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23/04/2007
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Motivação sem grandes mistérios

Patrícia Bispo

A relação entre empresa e funcionários bem que poderia servir de inspiração para muitos poetas, afinal dentro dos espaços organizacionais ocorrem situações que fazem brotar os mais variados sentimentos humanos: alegria e tristeza, medo e coragem, criatividade e acomodação, empolgação e falta de estímulo para vencer os obstáculos, os desafios. Todas essas emoções envolvem pessoas e essas, por sua vez, são as responsáveis pela sobrevivência do negócio e não há como imaginar que deixarão de fazer parte do dia-a-dia das empresas. No entanto, é preciso que os sentimentos positivos sempre estejam em evidência e os negativos, se possível, não ocupem espaço no ambiente corporativo. Mas, por que as empresas devem ficar atentas a esses indicadores? Porque é através deles que se identifica se uma equipe está ou não motivada, se os profissionais encontram-se dispostos a “vestir a camisa da empresa” e alcançar uma boa performance.
Para falar sobre o tema “motivação”, o RH.com.br conversou com o consultor organizacional Armando Ribeiro. Segundo ele, motivar as pessoas é um risco que precisa ser enfrentado pelas empresas, mas que gera resultados significativos e que influenciam desde o clima corporativo até a fidelidade do cliente externo. Armando Ribeiro participará do I ConviRH – Congresso Virtual de Recursos Humanos, promovido pelo RH.com.br, que acontece no período de 10 a 24, em maio próximo. Ele ministrará a palestra “Pessoas que Brilham Formam Equipes de Sucesso”. Confira a entrevista e aproveite a leitura!

RH.com.br - Qual o princípio básico e indispensável para que uma pessoa seja motivada?
Armando Ribeiro - Fundamental ter um objetivo claro e concreto a ser atingido. Não basta apenas querer, ou estar sentindo que poderá. É importante que a pessoa esteja construindo algo em direção ao objetivo. Quanto mais claro for esse objetivo mais a pessoa poderá sentir a motivação. É como ocorre na obra de Lewis Carroll, onde “Alice no País das Maravilhas” quando diz ao outro personagem – o Gato – “Quer não sabe para onde quer ir?” e ele responde que, então, qualquer caminho serve. Pessoas motivadas sabem onde querem chegar.

RH - Esse mesmo princípio vale tanto para a vida pessoal quanto profissional?
Armando Ribeiro - Uma pessoa não é como um aparelho que liga e desliga. Agora sou profissional. Agora desligo, apago tudo e sou só um pai e assim por diante. Somos tudo ao mesmo tempo e aprendemos com os diversos papéis que temos na vida. Um objetivo atingido na vida profissional influencia a vida pessoal e vice-versa. Um grande amor, por exemplo, incentiva e motiva a alcançar um emprego melhor para que se possa casar. O casamento dando certo me motiva a me relacionar melhor com meus parceiros e colegas. Assim vamos conquistando objetivos e resultados. O princípio é sempre o mesmo.

RH - A motivação só se manifesta quando o indivíduo está pré-disposto a aceitar mudanças?
Armando Ribeiro - Toda a motivação implica em atingir resultados diferentes daqueles que estamos vivendo. Se fizermos sempre as mesmas coisas saberemos que vamos atingir mais ou menos os mesmos resultados. Então, se queremos resultados de vida diferentes precisamos mudar o “como fazemos”. Aceitar que é preciso mudar para atingir resultados diferentes é o primeiro passo de uma pessoa motivada. A pré-disposição é inerente à mudança. Podemos dizer que quanto maior a pré-disposição à mudança, mais rápido e eficazmente atingimos os objetivos. Contudo, o principal é que a pré-disposição à mudança nos faça perceber melhor os caminhos a serem trilhados e não se abater pelos possíveis tropeços.

RH - As ações motivacionais numa empresa devem ser pautadas sempre na cultura corporativa?
Armando Ribeiro - Numa empresa é complicado atender a todos. Cada pessoa tem algo interno, pessoal e intransferível que é a aceitação do estímulo que a empresa coloca para o profissional para que ele se motive. É preciso ter em mente que existe um perfil de pessoas que estão trabalhando na empresa e que elas formam uma cultura. Portanto, estimular algo que seja muito diferente da cultura é arriscado e pode ter um efeito contrário. Por outro lado, é preciso mostrar que as pessoas podem fazer diferente, para alcançar resultados diferentes. Estimular as pessoas, então, sempre é um risco que precisa ser administrado.

RH - A motivação surge primeiro como um processo unilateral, para depois ser uma via de mão dupla?
Armando Ribeiro - Tudo começa e termina na pessoa, no individual. Motivação é um processo solitário no primeiro momento que ganha corpo quando a pessoa percebe que poderá compartilhar de resultados com outras pessoas e isso serve para qualquer tipo de organização, não só empresas. Não há uma seqüência lógica para esse processo. Muitas vezes um acontecimento qualquer detona toda uma série de estímulos que motivam as pessoas. O que as empresas têm realizado é a partir da diretoria começar um processo de estímulos para as pessoas se motivarem. Isso, entretanto, não é garantia de sucesso. O que vale realmente é a situação de que estabelecemos, ou seja, um objetivo. Motivamos-nos, conseguimos resultados e nos motivamos para novos desafios e novos objetivos.

RH - Quais os fatores que mais interferem positiva ou negativamente numa ação motivacional?
Armando Ribeiro - Para responder esta pergunta é preciso estudar um pouco a cultura e o clima da organização. Perceber as pessoas que estão lá e o que elas efetivamente têm e o que almejam. Muitas vezes, apenas um agradecimento público sincero é um fator de motivação para dezenas de pessoas. Outras vezes, a maioria lança a famosa questão: “Eu quero em dinheiro!”. É preciso analisar cada etapa do processo. Estimular meus funcionários para se motivarem com qual objetivo? Esse objetivo é claro para todos os envolvidos no processo? Agora, os fatores que interferem com certeza positivamente são: autenticidade, transparência e clareza dos objetivos. Os que interferem negativamente são: jogos de poder, comunicação truncada e desonestidade.

RH - Quem mais influencia um processo motivacional: a alta direção, a área de RH ou os gestores?
Armando Ribeiro - Bons exemplos sempre serão fundamentais nas ações de estímulo. Quanto maior o grau hierárquico de quem dá o exemplo, se mostra motivado, e, divide as experiências, melhor o estímulo percebido pelos funcionários. Entretanto como motivação não é uma formula matemática, isso pode ocorrer às vezes com alguém que não tem qualquer autoridade constituída. Já vi uma copeira ser modelo e exemplo e muitas pessoas se sentirem motivadas.

RH - Quais os indicadores que devem ser considerados, para avaliar se uma equipe está realmente motivada?
Armando Ribeiro - O entusiasmo e a vibração quando atingem os objetivos que elas propuseram. O grau de maturidade em aceitar os insucessos também é um fator que pode ser medido. A capacidade de “dar a volta por cima” e de aprender com os erros e os tropeços do dia-a-dia. Uma equipe motivada tem pessoas que buscam constantemente ajudar uns aos outros e se superam nas suas atividades.

RH - É possível investir em motivação sem gastar cifras significativas?
Armando Ribeiro - Sem dúvida alguma. Se para que as pessoas estejam motivadas é necessário que tenham pelo menos um objetivo, um desafio a ser conquistado, basta tornar isso público. Deve-se transformar esse processo de comunicação interna em algo que dê algum prazer as pessoas. Elas devem, antes de tudo, sentirem orgulho de fazerem parte de ”algo”. Construir e compartilhar. Dar modelos e exemplos. Reuniões onde possam ser discutidas as ações que podem levar a organização a um patamar superior e o que isso vai auxiliar a cada um.

RH - Que conselho o Sr. daria, para as empresas que consideram ações motivacionais um supérfluo?
Armando Ribeiro - Não tenho conselho para essas empresas. Tenho um alerta. Antigamente, a relação de trabalho se dava da seguinte maneira: manda quem pode obedece quem tem juízo. Isso já está mudando e muito rápido. Pode ser paradoxal, mas esqueçam teorias complexas, idéias fantásticas. Inovem, mas comecem com o básico, com o arroz com feijão. Com a conversa particular, com o incentivo não só financeiro, mas emocional. Vale lembrar que motivação é emocional que se manifesta através do físico, nos sorrisos, nos abraços, nos contatos e no relacionamento com os clientes. Por isso, o alerta é: promovam ações que estimulem seus funcionários antes que a empresa quebre. Antes que seu cliente vá embora e saia falando do péssimo atendimento. E tantas coisas que já não são mais novidades para ninguém.

Serviço:
I ConviRH - Congresso Virtual de Recursos Humanos
De 10 a 24 de Maio de 2007
Clique aqui para mais informações: www.convirh.com.br

Palavras-chave: | motivação | Armando Ribeiro | ConviRH |

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COMENTÁRIOS (1)
silvana em 23/05/2009:
Conteúdo valioso e real, Parabéns !

 
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