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05/09/2011
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Investimento em líderes: uma visão estratégica do Grupo DASS

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Um dos assuntos que mais gera polêmica no âmbito corporativo é o chamado "apagão de talentos". Se por um lado existem inúmeros profissionais que buscam desesperadamente uma oportunidade no mercado, por outro as empresas afirmam que não há mão de obra qualificada suprir a demanda em determinadas funções. Em junho de 2009, a Manpower - consultoria mundial no segmento de serviços em Recursos Humanos -, apresentou uma interessante pesquisa que se enquadra ao momento vivido pelas organizações.

Na oportunidade, o estudo revelou que o mercado precisava elaborar estratégias e políticas de retenção de talentos com a retomada do crescimento econômico, para assegurar a competitividade entre as empresas. Dentre os cargos que mais enfrentavam a escassez de profissionais especializados estavam os de: ofício de (eletricistas, encanadores, carpinteiros e soldadores), representantes de vendas e técnicos (produção, operação, manutenção). Esse quadro tornou-se um reflexo do interesse das pessoas em optarem por atuar em áreas tecnológicas e de gestão da conhecida Era da Informação.

"Em um ambiente em que empresas precisam trabalhar mais estrategicamente e de forma criativa, com economia de recursos, os gestores procuram otimizar as operações com uma equipe cada vez menor", alertou Augusto Costa, diretor geral da Manpower. O estudo contou, na ocasião, com 39 mil profissionais de 33 países.

Após pouco mais de dois anos da apresentação dessa pesquisa, observa-se com clareza que as empresas estão dispostas a reterem seus talentos. Isso, por sua vez, reflete no investimento maciço no desenvolvimento dos líderes, pois são eles que estão próximos às equipes e são capazes de identificar os diferenciais de uma gestão que contribuirão para a permanência e a motivação do capital humano que faz o diferencial para o negócio.

Uma companhia que desde 2007 despertou para a importância de realizar investimentos nos gestores de produção foi o Grupo DASS - fabricante de material esportivo que fabrica e comercializa as marcas Fila, Tryon e Umbro e produz para clientes como Nike, Adidas, Converse e Oakley. A companhia opera do Sul ao Nordeste do Brasil, com unidades produtivas nos Estados do Rio Grande de Sul, Santa Catarina, Bahia e Ceará. Conta com aproximadamente 10.500 colaboradores diretos e milhares de indiretos em 11 unidades fabris em 11 unidades fabris no Brasil e Argentina, além de dois escritórios comerciais nas cidades de São Paulo e Buenos Aires.

De acordo com Karlla Porto, gerente de Recursos Humanos do Grupo DASS, ao implantar o Programa Liderança de Resultados que tem como público-alvo todos os colaboradores que ocupam cargo de líder de produção, desde o início a área de RH teve como principal objetivo de atender os gaps, principalmente nas competências relacionadas à gestão. Ela explica que através de reuniões mensais, o RH apresenta diferentes estímulos (dinâmicas, vídeos, textos, entre outros recursos) que propiciam vivências e reflexões sobre as práticas de liderança.

Programa de Liderança de Resultados do Grupo DASS

"Atualmente o programa contempla, além das características comportamentais, a apresentação e análise dos indicadores de resultados. O diferencial desta iniciativa é possibilitar que os líderes trabalhem não somente as pessoas, mas que também façam a relação deste processo com os indicadores de desempenho de seu setor, tais como absenteísmo, rotatividade, eficiência, dentre outros", sinaliza Karlla Porto, ao enfatizar que a coordenação do Programa Liderança de Resultados cabe à área de RH que atua como facilitadora do processo. Também há o envolvimento dos principais gestores de cada unidade, especialmente no momento de apresentação e análise dos indicadores de resultados.

O programa na prática - A logística do Programa de Liderança de Resultados é relativamente simples, e todos os líderes de produção são convidados a participar, desde o primeiro mês que ingressam na empresa ou que assumem o cargo de liderança - no caso de aproveitamento interno. Hoje, cerca de 90% dos colaboradores que exercem cargo de liderança são oriundos de promoções.

Na primeira reunião anual são definidos os temas principais que servirão de foco de cada encontro. Essa definição é realizada em conjunto, pelo RH, pelo principal gestor da unidade, levando-se em consideração as expectativas dos participantes. É importante ressaltar que esses temas sempre devem estar vinculados e contribuir como ferramenta para o alcance dos principais objetivos da empresa.

Na sequência do programa, mensalmente um analista de RH entrega um convite, especificando a data, o horário e o local da reunião em que ocorrerá a reunião. Normalmente, cada unidade já estipula seu cronograma anual, considerando, por exemplo, a última terça-feira de cada mês, para que os colaboradores possam de programar. Esses encontros têm duração de aproximadamente 90 minutos, sendo divididos em duas fases.

No primeiro momento, onde o foco é a apresentação dos resultados, cada líder de produção apresenta seus indicadores de resultado para os gerentes, comentando os resultados mais expressivos tanto positivos quanto negativos. Os gerentes participam, acompanhando a apresentação e têm a oportunidade de fazerem questionamentos ou comentários, conforme a necessidade. São valorizados os setores com melhor resultado em eficiência e absenteísmo.

"Já no segundo momento, que tem como objetivo o desenvolvimento das competências de gestão, participam somente os líderes, sob coordenação do setor de RH, que apresenta diferentes estímulos como dinâmicas, vídeos ou textos, proporcionando vivências e reflexões sobre as práticas de liderança", explica a gerente de Recursos Humanos do Grupo DASS.

Apresentação da iniciativa - Quando indagada sobre a forma como o Programa Liderança de Resultados foi divulgado junto ao público interno, Karlla Porto cita que o processo ocorreu através de reuniões de divulgação com as equipes e, posteriormente, foram enviados convites impressos. Nos encontros iniciais, além da divulgação dos objetivos e do formato da iniciativa, os líderes também foram preparados para as apresentações dos indicadores.

Como ocorre em qualquer processo de mudanças, o programa direcionado aos líderes de produção também mexeu com a zona de conforto das pessoas. Para superar esse obstáculo e garantir o êxito da iniciativa, o primeiro paradigma foi compreender a influência das competências de gestão nos resultados de cada equipe e, além disso, os líderes eram inexperientes na apresentação de seus indicadores. Com a prática e as reuniões iniciais esses dois pontos foram solucionados. Atualmente, as novas lideranças que entram no programa são auxiliadas por seu gestor, pelo setor de RH e pelos profissionais mais antigos nesta preparação.

Resultados - Depois da implantação do programa, o Grupo DASS observou uma evolução na qualificação dos líderes, um melhor acompanhamento dos indicadores de produtividade e Gestão de Pessoas, bem como uma melhoria na comunicação entre os setores. "Além disso, a área industrial começou a valorizar ainda mais os aspectos relacionados à Gestão de Pessoas", resume Karlla Porto.

O que dizem os líderes? - Os benefícios do Programa Liderança de Resultados também foram percebidos pelos próprios gestores da produção. Jaqueline dos Santos Nogueira da Rocha - líder do setor de costura da Unidade de Santo Estevão do Grupo DASS, afirma que a iniciativa tornou-se um momento que ajuda os participantes a analisarem o resultado como um todo, antes mesmo que ocorra a divulgação dos resultados da unidade de uma forma geral. Por fim, ela complementa: "Além disso, o programa proporciona a visualização de uma maneira mais específica, para que possamos também ver a possibilidade de ajudarmos os outros setores e melhorar os resultados no mês seguinte. Da mesma forma que serve como uma preparação para tirar a timidez das pessoas que recente assumiram o papel de liderança".

 

Palavras-chave: | Grupo DASS | Karlla Porto | Programa de Liderança de Resultados |

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COMENTÁRIOS (2)
Rogerio Martins em 22/12/2011:
Parabéns pela excelente matéria. Isto é o que acredito e procuro difundir nas empresas que presto serviços. Liderança não é algo que se aprende da noite para o dia. Tem que ser fundamentado e contínuo, caso contrário investe-se muito sem resultados. Qualquer trabalho de liderança requer um plano de médio a longo prazo para surtir os efeitos desejados.

Fatima Oliveira em 10/09/2011:
Acredito também que o caminho é esse: mostrar o objetivo e ajudar a corrigir os desacertos, de forma que aconteça o empowerment e todos se sintam cada vez mais parte do negócio. Muito bom esse artigo!

 
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