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05/05/2008
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Área comportamental: caminho da mudança

Patrícia Bispo

As constantes mudanças vividas no meio corporativo levam as empresas a se adaptarem ao novo e isso não se restringe apenas à aquisição de novas tecnologias. Dentro desse contexto, as pessoas também são convidadas a acompanharem as transformações e isso, na prática, significa aprimoramento de competências tanto técnicas quanto comportamentais. O segundo caso nem sempre é considerado uma tarefa fácil, afinal mexe com a maneira de agir e de penar do indivíduo e o instiga a sair da chamada zona de conforto. E como a inovação nem sempre é vista com “bons olhos” pelas pessoas, é comum que surjam no meio do caminho algumas pessoas que se mostrem resistentes ao novo. Por esse motivo, trazer novidades para o meio corporativo não é um processo rápido e que pode ser realizado de qualquer maneira. É preciso um bom planejamento e a participação efetiva de quem conduz as equipes, ou seja, as lideranças.

Esse é um dos motivos que tem levado as organizações a investirem no desenvolvimento comportamental dos gestores. Um exemplo prático acontece na CMA - Consultoria, Métodos, Assessoria e Mercantil S/A, que desde 2005 passou a destinar ações mais efetivas para seus líderes. De acordo Mônica Campelo, gerente de RH da CMA, isso ocorreu devido ao crescimento da organização, fator que promoveu o surgimento de novos negócios, equipes e, conseqüentemente, lideranças. Atualmente a CMA possui seis unidades de negócios, 10 filiais nacionais, além de subsidiárias nos Estados Unidos, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Colômbia. Conta com clientes em 35 países e um universo de 350 profissionais.

Para realizar esse trabalho, a organização recorreu à contratação de uma consultoria especializada em treinamentos de ordem comportamental aplicados em públicos com o perfil técnico como é o caso da CMA, onde a maioria dos líderes é profissional da área de Tecnologia da Informação. “Sabemos que existe uma falsa idéia que um público mais técnico teria suposta dificuldade de compreender a complexidade do comportamento humano. Aqui aprendemos que compreender ou deixar de compreender não depende da formação acadêmica ou profissional. O que de fato tem grande valor é saber o quantum estamos abertos para isso”, menciona a gerente de RH.

O diferencial do trabalho aplicado junto aos líderes, foi a preocupação da organização em que seus líderes não tivesses acesso apenas a um processo tradicional de aprendizagem áudio-visual. A proposta era permitir que os profissionais vivenciassem uma abordagem comportamental com conceitos advindos da Psicologia. O resultado desse trabalho tem gerado resultados concretos, pois muitas lideranças já inseriram no seu cotidiano palavras como rappor (sintonia), empatia (colocar-se no lugar do outro), feedback, Programação Neurolingüística - PNL (cinestésico, visual, auditivo), o corpo fala (comunicação não verbal) e insight (compreensão do relacionamento com os fins, idéias).

“Nossas lideranças expressam a visão, ganham adesão e a implantam. Promovem nossos valores, delegam competências, ouvem, apóiam, energizam e habilitam as pessoas a tomar decisões certas por conta própria. Pessoalmente, destacaria aqui duas grandes competências comportamentais valorizadas pela CMA: a criatividade e a iniciativa”, resume Monica Campelo, ao acrescentar que o mesmo treinamento aplicado aos líderes foi repassado aos liderados com o objetivo de diminuir os gap’s que existem entre dois diferentes universos, contudo, complementares. Com isso, duas premissas foram incorporadas ao dia-a-dia dos gestores e de suas equipes: “Eu, como liderado, tenho uma visão diferente do que é liderança” e “ Só agora sei qual é a diferença de ser um líder e ser um chefe”. Dessa forma, tornou-se possível existir um nivelamento de conceitos 360º, onde os gestores passaram a conhecer a realidade das suas equipes e vice-versa.

Quando questionada sobre os principais benefícios que o investimento na área comportamental trouxe ao dia-a-dia da organização, a gerente de RH que também é psicóloga, afirma que um dos destaques é a compreensão dos líderes, de que eles devem considerar cada membro de suas equipes como sendo um ser individual e que, portanto, precisam gerir as pessoas de acordo com cada perfil e assim obter o melhor dos profissionais. Em relação à receptividade dos colaboradores no que se refere ao desenvolvimento das competências comportamentais, Monica Campelo comenta que a mesma tem sido positiva, pois conforme os treinamentos foram avançados, novos conceitos foram compreendidos por estar próximos à realidade de cada indivíduo, dando aos profissionais um maior sentido até mesmo à re-significação e alguns paradigmas existentes na cultura da empresa.

As resistências – Como todo processo de mudança causa impacto ao ser humano, quando o trabalho na área comportamental foi iniciado, algumas pessoas mostraram resistência ao novo, principalmente os liderados, uma vez que muitos consideravam que “tudo o que se fala é óbvio e nada disso irá me acrescentar”. Contudo, com o passar do tempo e com o processo em andamento, esses obstáculos foram sendo superados gradativamente.

Por fim, ela destaca a importância da Psicologia e dos seus conceitos aplicados no âmbito organizacional até mesmo para ajudar as empresas a compreenderem que toda mudança não acontecerá se o outro decidir que nada aconteça “Como dizia Dalai Lama - As mudanças em mim não ocorrerão por decreto e sim, por decisão própria”, conclui a gerente de RH da CMA.

Palavras-chave: | CMA | competência comportamental | mudança |

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