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28/09/2009
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Eu quero é mais! Remunerar não basta para motivar

Por Carmem Castro para o RH.com.br

O ambiente de trabalho perfeito é aquele que preenche nossas necessidades. Há quem busque salário, mas há quem aceite ganhar menos em troca de reconhecimento, satisfação pessoal, qualidade de vida, desafios, carreira ou visibilidade na sua área.

Profissionais motivados para o trabalho e que amam o que fazem é o que toda empresa busca. O desafio é atender aos anseios das pessoas, tratando-as de forma individualizada e da maneira como elas desejam. Segundo Shoshana Zuboff, professora de Harvard (JACOMINO, 2004), "as pessoas não querem ser tratadas como um número na multidão, mas entendidas por suas necessidades específicas". As empresas que satisfazem essas necessidades conseguem reter seus talentos, são realizadoras de sonhos; as que não perceberam isso, ainda, somente os detêm, e correm o risco de perdê-los.

A relação dos profissionais com as empresas mudou drasticamente nos últimos anos, principalmente com a revolução do conhecimento. Antes as pessoas "vestiam a camiseta", seduzidas por estabilidade, salários e assistência médica, hoje isso já não basta. Elas almejam organizações alinhadas com seus valores em um processo que precisa ser alimentado e renovado todos os dias, assim como num casamento. Os funcionários precisam ser vistos como pessoas por inteiro, não mais apenas como "mão-de-obra".

A ideia de que o profissional é quem deve se adaptar ao perfil da companhia está acabando. "Hoje, é ele quem deve se informar sobre a organização na qual gostaria de trabalhar e compreender sua cultura", diz Alexandre Gracioso (2002). Assim, o alinhamento de interesses torna-se fundamental para que a pessoa desenvolva todo o seu potencial e se realize, conduzido pela motivação a produzir mais e melhor.

Dinheiro, é claro, ainda é prioridade para muita gente. É o que move boa parte das pessoas a sair de casa para trabalhar, porque elas necessitam pagar suas contas e manter-se financeiramente. "Um contracheque gordo pode não segurar um talento, mas a falta dele o leva rapidinho para a concorrência", diz Jorge Alberto Viani, da William Mercer Consultoria (FONTANA, 2001). Mas essa ser a primeira escolha torna-se arriscado, pois, em um mercado cada vez mais agressivo e competitivo, é difícil manter-se por muito tempo em uma empresa só por dinheiro, por maior que seja o contracheque.

Não há dinheiro que pague a realização pessoal. A realização no trabalho inclui mais que salário, compreende a chance de crescer e ter novos desafios. É a possibilidade de as pessoas darem significado ao que fazem. É fato que salário ruim desmotiva o profissional, mas recebê-lo acima da média de mercado não é suficiente para que a pessoa se sinta estimulada para o trabalho, ou seja, não garante a satisfação do funcionário em relação à empresa.

A motivação dos funcionários é tarefa cada vez mais importante para o sucesso empresarial, pois envolve sentimento de realização, de reconhecimento e de crescimento profissional. Conforme Chiavenato (2006), o colaborador sente-se mais motivado quando lhes são atribuídas tarefas significativas e desafiadoras. Assim, motivar as pessoas é fazer com que sintam orgulho de trabalhar na empresa, é despertar o sentimento de afiliação, permitindo-lhes trazer seus valores para o ambiente de trabalho.

Comprometimento gera comprometimento, e isso sim, com certeza, irá potencializar os efeitos das estratégias de negócio, aumentando os lucros. A pergunta é: existe uma forma correta para motivar as pessoas? Segundo especialistas, as duas principais são o bolso e a preocupação com o ser humano. Mas, qual desses dois modos de motivação é o melhor? Se levarmos em conta o desempenho financeiro, os dois lados são igualmente eficazes. O que muda é o tipo de profissional que a empresa irá atrair, ou seja, o tipo de incentivo a ser oferecido deve estar alinhado ao perfil dos profissionais que a organização gostaria de ter. Segundo o pesquisador Leon Martel (CUNHA, 2002), isso seria a transição dos valores materialistas, do apego à riqueza, para os pós-materialistas, aqueles que buscam o bem-estar.

Assim, o que importa é a criatividade e a capacidade das empresas de focar as necessidades específicas de seu pessoal, uma vez que sem os investimentos financeiros é o que vai fazer diferença para os funcionários. O fato é que não existe uma fórmula, existe sim, uma mudança no mercado de trabalho, que sinaliza para a necessidade da valorização do maior bem da empresa: o seu capital intelectual.

* Colaboraram para a produção deste artigo - Janice Silene Gomes de Oliveira e Regina DAmmbrosi

Palavras-chave: | remuneração | motivação |

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COMENTÁRIOS (8)
Marcia em 10/07/2011:
Carmem, compartilho com tudo que está no seu texto e mais, como gestora, tenho aplicado os conceitos para engajamento da equipe num objetivo comum que não seja apenas financeiro. Porém, Equipes de Fábrica, MOD, só conhecem a motivação através de remuneração salarial. Tenho ficado frustrada com tanto empenho para mudar esta realidade e sem sucesso. Mas... não vou desistir.

Alexandre de Souza em 01/05/2010:
As empresas realmente competentes são aquelas que conseguem visualizar as principais necessidades de seus colaboradores. Mais uma vez, excelente texto.

Audrei Regina em 08/10/2009:
Dar um significado ao que se faz, como relatado acima, não é qualquer um! Vemos pessoas trabalharem pra estar empregada e só! Agora dar um valor ao que esta sendo feito..., por experiência, não vemos! Por isso Carmem, Janice e Regina vocês conseguiram dizer muito bem sobre este tema. Eu acredito muito e luto pelo valor da pessoa, pela realização profissional, e acredito que vamo chegar lá!

Alessandra Rocha em 06/10/2009:
Muito bom artigo, Carmem! Não há mais dúvidas que para as empresas manterem seus talentos, elas deverão estar em sinergia com os mesmos, tendo ciência que só bons salários não serão suficientes, mas sim um comprometimento mútuo, onde as necessidades de ambos sejam supridas. Parabéns!

Gilberto C. Olgado em 05/10/2009:
Parabéns pelo texto Carmem!! Realmente percebemos que tem que haver uma relação mais estreita entre a empresa e seus colaboradores. Por isso destaco o RH como um departamento fundamental para que este relacionamento seja transparente, administrando o interesse de ambos. Mais difícil do que se deparar com um colaborador bem remunerado e desmotivado pelo não reconhecimento da empresa é um colaborador mau remunerado, sem reconhecimento e que necessita do emprego por não haver opções no mercado de trabalho. Talvez sejam situações com o mesmo peso no final, porque afetam o rendimento pessoal e da empresa podendo causar à longo prazo efeitos produtivos negativos economicamente. Mas nas duas situações, o RH vai atuar para proporcionar motivação à ambos, onde o relacionamento entre empresa e colaboradores sejam mais estreitos e o comprometimento seja maior objetivando o crescimento e reconhecimento de ambos. Pois sabemos que a motivação precisa enfatizar não só o fator econômico mas a satisfação também é fundamental para ambas as partes.

Flavius Júnior em 30/09/2009:
Ótimo texto.

elizabeth garcia de mattos em 29/09/2009:
O assunto abordado realmente é instigante na medida que ainda percebemos organizações que não perceberam que sua visibilidade e sustentabilidade é justamente devido ao seu patrimônio maior: as pessoas que nela trabalham. Organizações que não perceberam , tenderão a vê-las migrando para sua concorrente. Uma política de atendimento aos clientes internos implantada de forma eficaz com certeza será a garantia de sua permanência no mercado e terá colaboradores compromissados com os resultados

Daniel Bernardes Pereira em 28/09/2009:
Percebo que nos dias de hoje, organização inteligente será aquela que conseguir detectar quais as reais necessidades dos seus funcionários. A organização que desenvolver um trabalho desta magnitude, além de estar obtendo vantegem competitiva frente a concorrência, também estará propiciando aos seus funcionários um ambiente de trabalho que estimule as suas aspirações pessoais e profissionais.

 
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