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10/02/2003
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Sete problemas que abalam as melhores organizações

Por Gilberto de Moraes para o RH.com.br

Muitas empresas, embora competentes, gastam tempo e energia para encontrar, no dia-a-dia, soluções para uma série de problemas que costumam afligir a maior parte de seus colaboradores, bem como o próprio clima e motivação das pessoas. Pergunta: que problemas seriam esses? Pensei em alguns e cheguei a uma pequena relação, após muita reflexão: erro, tempo, poder, dinheiro, resultado, liderança e equipe. Sete coisas que talvez mereçam um pouco mais de reflexão, sobretudo por parte dos gestores. Vamos a eles:

1- O PROBLEMA DO ERRO
Ninguém erra porque quer. A maioria de nós, quando inicia um projeto, sempre pensa em acertar da primeira vez. Contudo, isso não significa que você não tenha que considerar a hipótese de o erro acontecer. E tenha a certeza de que acontecerá. O problema é como poderíamos aprender com eles. Caso contrário, a única coisa que você fará, será defender-se durante todo o tempo.

Os gerentes ou mentores deveriam reforçar em seus subordinados a idéia de que podem e devem reconhecer seus erros abertamente. E eles próprios deveriam também procurar dar o exemplo. Deveriam criar um ambiente em que todos pudessem assumir os seus próprios erros; um pouco mais até: pudessem ajudar a si próprios, sem que isso representasse qualquer tipo de punição ou constrangimento perante a equipe. A outra alternativa - mais atrativa, porém bem menos aconselhável - seria caminhar pela mesma estrada sempre, tentando abolir o risco. A organização tradicional costuma respeitar em demasia aqueles que se conduzem dentro de suas "Áreas de Conforto", você sabe: aquela bolha que envolve os medíocres e que muitas vezes é confundida com segurança, competência e maturidade profissional. O risco e o aprendizado só existirão se houver uma melhor compreensão do erro, assim como daqueles que o cometem.

2 - O PROBLEMA DO TEMPO

Chega um tempo em que ficamos sabendo que o tempo é o recurso mais democrático do mundo! Ninguém tem mais que 24 horas por dia para fazer tudo que deve ser feito. Certo, mas o que costumamos fazer com essa informação? Creio que absolutamente nada. A não ser reclamar, reclamar e continuar reclamando pelo fato de não termos tempo para nada. Faça o seguinte: tenha tempo apenas para o essencial. Esqueça o importante e, principalmente, o urgente. Urgência é anomalia e, como tal, deveria ser abolida.

Daí surge uma segunda dúvida: O que é essencial para nós? Essencial é tudo aquilo que consegue resistir algum tempo, sem se transformar em importante ou urgente. Vou dar um exemplo: uma idéia que você acabou de ter e que achou revolucionária não pode jamais ser considerada essencial. Tenha calma. Deixe-a cozinhar um pouco na sua cabeça, em banho-maria. Veja se você acorda com ela no dia seguinte e pelos próximos 2 ou 3 dias; veja se ela fica batucando em sua mente boa parte do tempo, competindo pela sua atenção.

É exatamente isso que acontece? Então não perca mais tempo: invista tudo, principalmente tempo, dinheiro e energia, muita energia (não necessariamente nessa ordem de importância), faça tudo que estiver ao seu alcance para transformar a sua idéia em realidade. E se lá na frente, você perceber que tudo não passou de um enorme equívoco, não se preocupe: volte ao item anterior e comece tudo novamente.

3 - O PROBLEMA DO PODER

Alguém já disse que para se conhecer uma pessoa de verdade basta lhe dar um pouco de poder. E isso foi o bastante para transformar o poder em algo nocivo, avassalador, antiético e abominável, ou seja: num grande objeto do desejo por parte dos seres humanos.

Brincadeiras à parte, a primeira conclusão infeliz é que o poder é mesmo necessário, assim como aquele remédio horrível que cura, desde que ingerido no tempo e na medida certa. Difícil é entender que o poder não deve ser usado para esconder a criatividade dos outros, e essa é uma grande desvantagem.

Conheço gente que usa o poder para dizer aquilo que as pessoas não devem fazer, quando na verdade o que deveria ser feito é exatamente o contrário. As melhores e as piores pessoas do mundo foram o que foram e fizeram o que fizeram porque tiveram poder. Nas empresas isso também acontece com muitos executivos e dirigentes.

Acho que as pessoas deveriam ser muito bem treinadas antes que pudessem exercer algum tipo de poder sobre alguém. Porém, o que vemos é que, ao serem indicadas para algum tipo de treinamento, elas já possuem todo o poder de que necessitarão.

4 - O PROBLEMA DO DINHEIRO

Dinheiro é um recurso como outro qualquer: nem mais, nem menos importante que todos os outros da organização. O problema surge quando o dinheiro deixa de ser um meio, uma ferramenta e passa a ser um fim em si mesmo.

Alguns executivos acham que o recurso financeiro está acima do próprio talento humano e que esse deve sempre se subordinar àquele. Isso é uma distorção. Muita gente acha que o resultado só existe se vier acompanhado de dinheiro. Falando nisso...

5 - O PROBLEMA DO RESULTADO

Pergunte àquelas pessoas que costumam planejar a médio e longo prazos qual a importância que elas atribuem ao fator dinheiro no resultado final. Depois, faça a mesma pergunta àqueles que costumam planejar a curto prazo. Se você obtiver respostas semelhantes, um dos dois deve estar mentindo.

Assim como na vida pessoal, dinheiro em geral é conseqüência de uma série de ações eficazes anteriores. Quem só tem olhos para cifras é porque está inadimplente ou teme ficar em breve.

Resultado deve ser visto no tempo, levando-se em consideração um amplo conjunto de variáveis, tais como: estratégia, missão, clientes (internos e externos), fornecedores, você mesmo, etc. Ninguém, muito menos eu, seria louco o bastante para afirmar que dinheiro não é importante. O problema é quando você não consegue enxergar outra coisa e passa a ver as pessoas como sendo meros instrumentos transformadores de cifras.

6 - O PROBLEMA DA LIDERANÇA

Há algum tempo a questão da liderança, para algumas empresas especiais, deixou de ser se determinada pessoa nasceu ou não com as tão discutidas e desejadas características de liderança ou se poderá ou não aprender a ser um líder um dia, quer usando a vida como escola, quer usando a própria escola ou ambas.

Depois que alguém disse que tudo depende da situação, o foco mudou, passando a se concentrar no ambiente, abrindo oportunidades para que qualquer um de nós, pobres mortais, pudéssemos utilizar o nosso potencial enquanto líderes de alguma coisa, nem que fosse por um curto espaço de tempo.

Penso que a questão maior para as empresas, agora, parece ser em como criar um ambiente capaz de fazer com que a maioria das pessoas realmente experimentem a liderança, e isso parece ser bastante saudável e motivador. Todos nos habituamos e até gostamos um pouco de eleger líderes carismáticos e paternalistas que se colocam à frente das organizações nos momentos de paz e de turbulência, conduzidos, talvez, mais pela coragem e arrojo do que pelo talento e sabedoria. Isso parece ótimo para todo mundo, mas tem a desvantagem de podar as pessoas.

Tom Peters, em recente artigo para a revista VOCÊ s.a., disse que um líder não deveria ter seguidores. Segundo ele, o que os líderes deveriam fazer é "procurar mais líderes, para que pudessem transmitir-lhes o poder de descobrir e criar os seus próprios destinos". É possível que Peter Drucker fique um pouco chateado com essa conclusão, mas o assunto, longe de esgotar-se, ainda merece um pouco de reflexão.

7 - O PROBLEMA DA EQUIPE

Equipes são como as dores do corpo: incomodam o tempo todo, mas você talvez não sobrevivesse sem elas. Quando estamos participando de um grupo, dificilmente conseguimos compreender o seu verdadeiro significado. Mas imagine um organismo sem dor. Certamente sucumbiria em poucas semanas. Sem dor, como saber o que há de errado conosco? Como distinguir o normal do anormal? Pior ainda: como medir se houve ou não melhora dos sintomas?

As equipes são necessárias porque o trabalho mudou, quantitativa e qualitativamente, mudou na sua essência. Ele já não é mais realizado da forma como era há algumas décadas. E também já não se encontra mais no mesmo lugar em que sempre foi visto. Hoje, as pessoas ingressam numa organização para inventar algum tipo de trabalho, de preferência que seja coerente e compatível com aquele que já está sendo realizado por algumas pessoas de um determinado grupo. Portanto, você sempre precisará das pessoas de um grupo para agir e construir algo que tenha sentido e é incrível como todos estão ligados entre si.

E qual é o problema das equipes, então? O problema é que, não obstante o apelo grupal, no trabalho as pessoas continuam sendo avaliadas e consideradas de maneira individual. Ninguém avalia a equipe, que como sabemos não pode ser definida como a simples soma de indivíduos com propósitos comuns. Você é um sozinho e um outro em grupo. Reagimos de forma diferente, pensamos de forma diferente e talvez sejamos muito diferentes em grupo. Agindo assim, as empresas somam e subtraem grandezas diferentes. Se é que o grupo importa, uma boa pergunta seria como medir a sua produtividade ou o que faria com que as pessoas sentissem-se motivadas para trabalhar em grupo?

Palavras-chave: | motivação | resultados | liderança |

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