Maria Bernadete Pupo Maria Bernadete Pupo é administradora de empresas, pós-graduada em Direito do Trabalho e Mestra em Recursos Humanos pelo Unifieo, onde é responsável pela gerência de RH e também palestrante para os cursos de MBA. Dinâmica e atuante é colaboradora de conteúdos para sites e outros órgãos que publicam matérias e informações sobre a sua área de especialização. É autora do livro "Empregabilidade acima dos 40 anos" pela Editora Expressão e arte. É docente dos cursos de graduação e de pós-graduação nas Faculdades Flamingo e Fito - Fundação Instituto Tecnológico de Osasco.
LONDRES - Já mulher de meia idade, desempregada - Susan Boyle, longe de ser um modelo de beleza, é detentora de aparência pouco comum para quem se candidata a programas do tipo reality shows e que como qualquer *pessoa, anseia por um lugar ao sol.
Susan, com postura simples, entra em cena como quem nada quer. Sua vestimenta não condiz com aquele show, onde expectadores exigem boa aparência, pois costumam julgar as pessoas pelo que elas estão no momento e não pelo que elas são.
Quando anunciam a apresentação de Susan, mais do que depressa o animador inicia a entrevista com a candidata fazendo perguntas bizarras, tais como: Qual é o seu nome? Onde você mora? Ela declina o nome e a cidade onde mora. Ele pergunta se é cidade grande ou pequena e ela, com simplicidade, diz que a cidade era tão pequena que mais se assemelhava a um aglomerado de vilarejos. É evidente que todos riem, não se sabe se das respostas ou da figura tão diferente de quem deseja apresentar-se como cantora em programas de grande audiência.
Na verdade seria melhor se ela dissesse que morava num local de destaque ou, no mínimo, conhecido – porque tudo o que, de uma forma ou outra, foge ao senso comum, tem mais dificuldade de ser aceito pelas pessoas. Quando ele pergunta qual é a idade dela, Suzan, ainda inocentemente, lhe informa que tem 47 anos. O entrevistador vira os olhos e a platéia assobia e ri – não o riso espontâneo do humor, mas o riso sarcástico que humilha. Porém, a ironia nem atinge a boa mulher, pois que ela está longe de ser comum e medíocre como a maioria dos mortais. O riso, que simboliza não só o preconceito em relação à figura da moça, mas também à idade, que não combinava com o público frequentador de programas desse tipo – como se diz em seleção de pessoal – revelava que ela, em nada, correspondia ao perfil esperado. Essa situação simboliza a discriminação que o profissional mais experiente enfrenta quando compete com os mais jovens.
Requebrando pela alegria de merecer estar ali, Susan diz que esta é apenas uma parte dela e as pessoas acham graça e a aplaudem. Em seguida, o apresentador lhe pergunta qual era seu sonho, e o que a convencera a viajar de tão longe e qual o seu modelo de sucesso. Talvez ele não esperasse por aquela resposta e ficou surpreso quando ela lhe responde: “estou tentando ser cantora profissional e embora já tenha tentado, nunca me deram uma chance, mas espero que isso agora mude”.
Talvez o animador não esperasse por essa resposta, e então pergunta a ela qual era o seu modelo de sucesso, como forma de testar o tamanho de seu sonho. Ela responde: Ellen Page – a jovem cantora, dona de voz encantadora e muito famosa. Para encurtar a conversa ele pergunta o que ela vai cantar e ela diz: “I Dreamed a Dream” tema do seriado Os Miseráveis. Enquanto isso, o câmera filmava no auditório e no júri as caras feias e as risadas pretensiosas.
Afinal tratava-se de programa feito para achar futuros pop e superstars.
Susan prepara-se e a música começa a tocar. Ela solta a voz, segura, convincente, certa de seu talento, e o inesperado show silencia os jurados atentos; o auditório pasmado, cada um à sua moda, expressando-se com êxtase, como algo inacreditável. O público estarrecido aplaude; o apresentador arregala os olhos, os jurados abrem a boca e todos ficam extáticos e surpresos – talvez até envergonhados pela atitude de pré-julgamento. O apresentador, nos bastidores, balança os dedos e pergunta: “Vocês não esperavam isto, esperavam?”. Essa é uma forma de conseguir a aprovação e a concordância do público em relação à sua anterior atitude, dividindo com as pessoas o pré-conceito que ele demonstrou durante a entrevista.
Aquilo que antes era razão transformou-se em emoção. O público gritava, aplaudia e os jurados, um a um, a sua moda, dessa vez demonstravam emoção. Ao término da canção, o apresentador agradece a Susan e diz que aquela, sem dúvida, era a maior surpresa que ele teve em três anos de show e abre o coração dizendo que quando ela subiu ao palco dizendo que queria ser igual a Ellen Page todos riram, mas que agora ninguém ri mais. Diz ele que ela foi impressionante e teve performance fantástica. Continuou dizendo – maravilhoso – fantástico, estou chocado e pergunta para os colegas: o que vocês acham?
Uma das juradas mais que depressa diz: “Eu estou emocionada porque sei que todos estavam contra você e que, honestamente, acha que todos foram cínicos e que esse foi o maior sinal de alerta contra qualquer tipo de segregação.” Finaliza, agradecendo o privilégio que teve em ouvi-la, complementando que ela foi brilhante.
No momento da votação, Susan ganhou três vezes o SIM, demonstrando aí o tamanho de sua conquista, ensinando-nos a mensagem da importância que tem dois fatores, no caso: competência e humildade. O entrevistador diz a Susan que ela pode retornar ao seu vilarejo de cabeça erguida e com a expressiva votação que pessoas, aparentemente de boa presença, não conseguiram conquistar até então.
Que a postura humilde de Susan sirva de exemplo aos profissionais de Recursos Humanos. Que estes fiquem cada vez mais atentos ao selecionar candidatos. Que façam exercícios constantes para se despir de quaisquer pré-julgamentos para não dispensar verdadeiros talentos. Que não julguem uma pessoa pelo rótulo e nem impeçam a chance a quem aparentemente está fora do perfil de qualquer que seja a função.
Mariana em 25/01/2010: Concordo sobre os esteriótipos, preconceitos... mas, espera aí: o RH trabalha para seus clientes internos, e sabemos que o líder X ou Y quer esse ou aquele tipo de profissional... acho que cabe aqui a reflexão sobre a mudança de cultura, sobre o desenvolvimento dessas lideranças que estão aí. Vai além de preconceito: é a imagem da área, da empresa, o que queremos passar aos nossos clientes... por mais talentoso que alguém seja, é utópico demais falar que isso basta. Imagem é importante sim. Cabe a nós- RH não darmos asas para a organização superdimensionar isso ao preconceito ou pré-julgamento.
Waldimiro em 30/10/2009: A sociedade dos homens define o modelo ideal para todas as áreas, raramente analisa as competências do outro, mas sim a roupagem. Há muitas " Susan Boyle" por aí e quando têm a oportunidade quebra-se todos os paradigmas que se pensava que era o certo.
Fatima Regina Negri Tognetti em 30/06/2009: Maravilhoso este texto e como ele foi descrito. Sou do RH, porém vejo muitas falhas...não existem pessoas "padrão", existem seres humanos, que no momento estão em busca de emprego, recolocação e muitas vezes deprimidos pela situação em que se encontram. Um bom recrutador ou selecionador sabe enxergar atraves das aparencias. Parabens!!!
Deilza em 25/06/2009: Adorei este artigo, parabéns, você expressou muito bem o que acontece com frequêcia nesse meio.
ROSANGELA PEREIRA BARBOSA DIAS em 17/06/2009: Estou fazendo o curso de recursos humanos e passei por esse tipo de preconceito. Trabalho há 8 anos nesta empresa e sei que poço oferecer mais que eles necessitam. Já participei de algumas dinâmicas, mas consigo até chegar na etapa da entrevista, mas no final me falam que sou tímida. Será que esse feedback corresponde a minha personalidade? Sei de uma coisa... não sou tímida. Obrigado pela atenção.
Janine em 05/06/2009: Muitas vezes no nosso trabalho nos comportamos como o apresentador do programa prontos para escrachar o colega por ele ser "diferente". Na realidade as pessoas mais simples são as mais preparadas para enfrentar as adversidades. Susan estava tão confiante no seu potencial que não se rendeu a hostilidade do apresentador e do público. Em verdade, ela sabia que naquele momento ela provaria para todos o quão somos mesquinhos ao pre julgar.
Paulo de Tarso em 31/05/2009: Artigo espetacular!
Além do processo de seleção convencional, as empresas deveriam utilizar mais head hunters (caça-talentos) para inserir talentos humanos em seus quadros. Há muitas pessoas originais, que à primeira vista, não se enquadram nos rótulos impostos, seja do que for; Contudo, se lhes for dada uma chance, de mostrar do que realmente são capazes, podem fazer toda a diferença numa empresa, e até, melhorar o clima organizacional, já que não jogam o jogo do cinismo de fazer ou parecer fazer o que a maioria das pessoas fazem para se encaixar. Os melhores competem consigo mesmos, o tempo todo, e com os outros, cooperam.
"O que existe e muito, são joalheiros ruins, que lapidam mal as pessoas, porque todos nós somos diamantes!"
Obrigado pela oportunidade e pela leitura do artigo espetacular!
Alessandra em 27/05/2009: Parabéns!!
Matéria fantástica! Profissionais de RH deveriam ter como livro de cabeceira, foi notório o pré-julgamento, mas o que chamou a atenção foi o reconhecimento de *todos* em relação ao que pensavam, mais um pouco e essa talvez ainda não seria a *sua vez* de mostrar o seu talento; devido ao nosso pré-conceito, olhar critico e julgamento precipitado.
Parabéns à Susan pela sua conquista, que foi com muita humildade, determinação e competência.
Marmo, Francisco Antonio em 27/05/2009: Para os corações alentados não há impossíveis. Que licão única, inclusive já vimos isto através dos tempos desde JESUS, que nunca em tempo algum devemos fazer em qualquer situação, nem um tipo de pré-julgamento, muito comum em todos os ambientes que frequentamos.
João Maria em 27/05/2009: Talvez seja essa a justificativa da alta rotatividade existente em algumas empresas. Pois na hora da seleção muitos candidatos competentes não se enquadram no dito "padrão" estabelecidos por elas.
Parabéns pela excelente matéria.
waldir azevedo fihlo em 27/05/2009: Parabéns a autora e equipe Agora todos os Rhs, se constituem em meros faz de conta...ou será a pressão dos que escolhem? o perfil...a idade...alquém aí sabe responder? e agora, surpresa geral? Não julguem só pela aparência... e eles julgavam!!!, Não critique sem ouvir ou pelo menos de-lhe um minuto...,
Bem senhores, está aí a Susan, depois dela virá outras e outras, que com medo se escondiam sob o manto pertétuo da vergonha, e olha sem necessitade, nós é quem estamos estigmatizando pessoas até mesmo melhores do que nós. REFLITAM,
waldir azevedo filho.
Adriana Menezes em 27/05/2009: Parabéns à autora do artigo! Assisti ao vídeo de Susan Boyler e foi fantástica a ligação que a autora fez com o ocorrido em relação à organização, especificamente em quem recruta pessoas! Infelizmente o pré-conceito ainda é uma realidade da humanidade!
Eliana em 27/05/2009: Maria Bernadete, parabéns pelo artigo, entretanto é sabido que estamos muito longe de termos profissionais de RH que tenham a visão descrita por você. E os poucos que tem, nem sempre conseguem colocar em prática por não terem autonomia dentro das empresas. O importante é persistir.
Jair em 27/05/2009: Fico feliz quando vejo que algumas pessoas pegam ganchos preciosos para alertar o "povo" sobre seu lado sombrio. Este alerta deve ser para todos os seres humanos que de alguma forma interage com seu semelhante. Pegando o gancho da Fernanda, o que vemos não é o que é. o que é, é o que não vemos. Parabéns!
Fernanda em 27/05/2009: É a prova + recente enviada ao mundo de que " as aparências enganam"
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