Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

Nos últimos anos, o tema “Liderança” conquistou amplo espaço nas empresas; afinal, é o líder que assume a responsabilidade de conduzir uma equipe a obter ou até mesmo superar as necessidades do negócio. Mas, quem está apto a exercer o papel de líder e quais os principais desafios que os gestores enfrentam hoje e encontrarão em um futuro próximo? O líder, uma vez que está perto de cada membro da equipe, é capaz de identificar os pontos fortes e fracos que precisam ser trabalhados, as novas competências que devem ser incorporadas aos profissionais, permitindo que esses alcancem os gap’s que tanto as organizações procuram nos colaboradores.
Para levarmos à tona essa temática de extremo interesse aos nossos leitores, o RH.com.br convidou Eugenio Mussak, que se considera um educador e tem toda razão. Durante os momentos em que conversei com ele, é notória a presença das características de professor nato, sempre disposto a responder às perguntas e ao mesmo tempo, levantar questões que me fizessem repensar paradigmas e apresentar dúvidas que surgiram naturalmente.
Eugenio Mussak atua na área como professor há mais de 35 anos e no campo corporativo marca presença há dez anos. Exerce atividades como conferencista, consultor e professor nos campos da liderança, mudança, aprendizagem, inteligência, desenvolvimento humano e profissional. Um dos grandes desafios que os líderes enfrentaram nos últimos anos foi o de conviver com um universo em constante transformação. “Os líderes terão que conviver com um ambiente corporativo, com negócios e uma sociedade que estão em um processo de mudança cada vez mais acelerado”, ressalta. Confira a entrevista na íntegra e boa leitura!
RH.COM.BR - Quais foram as principais mudanças que os líderes tiveram que se adaptar nos últimos dez anos?
Eugenio Mussak – Nos últimos anos, a primeira grande mudança que os líderes tiveram que enfrentar foi a de conviverem em um ambiente em constante transformação. Eles perceberam que é necessária a adaptação a cada situação que surge. Gostaria de frisar também que hoje as pessoas que ingressam no mercado vêm de uma geração contestadora, é a chamada Geração Y. Esses profissionais querem saber o motivo de estar realizando determinada atividade; estão preocupados em entender o que fazem e não apenas cumprir ordens. Essas são as principais mudanças que os líderes tiveram e ainda continua a enfrentar.
RH – Para os próximos anos, o que o mercado cobrará dos líderes que estão em formação?
Eugenio Mussak – Esse é um processo contínuo. Os líderes terão que conviver com um ambiente corporativo, com negócios e uma sociedade que estão em um processo de mudança cada vez mais acelerado. Vão ter que aprender a conviver com a recuperação de valores nos próximos anos. Haverá uma tendência dos líderes em se comprometerem cada vez mais com os valores humanos e com a cultura organizacional. As competências desenvolvidas pelos líderes não serão suficientes para o futuro. Outras deverão ser desenvolvidas com transparências e sempre destaco que três novas competências serão focadas. A primeira está relacionada à comunicação, ao relacionamento e à negociação. Será fundamental que os líderes aprendam a se comunicarem entre si, como também negociarem as diferenças. A segunda competência de destaque será a de terem pensamentos estratégicos conectados com o futuro, ou seja, deverão estabelecer uma conexão com o futuro. A terceira competência será a inovação, pois o líder precisará ter novos olhares, pois o que eles faziam não pode mais ser repetido. Entenda-se aqui que inovação não é sinônimo de trazer grandes novidades, mas sim ter capacidade de adaptação, de inovar sempre.
RH – As crises do mercado causarão impactos a esse processo de mudança?
Eugenio Mussak – É visível que o mercado vive um momento de apreensão. Contudo, não podemos supervalorizar a crise. Claro que é preciso ficar atento ao fluxo de caixa, mas isso não significa que deve haver uma paralisação no processo. As empresas devem ficar atentas e se adaptarem e não a entrarem em acomodação. Sobreviverão os que estabelecerem relações com o meio ambiente, ou seja, com o meio em que se está inserido.
RH – Ser líder é ser estrategista?
Eugenio Mussak – Ser líder é atingir resultados através de pessoas, é estar preocupado com pessoas e resultados sustentáveis, com equipes bem-estruturadas. O líder também tem o trabalho, o papel de desenvolver a motivação nos membros de sua equipe e melhorar o clima organizacional. Ele se torna um estrategista quando tem um “olho” voltado para o futuro. Mas, é bom lembrar que existem os líderes que elaboram as estratégias e os que as colocam em práticas. Seja um ou outro, ambos precisam entender de pessoas.
RH – Em sua opinião, qual o pior “pecado” que uma liderança pode cometer diante da equipe?
Eugenio Mussak – O pior pecado que um líder pode ter é ser arrogante, achar que a equipe está sempre à sua disposição e que ele não precisa dela, que os erros cometidos nunca são por sua causa.
RH – Existe alguma premissa básica para que o líder conquiste a confiança dos seus liderados?
Eugenio Mussak – Existem “líderes” que acreditam que construirá um ambiente de confiança através do medo que ele impõe aos liderados. O ambiente de confiança surge através do jogo limpo, nos pensamentos claros que são apresentados às pessoas, quando o líder cumpre o que promete. É através de ações desse tipo que se conquista a confiança de uma equipe.
RH – O senhor já citou competências que os líderes devem ter. Como é possível desenvolvê-las na prática?
Eugenio Mussak – As competências das lideranças podem ser desenvolvidas, pois a pessoa não nasce com elas. No entanto, sempre afirmo que para ser líder é preciso que se tenha quatro dimensões: escolha – é preciso fazer renúncias, abrir mão de determinados confortos, é uma opção de assumir todas as vantagens e desvantagens; liderar a partir da consciência de que será necessário manter relações humanas, de comunicação e empatia; ter a técnica para o entender o aspecto estratégico do líder e ser capaz de adaptar-se a diversas situações; e liderar com arte, com um estilo particular.
RH – Quando um líder detecta que sua equipe apresenta resultados satisfatórios, qual a alternativa para virar o jogo?
Eugenio Mussak – Para esses casos, a comunicação precisa ser muito bem utilizada. Se o resultado do desempenho do colaborador não é satisfatório, as pessoas devem ser comunicadas. Mas, além disso, é preciso desafiar os profissionais e fazê-los saírem da zona de conforto. É preciso dar desafios às equipes. Se alguém não quer ser motivado, deve deixar a equipe. É indispensável ousar. É bom lembrar que o feedback também deve ser usado para dar elogios e não apenas cobrar.
RH – Como qualquer outro ser humano, o líder pode apresentar momentos de fraqueza e cometer equívocos. O que fazer nesse momento?
Eugenio Mussak – Já comentei no início da entrevista que o líder deve ter humildade, pois as lideranças também são passíveis de cometer erros, e assumir os erros diante dos membros da equipe não o enfraquecerá. Todos devem assumir suas responsabilidades e no caso do líder, ele deve assumir suas responsabilidades e as dos seus liderados.
RH – Em sua trajetória de dedicação ao meio corporativo, quais os líderes que mais despertaram a sua admiração?
Eugenio Mussak – Dedico-me há dez anos ao desenvolvimento de lideranças e cheguei até aqui através da educação corporativa. Ao longo desse tempo, conheci muitas lideranças que aprendi a admirar, como também estive perto de “líderes” fracos e negativos. Prefiro não dar nomes a eles, pois estaria sendo injusto já que poderia me esquecer de citar algum nome. Confesso que conheci líderes exemplares como empresários, políticos e pessoas consideradas comuns.
RH – O profissional Eugenio Mussak gosta de exercer a função de líder?
Eugenio Mussak – Venho da área acadêmica e acredito que, como professor, o indivíduo torna-se um líder e gosta de liderar trabalhando o seu autodesenvolvimento. Nesse sentido, gosto de liderar.
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