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16/11/2009
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Liderança sustentável: um diferencial para as empresas

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Redução de riscos para a organização é um cobiçado objetivo do meio corporativo. Mas diante de tantas mudanças que acontecem em uma velocidade que chega a espantar até mesmo os mais experientes, é preciso estar alerta para quem pode contribuir efetivamente para o negócio. Dentro dessa perspectiva, um tema tem se destacado entre os dirigentes organizacionais: a liderança sustentável.

E isso não ocorre por acaso, afinal, hoje, a atuação do líder sustentável é considerada uma forte aliada para as organizações. Durante a realização de um Fórum Mundial de Liderança e Alta Performance, o professor Peter Senge fez um alerta ao destacar que em uma situação de crise, as pessoas esperam que alguém tome uma iniciativa, dê um direcionamento para a solução do problema. Quando isso ocorre, surge em cena a liderança.

De acordo com Luiz Eduardo Loureiro, diretor da Monteiro Associados Consultoria Empresarial e especialista em gestão empresarial, a relação entre gestores e sustentabilidade corporativa é uma relação de amor e ódio. "Amor, porque os executivos têm se conscientizado da necessidade da inclusão da sustentabilidade nas corporações e nas suas vidas. Ódio, porque a grande maioria das empresas ainda mede seus profissionais pelos resultados de curto prazo", comenta.

Vale destacar que nosso entrevistado iniciou sua pesquisa e experimentação sobre o papel da liderança no desenvolvimento sustentável a partir da atuação profissional no Banco Real, onde, ao desempenhar funções comerciais, alavancou os resultados de sua unidade e o desenvolvimento pessoal e profissional de sua equipe utilizando os conceitos e ações de sustentabilidade difundidas na instituição. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Loureiro ainda faz um alerta: a área de Recursos Humanos ainda está distante da Sustentabilidade Corporativa e isso deve ser revertido o mais breve possível. Segue a entrevista na íntegra e boa leitura!

RH.COM.BR - A sustentabilidade tem sido foco de atenções no meio organizacional. O que levou as empresas despertarem tanto interesse sobre esse tema?
Luiz Eduardo Loureiro - A sustentabilidade tem se inserido nas empresas por vários motivos, entre eles destaco as exigências normativas e legais, a exigência do mercado consumidor através das campanhas de consumo consciente, e também como parte de campanhas de marketing que visam a melhoria de imagem ou reposicionamento da marca. Apesar de todas as formas de entrada na sustentabilidade ser bem-vindas, as que citei tendem a ser inócuas, pois não consideram o tema como estratégico para a empresa. As empresas que têm tido bons resultados com a sustentabilidade inseriram-na transversalmente em todo o seu negócio.

RH - Quais as características de uma empresa que desenvolve ações sérias de Sustentabilidade?
Luiz Eduardo Loureiro - São empresas que assumiram um compromisso não só com seus acionistas, mas também com a sociedade e o planeta. Estas empresas sabem que o lucro é fator fundamental para o processo de sustentabilidade, sem ele qualquer ação nesse sentido seria rapidamente interrompida. As organizações sabem também que o lucro não bastaria sem a preservação do meio ambiente, que fornece insumos e condições para que o consumo aconteça e que cuidar do bem-estar e da inclusão social de forma ampla, além do altruísmo que isso representa, aumenta o tamanho do mercado consumidor, ajudando, ao final, a perenidade da empresa. Objetivo claro de investidores e executivos com visão de longo prazo.

RH - Por que a sustentabilidade corporativa passou a ser considerada uma gestão estratégica?
Luiz Eduardo Loureiro - Em muitas empresas, a sustentabilidade ainda está restrita a um departamento que, apesar de toda a boa vontade, age de maneira isolada, totalmente desvinculado do negócio da empresa. Ações relacionadas à ecoeficiência, como eficiência energética, à redução de resíduos e poluentes são bem-vindas sempre, mas não é sustentabilidade. Filantropia é extremamente necessário, mas também não é sustentabilidade. A sustentabilidade deve permear todas as áreas e departamentos da empresa, ter seus principais conceitos, benefícios e exigências amplamente difundidos, assimilados e praticados não só por toda a empresa, mas também por seus stakeholders. Ações isoladas ou reativas, como cumprimento de exigências legais, são percebidas como custo para as empresas. A sustentabilidade devidamente inserida na estratégia organizacional torna-se investimento com ótimo resultado para o acionista, funcionários, sociedade e meio ambiente.

RH - Qual a relação existente entre gestores e Sustentabilidade Corporativa?
Luiz Eduardo Loureiro - Ainda é uma relação de amor e ódio. Amor, porque cada vez mais os executivos têm se conscientizado da necessidade da inclusão da sustentabilidade nas corporações e nas suas vidas. Ódio, porque a grande maioria das empresas ainda mede seus profissionais pelos resultados de curto prazo. Enquanto o bônus semestral for concedido com base apenas no resultado financeiro do período, não vejo como mudar isso. A minha sugestão é que parte do bônus, ou de qualquer outra forma de remuneração variável, seja vinculada a ações de sustentabilidade. A incoerência citada, na maioria das vezes, é determinada pelo acionista, que ainda não enxerga as enormes vantagens de curto prazo e o aumento das possibilidades de lucro futuro que a sustentabilidade proporciona.

RH - Que competências são evidenciadas em uma liderança sustentável?
Luiz Eduardo Loureiro - Identificamos oito competências essenciais para o líder sustentável que são as seguintes: apreço às pessoas e ao meio ambiente; visão sistêmica de longo prazo; foco no resultado; empenho na autossuficiência da equipe; percepção e sensibilidade à mudança; visão integradora; coragem para assumir riscos; paixão e constância no propósito. Na descrição das oito competências, encontramos características de liderança como: ter uma estima especial pelas pessoas e seu desenvolvimento; saber que a ausência de resultados determina a interrupção do ciclo de sustentabilidade para todos os envolvidos; ser questionador da política e da prática social e ambiental das companhias. Os líderes que estão fazendo a diferença possuem estas características.

RH - Para que os gestores contribuam significativamente com o processo, eles precisam ser capacitados?
Luiz Eduardo Loureiro - Sim, porém, a capacitação é muito mais comportamental do que técnica. Ser sustentável é mais simples do que parece e depende fundamentalmente da mudança de comportamentos limitantes, determinados por antigos e obsoletos paradigmas corporativos. A capacitação para que gestores tornem-se verdadeiros líderes sustentáveis passa obrigatoriamente pela sensibilização para o tema e pela mudança dos modelos mentais prevalecentes nas organizações.

RH - Qual o maior entrave que as organizações encontram para captar lideranças sustentáveis?
Luiz Eduardo Loureiro - A indisponibilidade de profissionais com as características necessárias provavelmente é um deles. Porém, eu gostaria de destacar como um dos entraves a necessidade de "captar lideranças sustentáveis". As organizações de reconhecido sucesso vinculado à sustentabilidade se notabilizaram, entre outras coisas, pela capacidade de criar seus líderes internamente. É uma mudança cultural que se dá mais ou menos assim: inclusão da sustentabilidade na estratégia, difusão do conceito por toda a companhia e stakeholders, surgimento de nova cultura e a proliferação de líderes sustentáveis. Um executivo captado no mercado para trabalhar em uma empresa que não tenha a intenção real de fazer a mudança necessária provavelmente frustrará as suas próprias expectativas e as de quem o contratou.

RH - Que contribuições efetivas as lideranças podem dar ao processo de sustentabilidade corporativa?
Luiz Eduardo Loureiro - O líder sustentável é um grande agente de mudanças. O processo de sustentabilidade depende fundamentalmente das pessoas envolvidas. Como em qualquer processo de gestão, ele pode ser muito bem desenhado, porém mal executado. É o envolvimento e o comprometimento das pessoas que determinam o resultado final. Nesse aspecto, a liderança é determinante. O líder sustentável é capaz de conquistar corações e mentes para uma determinada causa, ele vê como oportunidade e vantagem competitiva os riscos de um mercado em transformação. Atende: às necessidades e às expectativas de seus funcionários, ganhando produtividade; aos anseios da sociedade, conquistando clientes, bem como às expectativas do acionista, ganhando reconhecimento profissional.

RH - Quais os grandes desafios que os líderes enfrentam diante da Sustentabilidade Corporativa?
Luiz Eduardo Loureiro - Temas como energia, água, resíduos e poluentes são grandes desafios a serem enfrentados pelos líderes, mas nada se compara à necessidade de redução nas emissões de gases do efeito estufa. O aquecimento global e seus efeitos no clima determinaram uma reviravolta na maneira que conhecemos de produzir, fazer negócios e até de viver. Nesse contexto, o grande desafio é a urgência com que as mudanças devem ser feitas. Não temos mais tempo. A ação tem que ser firme, eficaz e rápida e a condução desse processo está nas mãos das lideranças empresariais.

RH - De que maneira a área de RH está inserida no contexto sustentável?
Luiz Eduardo Loureiro - Infelizmente, ainda vejo certa distância entre o RH e a sustentabilidade. O conceito de socioeficiência, por exemplo, ainda não está claro para a maioria das organizações. A socioeficiência pressupõe o bem-estar social dos funcionários como forma de valorização do ser humano, gerando como "efeito colateral" um imenso ganho de produtividade. Para isso, o papel do RH é fundamental. Acontece que, com a departamentalização das empresas, a sustentabilidade age e pensa isoladamente, perdendo a grande possibilidade de sinergia, desejável com todos os departamentos da empresa, especialmente com o profissional de Recursos Humanos.

RH - Quais os benefícios gerados pela Sustentabilidade Corporativa?
Luiz Eduardo Loureiro - São inúmeros os benefícios que a sustentabilidade corporativa traz para a sociedade. Para os acionistas ela gera resultados através do reconhecimento e consolidação da marca, agregação de valor aos produtos ou serviços, criação de novos nichos de mercado, eficiência nos processos produtivos, perenidade do negócio, entre outros. Para a sociedade, incluindo colaboradores, gera melhor distribuição de renda, desenvolvimento pessoal e profissional, elevação da autoestima, inclusão social na educação e no consumo. O meio ambiente é favorecido pela redução do uso de recursos naturais e a consequente preservação dos sistemas de suporte, como biomas e aquíferos, redução nas emissões, preservação de espécies e ecossistemas, entre outros. O importante é que todos saibam que a sustentabilidade não é uma alternativa para os negócios, é a única maneira de continuarmos nele.

Palavras-chave: | Luiz Eduardo Loureiro | liderança | sustentabilidade |

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COMENTÁRIOS (4)
Ivonete Naval em 18/01/2010:
Gostei muito como este tema foi abordado.

Joice em 27/11/2009:
Muito boa a reportagem, realmente é necessário saber ser um diferencial, ainda mais quem exerce cargo de liderança. A reportagem abre a visão para a qualidade de vida das pessoas na área pessoal e profissional. Com certeza colaboradores motivados exercem uma força tarefa em suas áreas e atingem seus objetivos em equipe. Parabéns. OBS: tema muito bom para quem esta a procura de uma nova oportunidade, pois tenho feito algumas entrevistas e o tema de redações e entrevistas é sobre a sustentabilidade e em que situação os diversos departamentos tem participam no tema.

Rosa Albuquerque em 19/11/2009:
Excelente tema, pois nos faz remeter aos conceitos de eficiência; eficácia e efetividade. Uma empresa que não busca alcançar esse indicadores está marcada para desaparecer. É uma pena, pois ainda temos alguns gestores "miopes" que não perceberam todas essas mudanças. Prof. Rosa Albuquerque

Jose Ramos de Melo em 18/11/2009:
Excelentes a entrevista e os conceitos expostos pelo Luiz Eduardo. Imagino o nosso futuro com as ações tomadas hoje pelas organizações no ramo da sustentabilidade e vejo que esse futuro simplesmente não existirá para nós enquanto raça humana. Nossa falta de consciência do real perigo está a anos luz do que deveríamos já está fazendo. As organizações ainda acham que basta um programinha aqui, uma reduçãozinha ali, um projetinho acolá e tudo está perfeito. O rombo é muito grande, o desperdício enorme, a devastação cada vez mais crescente. As grandes potências se recusam a dar o exemplo. Então, todos nós ficamos no me engana que eu gosto. Hoje sustentabilidade é mais propaganda, muitas vezes enganosa, do que efetividade, talvez com raríssimas exceções. As ações são pífias e estamos caminhando para o nosso glorioso 2012 existencial. Aí será tarde demais: o lucro, as conquistas, as tecnologias, as altas performances, as lideranças não terão mais sentido! E se posso ainda imaginar, teremos em nossa lápide mortuária a seguinte frase: Aqui jaz os seres mais destruidores e burros do cosmos, metidos a centro do universo!

 
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