O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Está aberto o 7º Congresso
Virtual de RH!
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »






06/10/2010
RH » Motivação » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

É justo premiar competência com mais trabalho?

Por Taís Andrade Targa para o RH.com.br

Paulo Roberto Silva (nome fictício) é funcionário dedicado, rápido na entrega de resultados, e em tudo o que faz imprime qualidade, agilidade e inovação. É o profissional com maior destaque entre os Analistas de Marketing da empresa onde trabalha. Empresa esta de renome internacional, reconhecida no mercado pela qualidade de seus produtos, mas que está buscando atualmente otimizar processos e controle orçamentário. Até segunda ordem as promoções e os aumentos salariais estão suspensos. Acontece que na equipe de Paulo existem mais cinco Analistas de Marketing com salários que variam em até 30% acima ou abaixo de sua remuneração. Quando o assunto é performance e entrega, contudo, a liderança é unânime em apontar Paulo como funcionário destaque.

Nos últimos meses Paulo foi premiado com cinco novos projetos, sendo que dois deles são extremamente estratégicos para a empresa e os demais são projetos que têm certa complexidade. Paulo hoje gerencia nove projetos, enquanto seus colegas trabalham em média com no máximo cinco projetos consecutivos. Para dar conta do recado, Paulo tem estendido sua jornada, trabalhando até 12 horas diárias e ainda levando trabalho para casa nos finais de semana. Alguns funcionários de outros departamentos comentam que Paulo já não é mais o mesmo, já não brinca com todos na hora do cafezinho, não responde os e-mails com a rapidez costumeira e a sua marca que sempre foi qualidade e agilidade está estremecida. Sua esposa também reclama que ele não dá atenção para ela, que vive tenso e só fala em trabalho.

Este cenário lhe é familiar? Cuidado, você pode ter sido o vencedor da campanha "trabalhe bem e ganhe excesso de trabalho".

Situações como a de Paulo são muito comuns no ambiente coorporativo e profissionais brilhantes têm se afastado das empresas por sérios problemas de saúde física e emocional, que se iniciaram com a sobrecarga de atividades. Portanto, cabe à liderança estar atenta à distribuição de tarefas, pois é tendência natural delegar trabalhos mais complexos e estratégicos para os melhores talentos. No entanto, ninguém consegue por muito tempo manter sua performance e motivação com sobrecarga de trabalho e sem nenhum benefício ou ajuda adicional.

Nenhum ser humano é igual ao outro, cada qual com sua singularidade, talentos e deficiências. É muito mais eficiente trabalhar com aquilo que temos de melhor, no entanto, não se pode esquecer-se de desenvolver uma equipe onde todos possam ser avaliados e o trabalho dividido de tal forma que não haja grandes discrepâncias entre profissionais de um mesmo cargo. O líder tem que ter um olhar atento para saber qual é o limite de cada um e possibilitar uma divisão justa de tarefas e funções, premiando os profissionais "destaques" de forma adequada.

Cabe aos profissionais de Recursos Humanos promoverem e disseminarem políticas e estratégias para retenção dos melhores talentos, bem como possibilitar que cada indivíduo tenha condições de crescimento e desenvolvimento de acordo com suas motivações e competências, auxiliando muitas vezes as lideranças a "premiar" o bom resultado com ações que promovam antes de tudo saúde, satisfação e benefício pessoal.

 

Palavras-chave: | programa motivacional | reconhecimento |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (6)
Patrícia Bentes em 18/11/2010:
Achei excelente este artigo! Porque há diversos tipos de profissionais, cada um funcionando de uma forma, este que eficaz, eficiente com prazos e metas, organização para realização no menor tempo e com qualidade e o outro que talvez demande um pouco mais de tempo para realizar a mesma função. Uma pena é a tendência das empresas em acreditarem que este que realiza em menor tempo que está 'errado' e sua competência passa a seu maior inimigo, pois não lhe traz o beneficio do reconhecimento. Entra no esquema: já cumpriu então lhe dê outro projeto. E infelizmente há gestores que abafam este tipo de talento por sentirem-se ameaçados em sua função. Adorei o artigo, é um assunto a ser pensado tratado e trabalhado pois há muito o que se fazer ainda neste cenário negocial.

Vinício Da Silva Ferrão Júnior em 08/11/2010:
Parabéns. É um tema que não deixa de ter atualidade e deve levar a uma reflexão profunda sobre as questões de desenvolvimento nas empresas. O fato do trabalhador destacar-se dos demais, não significa que deve gerir todos os projetos. Deve haver uma redistribuição de tarefas, avaliação do grau de cumprimento e se deverão elaborar programas de formação para atender especificamente as debilidades dos restantes membros da equipe. Competência não significa quantidade, mas apenas qualidade. O excesso de trabalho leva ao surgimento de outras situações que poderão afastar o colaborador da sua família, do seu local de trabalho por motivos de saúde. Os RH devem acompanhar essas situações de modos a propor soluções. Por isso é que o trabalho em equipe é o mais recomendavel.

Albino de Barros Ribas Junior em 23/10/2010:
Parabéns, pela simplicidade com que foi tratado um tema tão complexo. Sabemos que os relacionamentos são construídos por pessoas que possuem pequenas diferenças e justamente essas pequenas diferenças é que fazem a grande diferença dentro do mundo corporativo. O problema talvez seja que dentro das pequenas e médias corporações e por não haver a inversão da pirâmide o "gestor" estando no topo, também com suas pequenas diferenças causa o ambiente propício para premiar o competente com mais trabalho. Perpetua assim, o péssimo clima organizacional. Excelente artigo!!!!

William Dionysio de Oliveira em 14/10/2010:
Taís, isso acontece sempre com quem faz a diferença entre os iguais. Essa diferença tem preço: Saúde prejudicada, Ausência familiar, Segundo plano familiar, Isolamento com os amigos. Mas o profissional qualificado sabe que isso acontece. E como o bom aluno, os que nada sabem, não querem nada, no dia das provas sentam perto daquele aluno para a famosa "colinha". Infelizmente isso acontece em qualquer esfera.

Adriano Fiori em 11/10/2010:
Excelente artigo. Parabéns. O descrito por você, Taís, é mais comum do que se imagina. Ao meu ver, este colaborador do exemplo, além dos prêmios de benefício pessoal, deveria ser promovido a gerir equipes, já que possui conhecimento e habilidade de como gerenciar um projeto. A Organização só terá a agradecer. Abs

Danilo Fernando Olegario em 06/10/2010:
Parabéns pelo artigo, Taís. Infelizmente esse cenário é muito comum, o sujeito que tem maior habilidade de entrega sempre será a referência do setor e, portanto, o excesso de trabalho despencará sobre ele.

 
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

Seminários RH.com.br

7º ConviRH



RH.com.br no Twitter


PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.