Por Eugênio Maria Gomes para o RH.com.br 
Decifrando o conceito, após pesquisas bibliográficas e consultas aos especialistas da área, podemos definir “clima” como sendo o somatório dos diferentes fenômenos climáticos que ocorrem na atmosfera da terra, tais como frentes frias, tempestades, furacões etc. Estes, estão associados a um conjunto de variações dos elementos meteorológicos, compostos de vento, temperatura, umidade, pressão, precipitação etc., sendo a estatística a sua principal ferramenta de investigação. No entanto, o clima que queremos abordar neste artigo não é este dos fenômenos naturais que ocorrem no planeta, mas sim o CLIMA ORGANIZACIONAL.
O preâmbulo deve-se, tão somente, para exemplificar que, assim como aquele, o clima organizacional, com conceituação teórica bastante técnica, carente de decifração prática, também envolve uma série de fenômenos que gravitam na órbita da organização. Submete-se, via de regra, aos elementos internos, tais como a temperatura, pressão, precipitação etc. Isso leva-nos a simplificar o conceito de clima organizacional como sendo a atmosfera do ambiente de trabalho.
O clima organizacional pode ser bom ou ruim, instável ou estável, sujeito a tufões, furacões, tempestades ou a períodos de calmaria, tranqüilidade, com temperaturas que favoreçam a produtividade e a colheita de melhores resultados.
O clima da terra se sujeita às variações dos elementos internos meteorológicos, como também está associado, de maneira incontestável, às mudanças meteorológicas preditas pelas leis físicas determinísticas, assim como o clima organizacional. Este, além de sujeitar-se às variações internas, está atrelado, de maneira também incontestável, à cultura organizacional e à maneira de administrar de seus dirigentes, subentendendo-se como dirigentes, não apenas a alta direção da empresa, mas, também, todo o corpo de funcionários que constituem a média gerência organizacional, que em última análise, transmitem para os colaboradores as diretrizes, normas, percepções, desejos, insigths motivacionais, desafios e recompensas organizacionais.
Poderíamos aqui fazer algumas analogias entre os fenômenos climáticos da terra e das organizações, demonstrando o quanto são parecidos os terremotos com os lampejos de fúria dos chefes nervosos, causando rachaduras e, às vezes, desmoronamento das relações interpessoais. Outra semelhança é entre os tufões e aquele gerente recém-chegado que faz uma varredura nos processos e protocolos, como se nada do que estava instalado até a sua chegada fosse importante ou pudesse ser aproveitado. Mais uma similaridade é falar da enchente, advinda dos transbordamentos dos rios, comparando-a com aquele colaborador que vive extrapolando sua área de atuação, adentrando e ocasionando danos no trabalho e na autonomia do outro etc.
Dá ainda para comparar o pavor causado pela visão do raio à cara feia de funcionários, amedrontando e afastando as pessoas. Também é possível verificar o efeito assustador do trovão e perceber que, analogamente, seu efeito é muito parecido com o tom alterado da voz do gerente, quase que gritando com o seu colaborador, fazendo com que venha aquela vontade de não estar ali naquele momento. Poderíamos, ainda, relacionar fenômenos como o efeito estufa, o inverno rigoroso, os vendavais, dentre outros, com as altas temperaturas, com a apatia e/ou com o corre-corre percebido em algumas organizações em determinados momentos e situações.
O mais importante, no entanto, é registrar que assim como ocorre com o homem em relação ao clima da terra, nas organizações as pessoas também preferem o clima ameno, estável, que facilite a realização das tarefas, mas sobrevivem bem, frente às intempéries, desde que sejam previsíveis, planejadas, de forma a se organizarem para isso. Assim, é possível viver sob rigoroso inverno corporativo ou sob os efeitos de temperaturas muito altas, desenvolvendo-se, produzindo, obtendo os melhores resultados operacionais, sentindo-se feliz e realizado. Basta para isso sentir-se motivado, sendo este tema assunto para o nosso próximo artigo.
De toda sorte, recomenda-se uma análise sistemática do ambiente corporativo, alicerçado no profundo conhecimento da cultura empresarial, definindo com clareza, os pontos fortes e fracos da organização e, conseqüentemente, a necessidade de melhorar e mudar. Se a compreensão destas carências de mudança e/ou adaptação não ficar adormecida nas gavetas dos dirigentes, encarando o problema de frente, a administração oferece ferramentas capazes de manter, melhorar ou transformar o clima organizacional, propiciando o melhor ambiente para o sucesso.
Palavras-chave: | clima | clima organizacional | ambiente corporativo |
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