Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
A utilização da pesquisa de clima organizacional tornou-se um diferencial estratégico para muitas empresas, pois quando bem aplicada essa ferramenta permite que sejam identificados as pontos que atendem ou não às reais necessidades do negócio. Isso, por sua vez, possibilita aos gestores adotarem novas ações e reverem novos conceitos que podem ser usados no dia a dia corporativo e que, consequentemente, tragam melhorias significativas à performance dos profissionais.
Infelizmente, nem todos se lembram de um detalhe fundamental: dar um retorno desse valioso recurso aos funcionários. A Famastil Taurus Ferramentas S.A. - empresa que atua na produção de ferramentas manuais e elétricas, em 2009, criou o Programa Dito e Feito com o objetivo de dar uma devolutiva aos colaboradores sobre os resultados da pesquisa de clima, em como os indicadores de satisfação das pessoas quanto ao projeto.
De acordo com Renata Souza, analista de Recursos Humanos da Famastil, essa iniciativa também é aplicada na Prat-K - companhia pertencente ao grupo e que se dedica ao ramo moveleiro na linha de prateleiras e organizadores. "O público-alvo do programa inclui todos os profissionais da empresa que participam da pesquisa de clima e, consequêntemente, contribuem para as melhorias. O projeto é coordenado pelo grupo de gestão da empresa que inclui o diretor geral", complementa.
Como o Dito e Feito foi criado para validar a pesquisa de clima organizacional, através da real participação das pessoas que compõem a empresa, dentre os seus principais objetivos, encontram-se:
- Redefinição do formato de pesquisa de clima, validando o instrumento com ferramenta estratégica de gestão.
- Identificação das possíveis melhorias apontadas pelos colaboradores.
- Definição dos planos de ação junto à gestão.
- Percepção dos colaboradores no resultado da pesquisa de clima, através do plano de ação.
- Apresentação do acompanhamento dos planos de ação durante todo o ano e não somente durante o período da pesquisa.
- Avaliação da percepção das pessoas quanto às melhorias realizadas.

Como funciona? - Desde a sua adoção, durante todo o ano, o Programa Dito e Feito gerencia e noticia o status dos trabalhos realizados em cada ponto de melhoria identificado na pesquisa. Mais que o índice geral de satisfação das pessoas, o programa credita confiança e reconhecimento nas ações que são desenvolvidas em todas as áreas. Durante o mês de novembro, a empresa comunica o período de realização da pesquisa de clima e aplica os questionários.
Para os colaboradores internos, o formulário é entregue em meio físico, para que o mesmo seja preenchido na organização, permitindo que os profissionais reflitam sobre cada item. Para os funcionários externos a pesquisa é virtual com sigilo de identidade, garantindo-se a credibilidade do instrumento. A metodologia adotada ainda prevê uma etapa de avaliação qualitativa, com a realização de grupos de discussão mistos, conduzidos pela equipe especializada que desenvolve todo trabalho.
Na sequência, as urnas são direcionadas para a empresa externa contratada que faz as estatísticas do material e retorna o material para a gestão da empresa sob a forma de apresentação. A partir deste momento, são definidas as grandes ações que serão trabalhadas durante o ano seguinte. "Destas ações, parte o conteúdo para o Dito e Feito onde o status de cada ação é divulgado periodicamente e, na sua conclusão, carimbado com a identificação", cita a analista de Recursos Humanos da Famastil.

Quando indagada sobre como o Dito e Feito foi apresentado aos funcionários da Famastil e da Prat-K, Renata Souza diz o programa chega aos colaboradores pelas principais mídias de comunicação interna como, por exemplo: murais, notícias, revista interna. Já a comunicação direta ocorre, mensalmente, através dos líderes. "Trimestralmente, junto às outras informações, o diretor geral expõe para todos os colaboradores em um evento interno, chamado Jogo Aberto, cada ação do Dito e Feito com seu respectivo status. Algumas ações não finalizadas dentro do período permanecem em atividade no ano seguinte, mantendo-se na comunicação interna o acompanhamento necessário", sintetiza Renata Souza, ao enfatizar que a pesquisa de clima tornou-se uma ferramenta estratégica e reconhecida pela gestão da empresa.
Quais os benefícios? - Quando uma empresa institui uma ação, espera-se que a mesma dê um retorno. No caso do Dito e Feito, os resultados tornaram-se claros para todos os colaboradores da Famastil quanto da Prat-k. Para se ter uma ideia, no retorno da pesquisa de clima 2009 a empresa definiu cinco grandes ações e divulgou para toda a empresa. Dessa forma, as pessoas acompanharam a evolução de cada item durante o ano seguinte. Já na pesquisa de clima 2010, entre outros assuntos, foi questionada a percepção e a satisfação das pessoas frente às ações do Dito e Feito. O questionamento inicial indicou o reconhecimento do programa e validou a sua eficácia na empresa. Com ele, as decisões da gestão ficam ainda mais assertivas e favorece o clima organizacional, atuando diretamente nas solicitações das pessoas junto à companhia.
Ao ser indagada sobre a importância das empresas terem a preocupação de darem uma devolutiva aos profissionais, no que se refere à pesquisa de clima, Renata Souza é bem objetiva ao afirmar que estimular o surgimento de um ambiente favorável ao crescimento e à satisfação é um dos objetivos da área de Gestão de Pessoas. Para tanto, é necessário a criação de estratégias consistentes que se perpetuem para o alcance dos objetivos.
A estratégia organizacional, por sua vez, precisa ser vinculada entre as áreas da empresa, para que esses propósitos estejam em sintonia para o alcance dos resultados. "O Programa Dito e Feito tem tornado-se aliado à gestão, pois vem garantindo a transparência e a confiança das ações, além de, obter sucesso ampliando o índice geral do clima organizacional", conclui.
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