos lideres preferem não ter em sua equipe um profissional que discorde de sua opinião, eles acham que o funcionário que diz o que pensa e esta opinião for contrária a sua, pode influenciar sua equipe de forma negativa e assim ele pode de certa forma perder o comando da situação.

Jair de Oliveira em 15/03/2012:
Marco, embora eu concorde com você, é um tanto utópica a sua proposta e isso fica implicito no texto quando menciona Egos Inflados. Na medida que um profissional assume posições elevadas, por mais cortês que ele seja, sempre achará que quem não teve o mesmo sucesso não está capacitado para dar opiniões, e é essa a razão da mediocridade da maioria das gerencias e diretorias. Certa vez eu ouvi de um executivo contrariado: aquela Mercedez é o meu automóvel e o seu qual é? Admitindo a derrota psicológica eu disse "o meu também é uma Mercedez, mas eu a divido com outros 40 passageiros". Tenho muitos outros exemplos caso queira conhecer. Sou otimista, vou continuar atento para encontrar um líder que aceita ouvir a verdade "nua e crua". Forte abraço e sucesso, Jair

Edna em 15/03/2012:
Líderes maduros, nunca levam para o lado pessoal uma critica profissional e sabem que o bem da organização é que dará o tom ao seu desenvolvimento profissional juntamente com o desenvolvimento de sua equipe.

Júnior em 14/03/2012:
Os líderes em sua maioria preferem demitir tal colaborador a ter que lidar com a "discórdia", até mesmo porque há líderes que não tem persuasão e conhecimento suficiente para extrair algo bom de uma dissensão e lideram apenas pelo pelo "tempo de serviço" que tem na empresa. Sem contar que há casos em que o nível escolar do "líder" é bem inferior ao da equipe.

 
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