Ao pensar em se posicionar estrategicamente no mercado, a organização necessita contar com equipes de alta performance. Isso, por sua vez, implica na presença direta que gestores que tenham a capacidade de mobilizar os liderados na busca de um objetivo comum. No entanto o discurso muitas vezes difere da prática, pois quando o líder depara-se com o dia-a-dia corporativo nem sempre os resultados correspondem ao que ele esperava. De acordo com o consultor organizacional, César Souza, autor do livro “Você é o Líder da sua Vida”, publicado pela Editora Sextante, o gestor precisa dominar competências que o façam tornar-se o diferencial para a organização. “O líder deve criar um ambiente de motivação profunda ao deixar claro o significado que transcende a tarefa, o trabalho, a missão, o emprego das pessoas que o cercam”, afirma, ao acrescentar que é preciso, ainda, ajudar as pessoas a identificarem com clareza o rumo que pretendem seguir. Ele defende, também, que entre em sua gestão, o líder deve estimular a equipe a sentir que faz parte de algo nobre, ou seja, muito além da simples troca do trabalho pela remuneração. Em entrevista concedida ao RH.com.br, César Souza, destaca a importância das lideranças formarem futuros líderes e que para ser um bom gestor não é preciso engaiolar-se aos moldes pré-determinados pelo mercado. Confira a entrevista na íntegra e boa leitura!RH.COM.BR - Um conselho que o Sr. costuma dar aos líderes é que não se moldem aos estilos apresentados pelo mercado e mantenham uma marca individual. O gestor da atualidade não precisa ter, por exemplo, as competências comportamentais tão requisitadas?
César Souza - O gestor precisa sim ter varias competências comportamentais requisitadas, tais como iniciativa, proatividade, criatividade, integridade, capacidade de negociação, flexibilidade, entre outras. Mas o que o líder ou candidato a líder não precisa é se engaiolar nos modelos pré-determinados, em quadrantes que acabam fazendo com que perca a naturalidade. Ou seja, ele deve exercitar as competências requeridas, mas com o seu estilo pessoal e não com o estilo dos outros.
RH - Como o gestor deve proceder para identificar qual o seu estilo de liderança?
César Souza - O mais importante é conhecer-se. Por exemplo, se uma pessoa tem dificuldade em cumprir prazos, está sempre atrasada, é importante que distribua tarefa aos seus liderados com a máxima antecedência possível. Se uma pessoa centraliza muito, é importante que faça um esforço para ouvir mais os outros. Se uma pessoa planeja muito, mas executa pouco, é importante que se complemente recrutando pessoas na sua equipe que sejam executoras. O autoconhecimento do seu estilo pessoal é a chave do sucesso, não ficar tentando ser o que não é e copiar o estilo dos outros, os estilos estereotipados.
RH - Caso o estilo identificado não seja o requisitado pela organização onde o gestor atua, a alternativa é procurar uma nova colocação no mercado?
César Souza - Sim, caso na organização não exista espaço para seu etilo o líder deve procurar uma nova oportunidade. Mas em quase toda organização grande sempre há espaço para estilos de lideranças diferenciados. Certas áreas como a comercial, por exemplo, precisa de estilos mais extrovertidos. Outras como a contabilidade de pessoas deve ser mais focada e disciplinada. Mas se uma pessoa não estiver feliz onde está e se sentir que seu estilo é incompatível, mude antes que seja mudado.
RH - Em seus trabalhos o Sr. destaca a importância de ser um líder integral. O que isso significaria, quando lidamos com o dia-a-dia corporativo?
César Souza - Significa ser coerente nas diversas dimensões da vida. Encontro muito executivo que é ótimo líder no trabalho e um péssimo líder em casa com os filhos ou pouco atuante na comunidade. Muitas vezes, ele age de forma contraditória. Torna-se o que apelidei de “líder meio-turno”, ou seja, só quando está engravatado no escritório.
RH - Esse líder integral é identificado mais pelo pragmatismo do que pelo idealismo?
César Souza - Pessoalmente, não acho o líder integral pouco idealista. Pelo contrario, só os idealistas conseguem ser líder 24 horas por dia, o que caracteriza o líder integral. Os puramente pragmáticos é que acabam sendo “lideres meio-turno”. O líder integral tem grande compromisso com os valores, na realidade inspiram os outros pelos valores, não apenas pelo carisma. Nesse sentido são muito idealistas, sempre oferecem uma causa que transcende o significado da meta, do trabalho, do dia-a-dia. Esses líderes educam pelo exemplo, não apenas pelo discurso. Falam mais aos olhos do que aos ouvidos.
RH - Na sua opinião, atualmente qual o maior desafio de quem assume um cargo de liderança?
César Souza - Eu destacaria três como sendo os principais desafios de uma liderança. O primeiro deles é definir uma ‘causa’ para sua equipe. Aqui, não falo de metas e nem tarefas, mas de causas. O segundo grande desafio é formar outros lideres em vez de apenas formar seguidores. O último e não menos importante, é inspirar os outros pelos valores, em vez de apenas recorrer ao carisma, à simpatia.
RH - Qual a maior vitória de um gestor, num mundo corporativo em constante transformação?
César Souza - A maior vitória de um gestor certamente sempre é surpreender pelos resultados. Trata-se de superar metas, de fazer mais do que o combinado. Quem consegue isso e dentro de um equilíbrio entre o quantitativo e o qualitativo, chega longe. Outra vitória importante que gostaria de destacar é quando o gestor consegue formar outros líderes não apenas seguidores na sua equipe. O verdadeiro líder forma outros lideres. O papel dos gestores é de montar verdadeiras fabricas de lideres nas empresas, é formar uma futura geração. Assim, quando o gestor consegue formar substitutos e preparar outros lideres para o futuro, está assim garantindo a perpetuidade da empresa.
RH - Dentro desse contexto, que colaboração a área de RH pode agregar ao desenvolvimento dos líderes?
César Souza - A área de Recursos Humanos precisa repensar seus programas de desenvolvimento de lideres. Estamos formando líderes para uma realidade que já não existe mais. Estão gastando dinheiro e tempo em projetos que mistificam o conceito ultrapassado de líder. A área de RH precisa formar líderes eficazes em vez de apenas formar gerentes mais eficientes.
RH - Então, o RH deve estar em constante sintonia com as reais necessidades dos gestores?
César Souza - Sim, a área de Recursos Humanos necessita estar em maior sintonia com o mundo, com o futuro e não apenas com o passado. Estamos treinando líderes para o passado em vez de formar líderes para o futuro. A área de RH precisa estar mais bem sintonizada com o negócio e com os resultados das empresas. E muito bem em sintonia fina com as competências, de fato requeridas, para que as pessoas tenham sucesso nesse novo mundo empresarial. A área de RH precisa ouvir mais, posicionar-se melhor e tomar mais iniciativas que ajudem as pessoas a mudarem o patamar de suas carreiras e ajudar a empresas a mudarem seu patamar de competitividade. Precisa deixar de lado a ênfase no tecnicismo, na ferramenta, no instrumento e atuar mais no modelo mental, na forma de pensar, na cultura das empresas.
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