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24/07/2012
RH » Motivação » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Sua empresa oferece um bom salário emocional aos seus colaboradores?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Se já é complicado encontrar um profissional que atenda às expectativas do negócio, tampouco se torna uma tarefa fácil reter esse talento na organização e não perdê-lo para a concorrência. Mas, o que de fato encanta um profissional ao ponto de fazê-lo permanecer na organização e se comprometer com o negócio? Algumas empresas apostam em remunerações atraentes, somadas a benefícios diferenciados. Será que isso realmente faz o diferencial? Lógico que contar com um salário acima do oferecido do mercado é sempre um fator bem-vindo, mas algo desperta o interesse dos dirigentes para outras vertentes, dentre essas o salário emocional - um conjunto de fatores emocionais que fazem com que as pessoas queiram permanecer em uma empresa.
Para explanarmos um pouco mais esse assunto, o RH.com.br entrevistou Fausto Alvarez, sócio da Consultoria Kienbaum, que possui mais de 20 anos na área de Recursos Humanos com ênfase em HR Management. Segundo ele, uma pesquisa realizada pela própria Kienbaum junto a 18 mil líderes, o principal fator que encanta o público entrevistado está diretamente relacionado ao progresso na carreira, ao aprendizado e ao desenvolvimento. "A remuneração, tanto de curto como de longo prazo são muito importantes. Contudo outros fatores são tão ou mais importantes para a permanecia dos talentos, nas empresas", resume Fausto Alvarez. Confira a entrevista na íntegra e avalie se o salário emocional está sendo utilizado na sua organização, para a permanência dos profissionais que fazem o diferencial. Boa leitura!


RH.com.br - A atração e a retenção de talentos levam muitas empresas a buscar alternativas para dar uma guinada na Gestão de Pessoas. Dentre essas, encontra-se o chamado "Salário Emocional". O que isso significa, na prática?
Fausto Alvarez - Salário emocional são fatores motivacionais que fazem com que as pessoas queiram permanecer em uma empresa. Em pesquisa realizada pela Kienbaum com aproximadamente 18 mil líderes, e estamos falando de diretores, gerentes e demais lideranças, as pessoas nos disseram que o primeiro fator mais importante para elas está relacionado ao progresso na carreira, ao aprendizado e ao desenvolvimento. O segundo fator mais importante é a própria natureza das atividades, pois para elas têm que ser um trabalho desafiador. O terceiro fator inclui o trabalho de conteúdo enriquecedor, fazer a diferença e trazer uma efetiva contribuição. A remuneração vem apenas em quarto lugar.

RH - Quando e de que maneira o salário emocional deve fazer-se presente no dia a dia dos colaboradores?
Fausto Alvarez - O salário emocional deve fazer-se presente sempre, por meio de ações de retenção que atendam às aspirações dos colaboradores, como possibilidades reais de progresso, crescimento pessoal, desenvolvimento constante e novos desafios.


RH - Quem deve aplicá-lo é sempre o gestor?
Fausto Alvarez - Podemos afirmar que o gestor é o principal responsável, além do próprio colaborador, pelo desenvolvimento da sua equipe e as pessoas querem ter um gestor que se dedique ao desenvolvimento das pessoas. É sabido, contudo, que grande parte dos desligamentos, por iniciativa do colaborador, acontece porque na realidade eles querem trocar de chefe.


RH - De que forma o salário emocional pode ser expresso diante dos profissionais, para que não surja na equipe aquele sentimento de que um ou outro colaborador tornou-se o "preferido do chefe"?
Fausto Alvarez - As possibilidades de desenvolvimento, crescimento pessoal, novos desafios devem ser sempre oferecidos a todos os colaboradores e uma boa política e processos de meritocracia acabam naturalmente mostrando a todos os colaboradores que as melhores recompensas serão sempre destinadas àqueles que entregam mais resultados para a organização.


RH - Aqueles que administram o salário emocional devem passar por algum tipo de treinamento, para que não cometam injustiças?
Fausto Alvarez - Sim. É fundamental que os gestores passem por bons programas de Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching. Mas programas com alguma parte teórica importante, mas com uma grande parte destinada a exercícios, estudos de casos, pré e pós work, ou seja, a chamada lição de casa. Não aprendemos de forma geral, a fazer Gestão das Pessoas na universidade, e de uma hora para outra ganhamos uma equipe para liderar. Portanto, treinamento e reciclagem constantes são fundamentais.


RH - Quais os benefícios mais expressivos que o salário emocional gera ao ambiente organizacional?
Fausto Alvarez - O principal benefício que o salário emocional gera é sem dúvida alguma o sentido de pertencer àquela organização e não há nada mais valioso que isto para uma empresa, ou seja, o desejo dos seus colaboradores de que pertencem àquela empresa e de saber que seus talentos desejam continuar lá.


RH - Em sua opinião, qual o grande entrave que as empresas enfrentam quando buscam aplicar o salário emocional junto aos seus talentos?
Fausto Alvarez - De modo geral, pelo que vimos no mercado, as empresas estão muito preocupadas com a falta de pessoas qualificadas, com a falta de líderes, mas não sabem por onde começar a encontrar o que procuram. A remuneração, tanto de curto como de longo prazo são muito importantes, mas outros fatores como os citados anteriormente são tão ou mais importantes. E o maior entrave é não estabelecer o foco que uma ação como esta necessita, a definição dos fatores motivacionais e de retenção que farão com que seus colaboradores queiram estar juntos com a empresa e como trabalhar estes fatores em sua liderança.


RH - Que tipo de contribuição a área de Recursos Humanos oferece, para que o salário emocional faça parte da cultura da organização?
Fausto Alvarez - A contribuição que o RH pode dar é muito grande e decisiva no processo de motivação e retenção de pessoas, por meio do salário emocional. A área de Recursos Humanos deve levar o tema de forma estruturada para o grupo que tem a responsabilidade pelas decisões mais importantes e estratégicas da organização.


RH - O salário emocional está diretamente relacionado ao clima organizacional ou ao desempenho dos profissionais?
Fausto Alvarez - A resposta para sua pergunta é afirmativa. Sim, o salário emocional está diretamente ligado ao clima e ao desempenho das pessoas. Se estivermos em uma organização que nos oferece possibilidades de crescimento pessoal, de aprendizado continuo, de desenvolvimento, um trabalho desafiador, onde tenhamos a oportunidade de mostrar que podemos trazer uma contribuição diferenciada, o clima será muito melhor e desempenho também, para que as pessoas acompanhem e mereçam todas as possibilidades que surgirem na organização.

 

Palavras-chave: | Fausto Alvarez | Kienbaum | salário emocional | retenção |

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COMENTÁRIOS (7)
Anonymous em 05/07/2013:
Perdão. Mas a resposta quanto ao que o RH pode fazer ficou muito evasiva e isso me incomoda, pois reforça o sentimento que muitos têm que o RH é pura conversa motivacional sem substância. O que é uma grande inverdade. Também achei que se falou muito em desenvolvimento de carreira como salário emocional, o que não é bem isso. Agora, falar de meritocracia como forma de mostrar salário emocional é voltar à remuneração como forma de reconhecimento e motivação. Meritocracia é importante, mas acredito que o Salário Emocional tem mais a ver com a possibilidade de identificação do significado do seu trabalho, ampliando a percepção de que o comprometimento gera resultado (da atividade, da empresa, não necessariamente no salário); residindo no fato de fazer o profissional encontrar o espaço necessário para utilizar e fazer crescer as suas potencialidades e em demonstrar que elas geram valor a uma atividade; buscando, inclusive, reconhecer o valor adicionado pelo trabalho. Clima, um líder que desenvolve, bons colegas, etc, também fazem parte do pacote. Ou seja, é o que leva um profissional a se envolver emocionalmente com o trabalho e o que o faz querer permanecer ali. É a motivação que leva um profissional a perceber que ele faz alguma diferença (envolvimento emocional gerando reconhecimento emocional, expandindo a relação de envolvimento por contrato de trabalho vs reconhecimento via salário).

Andréa em 26/04/2013:
Adorei a matéria!!! Concordo com tudo que foi dito. Gostaria muito de encaminhar esse e vários outros assuntos ao Diretor da empresa em que eu trabalho. Infelizmente o "Rh" da empresa quase não existe e ainda seria impossível implantar o salário emocional por aqui. O salário não é ruim, os benefícios também são bacanas, mas o que falta é justamente o salário emocional.

Cristiane Aparecida Cabral em 06/02/2013:
Olá! Gostei muito do artigo sobre salário emocional. Acho que muitas empresas deveriam investir neste tema que com certeza trará muitos benefícios tanto para a organização quanto para o Colaborador. Aliar salário atraente, benefícios e salário emocional sem dúvida que os resultados serão positivos.

Maria José M.Mendes em 28/07/2012:
Olá, prezados amigos. Gostei bastante da matéria e percebo que o salário emocional passa pelo tema Espiritualidade nas organizações (que não trata de religião), onde é visto e abordado toda essa questão das emoções, sonhos, pessoalidade íntima, preferências e gostos de cada colaborador, etc... Tenho trabalhado essa ideia no meu TCC sob outro prisma, porém é a mesma ideia. Parabéns, gostei mesmo. Um abraço, Maria

Maria Clarinda V. G. dos Santos em 27/07/2012:
Bom dia, Patrícia. Interessante esta matéria a qual nos apresentou. Acreditava que salário emocional fosse ligado também aos benefícios que a empresa fornece ao funcionário.

Pedro Alberto Falcão de Castro em 26/07/2012:
Olá, Prof. Fausto! Muito relevante o tema apresentado, pois, o bom emprego e o bom salário andam juntos, contudo, o bem estar de cada ser é primordial. Não adianta combinar bom salário com: Depressão, assédio moral, maus patrões e/ou chefes... O mais importante em qualquer situação da vida é estarmos com a auto-estima em dia e não somente com o salário em dia. VALEU!!!

Raquel Cruz em 25/07/2012:
Gostei muito do artigo e concordo plenamente, uma vez que se obtivermos a oportunidade de mostrarmos quem somos como profissionais e de termos o incentivo de crescer ainda mais, nos, e é claro a organização, ganha muito com isso. Salário é muito importante com certeza, porém o reconhecimento faz uma grande diferença para o profissional.

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