Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
RH.COM.BR - O que as empresas podem fazer para tornar o ambiente de trabalho mais agradável?
Max Gehringer - A lista é imensa. Vai desde a temperatura ambiente até a liberdade de cada funcionário escolher como quer decorar seu cantinho, passando pelo estado dos móveis e equipamentos, pela limpeza nos sanitários e por centenas de outros detalhezinhos. Porém, o mais importante - e nem todas as empresas se dão conta disso, é que um ambiente fisicamente agradável tem que ser "além de" e não "ao invés de". É possível criar um local lindo de morrer, onde as pessoas se detestam, como também é possível que pessoas se sintam bem e se respeitem num lugar onde não haja cadeiras estofadas nem cafezinho fresco. No fundo, embora algumas empresas gastem fortunas para construir paraísos corporativos visualmente atrativos, o que faz um ambiente de trabalho ser agradável ainda é o fato de que cada funcionário já sabe, antes mesmo de sair de casa pela manhã, se valerá ou não a pena passar um dia inteiro convivendo com os colegas. E, se a maioria achar que ir trabalhar é um sacrifício, não há quadro na parede nem música ambiente que consiga mudar isso.

RH - E o que aconteceu com essa equipe de gerentes?
Max - Um dia a equipe foi desafiada a preparar um projeto viável (em termos de custo e de execução) para o lançamento de um novo produto. Só que havia um porém: uma outra equipe, a de Marketing, estaria fazendo exatamente a mesma coisa, e as duas equipes competiriam entre si para ver qual apresentava o melhor projeto. Aí, de repente, as diferenças de opiniões dos gerentes de vendas acabaram: com um projeto claro e com um oponente visível, todos esqueceram o próprio ego por alguns dias e apresentaram um projeto extremamente bem feito. Aliás, dois projetos, porque o da equipe de Marketing também era ótimo, e o resultado final foi uma combinação das melhores idéias. Se os dois grupos não estivessem competindo saudavelmente - esse é o "bom conflito" - eu duvido que os resultados tivessem sido tão bons.
RH - E qual a função do líder neste momento?
Max - Ele tem sempre que ter em mente que é uma ponte, e não um muro. Muitos líderes têm tendência a achar que devem se imiscuir em todos os problemas de seus funcionários, inclusive os pessoais. O verdadeiro líder facilita a vida de todo mundo, é uma ponte entre os problemas de seus subordinados e as devidas soluções. Às vezes, a solução nem passa por uma decisão do líder, e é aí que ele mostra se é líder mesmo, delegando e apoiando o subordinando. É nesse ponto que o líder pode se tornar um muro: dali ninguém passa antes de explicar direitinho o que vai fazer do outro lado. A verdadeira liderança, aquela realmente consistente e duradoura, só existe quando há respeito mútuo entre o líder e o subordinado.
RH - Mas sabemos que poucos líderes adotam esta postura. Neste caso, como o subordinado deve encarar, por exemplo, aquele chefe explosivo?
Max - Muito simples: enfrentando a fera. Quem tem um chefe explosivo, ou persecutório, ou ciumento, ou tudo isso junto, tem que encará-lo de frente. Educadamente, mas decididamente. O confronto pode levar a uma de duas situações: ou o chefe recua e reavalia seus modos, ou demite o funcionário. E ambas as situações são positivas, inclusive a segunda. Porque quem se curva uma vez, porque tem medo de perder o emprego, vai passar o resto da vida curvado.
RH - Você acredita que os programas de integração são uma alternativa para melhorar os relacionamentos?
Max -Sem dúvida. Numa empresa onde eu trabalhei, a Elma Chips, havia um dia por ano em que cada funcionário do escritório saía em rota com um vendedor. Os dois ali, o dia inteiro, num calor danado ("o dia" era em Janeiro), numa Kombi sem ar condicionado, visitando e atendendo cerca de vinte pequenos clientes. E, claro, conversando.
RH - O resultado dessa experiência foi positivo?
Max - Era incrível como, depois dessa experiência, o funcionário administrativo passava a apreciar o trabalho do vendedor. Já os vendedores também tinham o seu "dia na fábrica". Passavam horas na linha de produção e na expedição, acompanhando trabalhos rotineiros e repetitivos (ou, segundo os vendedores, "chatos"). E saíam dali respeitando um pouco mais os operadores e carregadores. Integração significa "Tempo e condições para entender e valorizar o que o outro faz", e não "Ser apresentado a um monte de gente" ou "Assistir a um vídeo onde funcionários sorriem o tempo todo".
RH - Qual a importância do humor para as relações no trabalho?
Max - Para quem acha que seriedade e mau humor são sinônimos, a importância é nenhuma. Mas, para quem acredita que é possível ser sério na execução de tarefas e bem humorado no relacionamento, a importância é total. As empresas onde eu trabalhei que apresentavam melhores resultados eram, por coincidência ou não, exatamente as mais engraçadas. As pessoas eram felizes porque os resultados eram bons, ou os resultados eram bons porque as pessoas eram felizes? Ou, quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Eu sei lá, mas continuo acreditando que galinhas bem humoradas botam mais ovos. E com muito menos esforço.
Palavras-chave: | Max Gehringer | clima | humor |
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