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09/12/1999
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O Paradigma da Complexidade

Por Paulo Henrique Bolgar para o RH.com.br

Talvez não devamos tratar a complexidade como um novo paradigma de ciência, mas talvez como uma nova visão de ciência. Porque uma nova visão?

Podemos dizer que o pensamento complexo é uma nova maneira de ver a ciência, casando o singular com o todo. A teoria da complexidade é hologramática, ou seja, mostrando-nos que não é através de um único parâmetro que se tem a dimensão da realidade.

Edgar Morin deixa claro que complexidade não é complicação. A ambição do pensamento complexo é dar conta das articulações entre domínios disciplinares que são quebrados pelo pensamento disjuntivo; este isola o que ele separa e oculta tudo que o liga, interage e interfere. A complexidade aparece onde o pensamento simplificador falha, isto é, a complexidade conduz á eliminação da simplicidade.

Diante da dificuldade de compreender e dominar o complexo, nossa tendência é de nos adaptarmos a uma atitude reducionista e de nos voltarmos para os pontos de vista mais simplistas. A complexidade sempre existiu, mas ela se amplia continuamente. Esta complexificação incessante é o sentido da evolução da vida. À medida que certos aspectos da complexidade são entendidos, outros se manifestam através do imprevisto, o incerto ou o ingovernável.

Embora não se limite a este aspecto, o termo "complexidade" designa primeiro aquilo que nos escapa, aquilo que temos dificuldade em compreender e dominar, Neste aspecto, complexidade de distingue da complicação de que, com esforço, conseguimos chegar ao fim.

É claro que a empresa não está isenta desta complexidade. Ela se manifesta sobretudo do volume de teorias e modelos de administração – modismos temporários e milagrosos, a incerteza das organizações e a ampliação das interdependências. Adicionado a isto, o impulso rápido das telecomunicações e de novas tecnologias, a globalização da economia, o crescimento das atividades imateriais (serviços), e as profundas mudanças da ciência tem acelerado ainda mais este movimento a complexidade.

O progresso muitas vezes, segundo Genelot 3, é obtido por complexificação. É aí que os dirigentes encontram o maior desafio que é dotar-se de métodos de pensamento que lhe permitam ao mesmo tempo inventar o progresso e limitar seus efeitos nocivos.

A. Características da complexidade
Segundo Genelot, podemos chamar de complexo o que não podemos compreender e a dominar completamente, e que esta se manifesta em 3 níveis:
- a realidade é presumida complexa em si mesma;
- os fenômenos não são complexos se o observador não os vê como tal;
- nossa representações da realidade, condicionam nosso comportamento, ou seja, acomplexidade é construída a partir de nossas representações/repertório.

Num primeiro nível, podemos concluir que na complexidade:
- a realidade percebida fica sempre inacabada e incompleta;
- o todos e as suas partes estão ligados em uma dialética dinâmica;
- os sistemas complexos se auto-organizam;
- o complexo é uma conjunção de ordem e desordem;
- a instabilidade e a evolução provocam mudanças de estado nos sistemas complexos;
- lógicas diferentes, ás vezes antagônicas, coexistem em um diálogo no seio de um sistema complexo.

B. A representação da Complexidade
A realidade não é independente de quem a contempla, as coisas, os acontecimentos, as pessoas , as situações assumem a forma que lhe damos em virtude de nossa visão de mundo, de nossas intenções no momento e do contexto que tudo isto se desenrola. Aqui levantamos um ponto importante que é a dificuldade de representar as realidades complexas.

Diante desta dificuldade, nós nos enganamos e deixamos de lado o sombrio, o incerto e construímos representações artificialmente simples, compreensíveis e transmissíveis. Cada pessoa tem uma forma diferente de compreender a realidade, e é este sistema individual que transforma a realidade que chamamos de sistema de representação. Segundo a natureza deste sistema, certos aspectos da realidade serão selecionados e ordenados de um certo modo em nossa representação.

Há uma parte no nosso sistema de representação que não podemos modificar, que é inata a nossa personalidade, mas há outra parte sobre a qual podemos agir, que podemos ao menos controlar. Os componentes deste sistema de representação são:
- os paradigmas presentes, a visão geral do mundo á qual nos referimos;
- o contexto no qual nos encontramos; e
- a intenção pessoal, o projeto íntimo que condiciona nossa interpretações.

Este enfoque nos mostra uma dimensão importante das pessoas que por mais parecidas que sejam, trabalhando na mesma empresa, na mesma área, fazendo o mesmo tipo de trabalho podem ter visões completamente diferentes da realidade e inclusive, com medo do incerto e das mudanças, buscam não intencionalmente visões simples e reducionistas da realidade.

C. A organização Complexa
Onde se misturam e se sobrepõe lógicas muito diversas, o próprio pensamento deve se complexificar para apreender as situações e melhor orientar as organizações. O reconhecimento das particularidades, até mesmos dos antagonismos, a articulação de lógicas diferentes, devem substituir a exclusão que separa a realidade à uma parte se sua riqueza.
Lógicas diferentes que podem ser ao mesmo tempo complementares, concorrentes e até mesmo antagônicas, se encontram reunidas e coexistem em uma mesma unidade, sem que suas diferenças não sejam por isso coladas por esta unidade.

Edgar Morin 4 propõem o processo de "disjunção-conjunção" como alternativa a este modo mono-variável de assumir os problemas: as lógicas são distinguidas uma das outras e suas diferenças são afirmadas, mas não são separadas da problemática global a que pertencem. Sem negar suas respectivas existências, articula-se uma à outra em virtude de uma lógica superior que as integra sem reduzir suas especialidades. Essa tentativa se opõem completamente àquela que consiste em tirar um elemento de seu contexto, e excluí-lo do todo no qual ele toma sentido.

O principal que se defende é a análise do todo, atualmente a tendência é considerar o homem ao mesmo tempo força de trabalho, inteligência, afetividade e individualidade não limitando sua vida às fronteiras das empresas, levando-se em consideração também sua unidade e, na relação com os demais a combinação de bio-psiquico-social distinguindo uma das outras sem separá-las da visão global do indivíduo.

Palavras-chave: | Paradigma | Globalização | Complexidade |

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COMENTÁRIOS (1)
Adriana em 05/02/2009:
O artigo é muito importante, hoje é o mais estamos vendo dentro das organizações, estou fazendo o último perido de Administração, e estou pensando em fazer o meu artigo em cima desse tema: Os aspectos da Complexidade nas Organizações. Esse artigo é muito bom, Vai me ajudar muito começo do meu TCC. Obrigado

 
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