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09/03/2009
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Para motivar, enfie um prego

Por Vitor Marques para o RH.com.br

Sempre gostei muito da terra, do campo, de cuidar de plantas e animais, ver frutos aparecerem, o campo em flor, a chuva cair pela terra e lavar a alma, o sol resplandecendo o ouro e a prata da vida que brota que saciam nossa fome, o colorido dos campos, os remédios que brotam da terra - para a mente e o corpo. No entanto, alguma coisa me preocupava, me deixava inquieto; a observação de que algo inexplicável ocorria com as árvores me incomodava.

Eu buscava a explicação em vários locais e não encontrava ou pior: nenhuma solução para o problema. Mas, a providência me colocou esta experiência de vida e vejam o que ocorreu: transformou a preocupação e seus sentimentos, que ocuparam uma parte do meu cérebro por um bom tempo.

Como sempre tive uma ligação forte com a terra - talvez pela herança genética de meus avós, portugueses, mas agricultores, lenhadores e moleiros (tinham moinhos de milho que usam as pedras Mós para fazer a farinha) ou pela minha educação natural adquirida na escola ou na curiosidade sobre o mundo em que vivemos - pesquisei muito sobre algo que observei e que passou a me incomodar progressivamente.

Ao observar e pesquisar sobre agricultura caseira ou comercial, sempre ficava intrigado com árvores frutíferas que custavam a dar seus frutos ou que até mesmo nem os davam. Entretanto, a vida me deu a oportunidade de em uma conversa "ao pé do ouvido", dessas que temos com pessoas do campo, os velhos mestres da terra, os caboclos, os caipiras - seja qual nome você dê a esses nobres exemplares da raça humana. Ao falar sobre a minha constante preocupação vegetal, fui surpreendido com um comentário e um conselho que esclareceu minhas dúvidas:

- Olha moço, se a árvore não dá fruto, o sinhô pega treis prego e espeta, infinca no tronco dela, põe até o fundo e pera uns meises. Ela vai acordá e vai dá fruto - perimenta e ocê vai vê.

Fiquei com um misto de surpresa e curiosidade com este conselho, mas esse conhecimento não é de leitura, é de prática, e tinha que ter verdade. Pois bem, assim escolhi uma dessas árvores improdutivas, um pé de caju que estava enorme no tamanho e há muito era esperado ele desse frutos. Como o velho mestre do campo falou, espetei os três pregos e martelei até o fundo. Passei, então, a esperar ansiosamente pelo resultado. Passado cerca de quatro meses a árvore floriu e frutificou, com uma carga maravilhosa, de qualidade e número de frutos surpreendente, assim como o velho mestre agricultor disse.

Não contente com a constatação da verdade do conselho, comecei a pesquisar na bibliografia conhecida o porquê de espetar os pregos deu certo, até que encontrei a explicação, que de tão simples é surpreendente, vejam:

"Quando colocamos os pregos na árvore, a atacamos, ferimos. A partir daí, a planta se sente ameaçada, sob risco do corte e da morte. Em uma tentativa contra o tempo, como último recurso de vida, precisará se preocupar com a procriação, com a propagação da espécie. Começa, então, a reunir todas as suas forças adormecidas para produzir frutos, ou seja, suas sementes - a garantia de sua perpetuação."

Mas amigos, o que isso tem a ver com a motivação?

Perceba que a afirmação "ninguém motiva ninguém" é verídica, é um fato e não há qualquer contestação que eu deva fazer sobre isso. Afinal, em minhas andanças pelo mundo, desenvolvendo e falando sobre esse assunto, na luta ininterrupta para estabelecer contatos imediatos de terceiro, quarto e mil graus que sejam com as pessoas, constato isso todos os dias.

Mas essa experiência - a das plantas que precisam de pregos para frutificar - me levou a meditar para encontrar a explicação mais simples de como propagar agentes motivadores às pessoas. Isso mesmo, precisava exemplificar isso, de que ninguém motiva ninguém.

Assim, comecei a analisar: se uma árvore tem tudo para se tornar produtiva - tronco, folhas, terra adubada, sol, água, enfim, tudo -, para expandir sua espécie e propagar suas melhores partes para a natureza, esta planta é completa. No entanto, é fato de que ela está preguiçosa, acomodada em seu terreno, em seu lugar. Está tranquila, não é ameaçada e nem ameaça alguém. Então, por que frutificar? Não encontra motivos para provocar novas transformações em sua vida.

Mas quando chega a ameaça da morte, do corte, ela reage. Começa a sentir todas suas partes vivas e chama à ativa sua genética e força produtiva para, assim, frutificar.

Da mesma forma somos nós SERES HUMANOS. Quando estamos acomodados na rotina, acostumados a fazer as mesmas coisas sempre e a ter sempre os mesmos resultados, ficamos parados, quietinhos, colhendo as mesmas coisas todos os dias de nossas vidas. Ficamos à sombra de nós mesmos, aguardando não sei o que para não sei quando.

Quando chega alguém que nos mostra PREGOS ou acontece algo em nossas vidas que nos impacta profundamente, nos expulsa da zona de conforto, literalmente nos enfia um prego no corpo e na alma, acordamos e começamos a buscar alternativas para sobreviver.

O agente motivador - "Enfiador de Pregos" - é assim, uma pessoa especializada em espetar pregos, alguém que cutuca, faz pensar e diz: "Você precisa se perpetuar. Saia da zona de conforto, estabeleça novas metas em sua vida, sinta a energia transformadora que todos nós possuímos; a sua é especial". Esse ser motivador busca apertar os botões certos, reacender a força pela vida, pela conquista, ativar os neurônios e levar você junto com ele a sentir-se totalmente: braços, pernas, cérebro, nariz, boca e ouvidos.

Realmente, ninguém motiva ninguém. O agente motivador enfia pregos na hora e no local certos, sem ferir, sem deixar marcas irreversíveis de dor; pelo contrário, acende a chama da vida. Enfiar pregos é uma arte, cada um tem o lugar certo onde eles devem ser cravados, pois ninguém é igual a ninguém.

Você que lê este artigo, está aí sentado esperando por frutos que nunca chegam? Ou está na espera de que algum dia as coisas aconteçam sem seu esforço pessoal, assim naturalmente, de repente, sem aviso prévio e sem sentido? Quem é você que está aí, sentado?

Talvez, eu, nesse momento seja um CRAVADOR DE PREGOS em sua consciência, que o faça pensar em quanto poder você tem em sua mente e seu corpo - para transformar a si e ao ambiente em que está. Nas minhas palestras conheci pessoas caladas, apáticas e que hoje são cravadores de pregos e juntos procuramos chegar a novos rumos, novos caminhos para efetivamente viver plenamente.

Venha. Faça parte dessa viagem sem volta; apenas de ida. Afinal, quando me perguntam: "Quantos anos você tem?". Respondo: "Tenho todos os anos que posso viver com vida plena. Não sei precisar quantos viverei - 30, 40, 50, 100 -, mas quero vivê-los intensamente, enfiando e recebendo pregos".

Palavras-chave: | zona de conforto |

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COMENTÁRIOS (10)
Patrícia Oliveira em 13/01/2011:
Prezado Vitor, parabéns pelo seu artigo! Excelente. Fala de forma objetiva da zona de conforto. Abs, Patrícia Oliveira

edivani luiza de oliveira cardoso em 08/11/2009:
Olá, Vitor! Você me fez recordar meus tempos de moradora do campo. Que saudade! Isso é verdade mesmo. Eu já cravei, literalmente, muito prego em abacateiro, cajueiro... e com as pessoas não funciona diferente, às vezes precisamos cutucar pra que algo aconteça e as façam acordar e olha, as vezes até nos surpreendemos porque nem conseguimos imaginar o gigante que está adormecido e só damos conta disso quando saimos da zona de conforto. Parabens pelo artigo. Edivani Luiza, Goiania-GO.

Marta em 18/03/2009:
Texto maravilhoso! Eu nunca tinha ouvido falar sobre esse processo dos pregos na árvore. Deus é realmente perfeito por ter criado uma natureza tão inteligente! Parabéns pelo trabalho!

José Flavius em 16/03/2009:
Obrigado pelos pregos amigo! Um grandioso texto.

Gilberto C. olgado em 13/03/2009:
Belo texto Vitor, esta prática realmente vem de gerações, da sabedoria popular dos velhos matutos, pessoas que aprenderam com experiências próprias, buscando alternativas caseiras que estavam ao alcance das mãos. Me lembro também que na casa do meu pai havia uma goiabeira que produzia muitos frutos, minha mãe (na época de colheita) tinha uma vara enorme, colocava um gancho na ponta da vara para apanhar todas as goiabas maduras. Ela fazia isso diariamente, eram goiabas da polpa vermelha, deliciosas, colhia todos os dias sacoladas de goiabas, distribuia para toda a vizinhança, os parentes, fazia doce de goiaba caseiro, hummmm que delicia. E realmente no tronco desta árvore haviam pregos fincados nela, era uma árvore enorme, ficava no quintal de nossa casa, e esta árvore não falhava, todos os anos florava e produzia frutos e eu e meus irmãos subíamos na árvore e comíamos as goiabas. Este texto me fez recordar desta parte da minha infância/adolescência e comprova esta teoria nos mostrando que a motivação está dentro de nós mesmos. Que os pregos possam sempre espetar nossas atitudes para que possamos produzir vida. Grande Abraço.

nadja ramos em 12/03/2009:
Parabéns, adorei

Celso Ricardo Garcia em 12/03/2009:
Caro Vitor Marques, que experiência maravilhosa, encantadora, estou lutando e buscando entrar na área motivacional tb. Considero-me um cravador de pregos e graças a Deus os frutos estão aparecendo.Parabéns pelo artigo. Celso Garcia - Varginha-MG

Fany Bicca em 12/03/2009:
O simbolismo do prego que você usa se aplica muito ao ambiente organizacional. No caso, o prego é a estratégia utilizada para os profissionais saírem da Zona de Conforto. Mas a grande questão é: que prego utilizar e mais ainda, o que fazer quando quem tem que escolher o prego, ou seja, os lideres, também é uma arvore morta.Dai a importância dos profissionais de RH para contribuir com as empresas no desenvolvimento de Lideranças capazes de trazer, manter e desenvolver árvores com bons frutos .

Wladimir Karasek Neto em 12/03/2009:
Infelizmente, nem só de incentivos precisam as pessoas, pois talvez não queiram sair do lugar. Muitas vezes também precisam da dor para ver melhor a realidade. Mas ninguém fala isso, pois pode ofender. Esse artigo é realista, parabéns. Penso que precisamos ser gentis e dar oportunidades às pessoas, entretanto, muitas vezes, a solução será chacoalhar o que está muito parado. Os problemas podem ser o caminho para a solução e assim por diante. Oremos: Pai, se possível me livre do mal. Mas se não aprendemos com a vida, temos que sofrer para aprender com a dor. Parabéns, novamente.

Leôncio Madruga em 11/03/2009:
A estória do prego é boa, mas seria muito mais proveitosa se fosse substituída pela frase do meu avô: "Árvore que tem gurí subindo em cima sempre está dando fruto". A explicação do meu avô é que quando a árvore percebe a presença de animais por perto, ela começa a dar frutos atraentes para que esses animais possam espalhar a sua descendência. O Motivo é oportunidade de expandir e não o medo de morrer. E o menino que sobe na árvore não a cutuca, mas sensibiliza.

 
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