Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
A nítida necessidade de ter uma metodológica capaz de avaliar os resultados das práticas adotadas pela organização, identificar os benefícios que essas proporcionavam aos seus colaboradores e saber quais as expectativas dos profissionais em relação à forma como a empresa os trata. Essas são algumas das razões que estimularam o Laboratório Sabin a adotar a Pesquisa de Clima Organizacional (PCO) - uma ferramenta que é chegou à Gestão de Pessoas da companhia em 2004 e que hoje é aplicada anualmente.
Graças a esse recurso, por exemplo, a área de Recursos Humanos consegue contribuir estrategicamente para o negócio. Atualmente, o Laboratório Sabin conta com 69 unidades, sendo 61 no Distrito Federal, 06 em Goiás, 01 em Minas Gerais e 01 na Bahia. Contabiliza a entrega de mais de 1 milhão de exames por mês. O quadro funcional da empresa ultrapassa a mais de 1.100 profissionais.
Segundo Juliana Alcântara, gerente de Recursos Humanos do Laboratório Sabin, através da PCO - que tem como público-alvo todos os colaboradores - é possível obter um diagnóstico do ambiente organizacional, na perspectiva dos colaboradores, permitindo conhecer as condições que caracterizam a satisfação ou a insatisfação dos profissionais em relação à empresa. "Essa ferramenta torna possível a quantificação e a qualificação da satisfação e do comprometimento dos colaboradores com a organização. Seu resultado permite, ainda, que a empresa defina estratégias e ações para o crescimento e o desenvolvimento das pessoas, garanta uma máxima produtividade e qualidade, em um ambiente de confiança e de respeito. Ou seja, permite uma melhoria nos processos aliada à felicidade no trabalho", enfatiza.
O processo, vale destacar, é coordenado pelas consultorias externas. Contudo, internamente, toda a comunicação, a logística de distribuição de senhas para funcionários, a elaboração das respostas que detalham as práticas organizacionais, tudo está sob a responsabilidade da área de Recursos Humanos da companhia. Um diferencial apontado pela gerente de RH e a participação ativa da diretoria o contexto que envolve a PCO. As diretoras Janete Vaz e Sandra Costa leem e comentam cada resposta dada pelo RH e, quando chega o resultado final, elas também participam da análise e da elaboração das ações que serão implementadas.
"O processo de implementação da pesquisa de clima no Sabin ocorreu com foco na consultoria externa. Sendo assim, fizemos a opção pela parceria com consultorias externas. Hoje, o Sabin participa de três pesquisas: a do Great Place to Work Institute - vinculada à Revista Época; a pesquisa realizada pela FIA em conjunto com a Revista Exame, sobre as Melhores Empresas para se Trabalhar e também a pesquisa Hewitt/Valor, realizada pela Revista Valor Carreira. Toda a metodologia é desenvolvida pelas consultorias que recebem os dados, analisam e publicam em suas revistas", explica Juliana Alcântara.

Receptividade dos colaboradores - Quando indagada sobre a receptividade dos funcionários em relação à pesquisa de clima, a gerente de RH do Laboratório Sabin argumenta que como a empresa possui uma cultura aberta, que passa segurança para as pessoas que lá atuam, a aplicação da ferramenta teve uma boa aceitação por parte do público interno.
Para divulgar a PCO entre os colaboradores, a empresa veiculou a proposta em todos os meios de comunicação que disponibilizava. Mas, no primeiro momento, a diretoria conversou com os líderes, para que eles se engajassem no processo, conhecessem os objetivos da pesquisa e multiplicassem isso para suas equipes. Depois, a comunicação partiu para os canais digitais e visuais que incluiu: o sistema informatizado para a comunicação interna institucional, a intranet, os murais, e por fim, os questionários entregues a cada colaborador que foram e ainda são acompanhados por uma carta da diretoria, o que consolida a importância para a empresa do processo.
Avaliação dos resultados - Para ter um diagnóstico do ambiente organizacional, as consultorias externas entregam ao Sabin um relatório detalhado sobre a perspectiva dos colaboradores, onde é possível identificar os diferentes tipos de perspectivas por: cargo, idade e tempo de casa. A empresa recebe ainda um relatório com a análise das práticas de Gestão de Pessoas, onde o Sabin é comparado com diferentes empresas e por especialistas que são os avaliadores responsáveis pelo trabalho de consultoria. "Além disso, recebemos um caderno dos comentários. Todos esses relatórios são utilizados permitem perceber e conhecer nossos pontos fortes e os pontos a desenvolver. Com isso em mãos, o planejamento estratégico da área de Recursos Humanos, por exemplo, pode ser realizado buscando a melhoria dos pontos levantados na pesquisa e comparando as práticas com várias empresas do país e até mesmo internacionais", cita a gerente de RH.
Depois da conclusão da pesquisa, os resultados obtidos são utilizados para qualquer mudança e aprimoramentos voltados à Gestão de Pessoas que a empresa realize. A avaliação dos colaboradores passou a servir como balizador para as práticas adotadas pelo Sabin e mesmo já existindo a cultura inerente de preocupação com o funcionário, após a adoção dessa ferramenta ampliou-se o conhecimento da empresa sobre a percepção das pessoas no que se refere às práticas organizacionais.
Resistência ao novo - Para evitar que os profissionais apresentassem algum tipo de resistência ao processo de mudanças, um comportamento considerado inerente ao ser humano, o Laboratório Sabin promoveu uma intensa sensibilização para mostrar os objetivos da PCO, bem como as melhorias e asproposições que seriam decorrentes dessa iniciativa. Ao trabalhar esses valores, a organização conseguiu deixar claro para os seus colaboradores que o desenvolvimento das informações coletadas pela pesquisa de clima seria em benefício dos próprios funcionários e, desta forma, não houve resistência apresentada pelo público interno. Na primeira aplicação ocorreram dificuldades quanto aos prazos de entrega dos formulários, o que foi corrigido já no segundo ano graças a uma maior divulgação e motivação por parte da área de RH e dos líderes, incentivando a devolutiva das respostas.
Outro fato relevante que garante o êxito da pesquisa de clima é o elevado nível de confiança que a empresa conquistou junto aos funcionários, ao longo dos anos. "As certificações que o Sabin possui elevam também esta confiança e, por isso, não sentimos o impacto como ocorrem com outras empresas. O cuidado da diretoria em procurar uma consultoria externa para realizar esta atividade, mantendo a imparcialidade e a impessoalidade sobre o processo faz o colaborador sentir-se seguro. Mesmo com todo este cuidado, há sempre um reforço sobre o sigilo na PCO. Ao longo dos anos, a aplicação e o resultado do processo de pesquisa de clima ajudou a construir uma credibilidade, uma vez que nunca ocorreu um vazamento de informação ou exposição de qualquer resposta", ressalta Juliana Alcântara.
Por fim, Juliana Alcântara enfatiza a importância da pesquisa de clima organizacional para a Gestão de Pessoas. "Ferramentas como essa permitem que a gestão seja feita de maneira pessoal. Não perdemos o foco seguindo tendências, os modismos da gestão, mas atuamos nos nossos problemas, nos nossos pontos fracos. Também utilizamos melhor nossos pontos fortes, pois os conhecemos. As ferramentas formalizam processos e, com isso, as empresas não perdem energia focando no que está indo bem ou deixando de agir rápido naquilo que precisa ser corrigido logo", conclui.
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